Um futuro mais verde: como a COP 28 repensou a mobilidade elétrica

26 de janeiro de 2024 4 mins. de leitura

Não podemos esperar mais para pensar em descarbonização, uma vez que estamos vivendo às custas do desequilíbrio ambiental Refletir sobre as estratégias de mobilidade urbana que contribuem para a redução da emissão de carbono é urgente. Isso ficou claro na COP 28, realizada no final do ao passado em Dubai, e marcou um ponto crucial […]

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Não podemos esperar mais para pensar em descarbonização, uma vez que estamos vivendo às custas do desequilíbrio ambiental

Refletir sobre as estratégias de mobilidade urbana que contribuem para a redução da emissão de carbono é urgente. Isso ficou claro na COP 28, realizada no final do ao passado em Dubai, e marcou um ponto crucial na história da transição energética.

Testemunhamos um compromisso mais sólido do mundo frente às mudanças para fontes de energia mais sustentáveis, junto com objetivos financeiros mais delimitados para países em desenvolvimento, como o Brasil. Nessa corrida contra o aquecimento global, é possível dizer que a largada finalmente foi dada.

O acordo histórico, com forte sinal às indústrias e aos investidores, diz que o tempo para o petróleo, o gás e o carvão está se esgotando.

Até 2050, a meta é que haja uma transformação de sistemas energéticos rumo à neutralidade climática​. Não podemos esperar mais para pensar em descarbonização, uma vez que estamos vivendo às custas do desequilíbrio ambiental.

Triplicar energia renovável

Outro ponto bastante positivo do evento foi  a aprovação da mobilização de mais de US$ 85 bilhões para ações climáticas e o objetivo de triplicar a capacidade instalada da energia renovável até 2030.

Nesse cenário, surgem questões, como a mobilidade elétrica, que pode auxiliar as nações a atingirem mais fácil e rapidamente os seus propósitos e diminuir o efeito estufa.

Entretanto, existem lacunas entre as suas políticas de adoção e os desafios de infraestrutura para atender à crescente demanda, o que dificulta o processo de massificação do uso de carros elétricos (VEs) pela população.

Para auxiliar as pessoas, é preciso de incentivos, como subsídios à compra de VEs, regulamentações que encorajem a produção nacional e isenções fiscais – algo que está prestes a mudar em 2024 para veículos que não são 100% elétricos.

Armadilhas

No apagar das luzes de 2023, o governo federal assinou a criação do programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover) para impulsionar a indústria automotiva.

A Medida Provisória prevê incentivos fiscais que somam R$ 19,3 bilhões nos próximos 5 anos para empresas que investirem em descarbonização e em pesquisa e desenvolvimento e ainda uma mudança no cálculo de emissões dos veículos.

Até aí tudo bem. Se não fosse o fato de que a o programa acaba beneficiando mais os veículos híbridos flex que poderão seguir queimando gasolina.

O texto não considera o ponto da poluição, da degradação ao meio ambiente, de questões de saúde pública nos principais centros urbanos – onde coincidentemente os veículos elétricos têm se destacado. Corre-se o risco de o País criar uma “bolha do etanol”, onde o produto brasileiro tende a se tornar obsoleto.

Para se ter uma ideia, um estudo feito pela consultoria Bain & Company prevê que, até 2040, 77% dos veículos adquiridos no mundo serão elétricos. Hoje, eles respondem por 13% das vendas globais.

COP 28 significou um compromisso mais sólido do mundo frente às mudanças para fontes de energia mais sustentáveis. Foto: Getty Images

Transformação no mercado de trabalho

Ao adentrar os detalhes da transição, é fundamental examinar os impactos sociais e econômicos, como a evolução dos empregos na indústria automotiva tradicional e as oportunidades emergentes na produção de baterias.

Ademais, compreender os efeitos dessa mudança proporciona uma visão mais completa das transformações que ocorrerão na sociedade, mostrando que a eletrificação dos veículos não deve apenas reduzir as emissões locais e sim fazer parte de uma resolução de problemas muito maior.

Inclusive, segundo dados recentes do Datafolha, 78% dos brasileiros reconhecem que as atividades humanas desempenham um papel no aquecimento global e 54% acreditam que isso tem impacto significativo no clima. Esses resultados demonstram que o nosso povo enxerga o que está acontecendo de fato. A boa notícia é que já podemos começar a agir.

Ainda há muito a se fazer e o Brasil caminha lentamente, todavia, na COP 28 pudemos ver governos falando mais sobre parcerias e investimentos em mobilidade elétrica como soluções de verdade para a sustentabilidade.

A transição para esse novo mundo não é somente uma escolha ambientalmente consciente: é uma necessidade para um futuro mais verde, onde a mobilidade elétrica desempenhará cada vez mais um papel crucial na (re)construção do planeta Terra.

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