Alemanha tem lítio para fabricar 400 milhões de carros elétricos

5 de julho de 2021 4 mins. de leitura
As reservas de lítio dão boa perspectiva para os carros elétricos e suas baterias, mas sua extração impõe desafios à indústria

Um dos principais questionamentos em relação aos carros elétricos está relacionado às suas baterias — tanto no sentido de que modo carregá-las, priorizando fontes de energia limpas e renováveis, como também no descarte e na produção. 

Isso porque as baterias são produzidas com elementos químicos que precisam ser extraídos da terra, com altos impactos ambientais. O mais importante deles é o lítio, e uma reserva enorme dele foi descoberta recentemente na Alemanha. 

De acordo com informações divulgadas pela agência de notícias Reuters, a reserva tem 300 quilômetros de comprimento por 40 de largura e apresenta lítio suficiente para fabricar 400 milhões de carros elétricos. Para efeito de comparação, 3,2 milhões de veículos desse tipo foram vendidos em 2020. 

Os carros elétricos necessitam de lítio para suas baterias, o que levanta uma série de questionamentos (Imagem: Wikimedia Commons)
Os carros elétricos necessitam de lítio para suas baterias, o que levanta uma série de questionamentos. (Imagem: Wikimedia Commons)

Uma boa notícia para a indústria europeia

O lítio recém-descoberto está a milhares de quilômetros abaixo da terra, em estado líquido, na região do Rio Reno, sudoeste da Alemanha. Descobrir uma reserva dessa dimensão na Europa é uma boa notícia para a indústria automotiva do continente, que está apostando alto nos carros elétricos.

Atualmente, o lítio precisa ser importado (e transportado) de outras regiões, gerando altas emissões de carbono nesse processo. O principal fornecedor é a América do Sul, onde o material é extraído de desertos de sal no Chile e na Argentina. Além disso, ele também é produzido na Austrália — que o extrai de rochas, com maior gasto de energia — ou na China, para suprir a própria indústria. 

Desse modo, além do impacto ambiental de transportar o lítio de um lado a outro do globo, há grandes custos financeiros. Com reservas mais próximas, na Alemanha esse processo será bastante simplificado. Por isso, já existem empresas projetando a extração do lítio — e intenções da indústria automotiva de comprá-lo. Gigantes como a BMW e a Mercedes-Benz já sinalizaram interesse.

Os desertos de sal da América do Sul são grandes fornecedores de lítio (Imagem: Wikimedia Commons)
Os desertos de sal da América do Sul são grandes fornecedores de lítio. (Imagem: Wikimedia Commons)

Os desafios da extração de lítio na Europa

No continente europeu, as principais reservas de lítio estão em Portugal, mas os produtores já o comercializam para a indústria de cerâmica. 

Geólogos ouvidos pela agência Reuters estimam que as reservas alemãs estejam entre as maiores do mundo. Contudo, além de estarem em estado líquido, a milhares de quilômetros abaixo da terra, elas estão em áreas menos remotas do que os desertos de sal do Chile ou as mineradoras australianas. Dessa maneira, a extração pode enfrentar oposição das pessoas que moram próximo a essas regiões. 

As empresas que pretendem realizar a extração de lítio na Alemanha argumentam que vão utilizar energia geotérmica no processo, que causa menos ruído e poluição. Porém, as perfurações para energia geotérmica já causaram danos em casas na mesma região do país, em 2007 — o que dá argumentos para a oposição. 

As reservas de lítio alemãs estão localizadas na região do Rio Reno (Imagem: Wikimedia Commons)
As reservas de lítio alemãs estão localizadas na região do Rio Reno, sudoeste do país. (Imagem: Wikimedia Commons)

Outro desafio para o lítio alemão seria o alto custo de implantação dos projetos de extração. Apenas uma empresa deve investir 1,7 bilhão de euros, segundo a Reuters. Porém, os projetos são de longo prazo, no mínimo para 2024. 

De todo modo, o alto impacto ambiental da produção de baterias de lítio no modelo atual é uma questão que precisa ser resolvida pela indústria de carros elétricos. Resta saber se o recém-descoberto lítio alemão será a resposta. 

Fonte: The Next Web, Reuters.

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