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Uso de carro por app aumenta 55% nas periferias durante a pandemia

31 de julho de 2020 5 mins. de leitura
Pesquisa mostra que 20% dos moradores das regiões pesquisadas não puderam cumprir o isolamento. Medo do contágio e aglomeração em outros modos de transporte impulsionaram busca por formas mais seguras

Cumprir o isolamento social à risca e adotar o home office não foram possibilidades economicamente viáveis para grande parte dos brasileiros durante a pandemia, especialmente para aqueles que vivem nas zonas periféricas.

Cerca de 20% desses cidadãos continuaram na ativa desde março. É o que aponta a pesquisa “Como as periferias se reconectam com a cidade”, divulgada durante o Summit Mobilidade Urbana 2020, evento promovido pelo Estadão neste mês de agosto.

No entanto, para que o trajeto diário até o emprego se tornasse mais seguro diante da ameaça do coronavírus, esses trabalhadores buscaram outras formas de se locomover.

Na tentativa de fugir das aglomerações, chama a atenção o aumento do uso de carros por aplicativo, cujo salto foi de 55% nos subúrbios de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador.O levantamento foi feite entre os dias 20 e 21 de julho pela 99, empresa de tecnologia e mobilidade urbana atuante em 1.600 cidades brasileiras, e ouviu 2.174 pessoas.

Durante a pesquisa, 60% dos entrevistados relataram preocupação em contrair a covid-19 nos meios de transporte. O que explica, em parte, o fato de que 52% da população periférica deixou de pegar trens e metrô e 49% abandonou os ônibus como opções de mobilidade nos meses da pandemia.

(Fonte: 99/Divulgação)

Nesse cenário, ganhou força também o transporte ativo, como percorre rotas a pé ou de bicicleta – que, juntos, totalizaram um crescimento de 41%*, “Mas é importante reconhecer que essas alternativas não são acessíveis para todos”, explica Pâmela Vaiano, diretora de Comunicação da 99.

“Nas capitais, principalmente São Paulo, os deslocamentos são muito grandes.”Coautor do Mapa da Desigualdade 2020 e pesquisador da Casa Fluminense, Guilherme Braga de Oliveira Alves ressalta que o crescimento do uso do transporte ativo – em especial a bicicleta – não costuma ser visto de maneira aprofundada quando se fala das zonas fora do centro expandido.

“Infelizmente os números de viagens por transporte ativo costumam aumentar nas periferias quando o preço das tarifas está alto e quando o transporte público piora”, explica Guilherme.

“Ou seja, para algumas pessoas, pedalar ou ir caminhando para o trabalho não é uma escolha pessoal ou pela consciência de que é mais sustentável. Mas por a única maneira.”

A opção de usar carros via app também reflete desigualdades sociais, que ficaram ainda mais evidentes durante a pandemia. Incluam-se aí questões da classe e gênero.

“Quando analisamos a nossa base de corridas, vemos que as camadas mais altas diminuíram significativamente o uso, enquanto as periferias aumentaram. Isso mostra que o isolamento realmente é um privilégio”, conclui a diretora de Comunicação da 99.“Mais de 80% dos nossos entrevistados relataram que foram impactados negativamente em sua economia doméstica nos últimos meses.”

Ainda de acordo com os dados da pesquisa, nos bairros periféricos as mulheres são a maioria entre os usuários de veículos via app: 67%. “Embora muitas delas sejam responsáveis pelo sustento, por carregar as crianças e cuidar dos idoso da família, elas não detêm carros, motos e bicicletas tanto quanto os homens”, afirma Pâmela.

O pesquisador Guilherme Braga destaca mais um motivo pelo qual homens e mulheres têm padrões de deslocamentos distintos. “Um dos pontos mais perversos dessas diferenças é a violência sexual no transporte público. A mulher fica muito mais vulnerável.”

Nova relação com o bairro

O aumento da frequência do uso de automóveis por app nas periferias se refere não só aos deslocamentos até o trabalho em lugares mais afastados, mas também à mobilidade dentro dos próprios bairros.

Nos meses de pandemia, os moradores dessas regiões vêm desenvolvendo uma nova relação com o entorno.Segundo o levantamento, atividades que antes eram realizadas em locais mais distantes passaram a ser cumpridas em pontos mais próximos.

É o caso das compras.Só em São Paulo, 55% dos moradores de bairros da zona leste, como Carrão e Vila Matilde, por exemplo, contaram que atualmente frequentam mais o comércio local.

O não fechamento dos estabelecimentos de bairros – um dos grandes efeitos econômicos dos grandes efeitos econômicos do coronavírus – é, inclusive, uma preocupação de 92% dos habitantes das zonas periféricas pelo País.

Dentro do próprio bairro, a maioria dos moradores costuma se deslocar a pé (65%), com carro por app (46%) e com ônibus (19%). “O tempo do trajeto, a comodidade e a segurança em relação à covid-19 estão entre os motivos que explicam essas opções”, diz Pâmela.

De olho nessa fátua de usuários, empresas de carros por app vêm implementando políticas para tornar as corridas mais acessíveis.

“Na99 temos lançado categorias mais baratas e buscando subsidiar os preços nas periferias com um valor diferente em relação ao centros expandidos. Assim, garantimos o acesso das pessoas a um transporte efetivo e seguro neste momento tão crítico”, diz Pâmela. Entre as iniciativas, a empresa criou o 99Poupa, categoria que oferece corridas até 35% mais baratas nos horários de menor demanda.

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