Capacetes não são um problema para ciclistas na Holanda

Capacetes não são um problema para ciclistas na Holanda
Com foco no bem estar dos ciclistas, políticas públicas da Holanda permitem que o povo pedale sem precisar usar capacetes

A construção de uma cidade com menos trânsito, menos riscos de acidentes e mais ar limpo parece um sonho impossível para muitos países. E mesmo na Holanda, que parece ter alcançado, ao menos em parte, este status, foi assim por muitos anos.

Por lá, a resposta passou pelo incentivo ao uso de bicicleta como modal primário, o que envolveu uma mudança bastante profunda na forma como o povo holandês se relacionava tanto com seus meios de transporte quanto com o espaço urbano.

Ao mesmo tempo, o governo, em nível nacional e municipal, também teve que refletir sobre como criar ambientes favoráveis para ciclistas.

(Fonte: Pixabay)

Melissa Bruntlett, que juntamente do marido Chris escreveu o livro Building the Cycling City: The Dutch Blueprint for Urban Vitality (Construindo a Cidade Ciclista: O Esquema Holandês para a Vitalidade Urbana, em tradução livre), deu uma entrevista para a Vox sobre o assunto.

O livro é baseado no blog que eles montaram quando resolveram usar a bicicleta como o modal primário para se deslocar. Segundo ela, os holandeses fazem uma diferença entre os wielrenners, ciclistas esportivos, e os fietser, que é apenas “alguém em cima de uma bicicleta".

"Quando você conversa com alguém na Holanda sobre o que faz as bicicletas serem tão especiais, a maioria vai dizer 'do que você está falando? Não tem diferença de quando eu pego o trem ou saio a pé'", diz a autora em entrevista ao Vox.

Para Chris, essa é a questão central. “Os holandeses construíram um ambiente que trata as pessoas que andam de bicicleta normalmente, os fietsers do dia a dia, com respeito e dignidade e dá a eles todo um espaço separado para pedalar”, diz na mesma entrevista.

Segundo o casal de autores, a Holanda possui um manual que classifica as estradas dependendo da velocidade dos carros. “Se há uma grande diferença na velocidade, uma separação completa é obrigatória”, complementa.

(Fonte: Martín Sarthou on Unsplash)
(Fonte: Unsplash/Martín Sarthou)

A questão central não é fazer a bicicleta substituir o automóvel ou mesmo o transporte público. “Quando você combina os dois [bicicleta e transporte público] é que a magia acontece. Aí o carro se torna redundante nas cidades”, comenda Chris.

Os holandeses usam as bicicletas como uma ferramenta para alimentar o sistema de trânsito, com 50% de todas as viagens começando com uma pedalada. “Isso cria um círculo virtuoso de transporte sustentável”, reflete Chris.

Essa talvez seja a importância de se não precisar de capacetes. Ao exigir que o ciclista use uma armadura para pedalar, o que o poder público diz para o povo é que não está interessado em mudar nada para os motoristas, privilegiando um conforto individual, cada vez mais insustentável para as grandes cidades.

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Fonte: Vox.

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