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As baterias dos carros elétricos realmente demoram para carregar?

27 de junho de 2023 6 mins. de leitura
Confira alguns mitos e verdades sobre as baterias dos carros elétricos, como o tempo de recarga e a autonomia

Conforme noticiado recentemente pelo Estadão, os carros elétricos estão vivendo seu melhor momento no Brasil. No primeiro trimestre de 2023, suas vendas foram 50% superiores às do mesmo período do ano passado. Desde 2019, a frota aumentou 503%: atualmente, são 124,4 mil veículos deste tipo, em todo o País. Em vista disso, o debate em torno destes automóveis também aumenta, trazendo consigo muitos mitos — em especial, sobre a bateria.

A bateria pode ser considerada o coração de um veículo elétrico. Afinal, é ela quem armazena a energia de que os motores precisam para movimentar o veículo. Porém, ao contrário de um tanque de combustível, que pode ser abastecido rapidamente em qualquer posto — como todos estão acostumados a fazer desde que aprendem a dirigir — as baterias estão envoltas em mistério. 

Elas estão no centro da discussão sobre a viabilidade e até sobre a sustentabilidade dos carros elétricos, no longo prazo. Pensando nisso, vamos responder a algumas questões sobre elas.

As baterias dos carros elétricos são difíceis de carregar?

É interessante observar que a grande maioria dos elétricos vendidos no Brasil têm baterias de íons de lítio, o mesmo material usado em diversos aparelhos eletrônicos, como celulares. Logo, a dificuldade para carregar a bateria de um carro é a mesma: basta conectá-lo à tomada. 

Os veículos elétricos acompanham os cabos para carregamento, que podem ser conectados à qualquer tomada doméstica. Em uma rede de 110V, a bateria pode levar até 20 horas para ser totalmente carregada — por isso, a maioria dos montadores oferece o chamado “wallbox”, que aumenta a tensão para 220V e reduz o tempo para algo entre 7h e 9h. O equivalente a uma boa noite de sono.

Além disso, há cada vez mais eletropostos por todo o Brasil, com estações desenvolvidas para carregar baterias rapidamente. Em uma estação como essa, carros elétricos podem conquistar 100% da sua autonomia em meia hora. Inclusive, vale mencionar que a recarga dos 80% até os 100% costuma ser mais lenta. Logo, uma recarga de poucos minutos pode encher uma parcela suficiente da bateria para você continuar seu trajeto.

Há cada vez mais eletropostos com carga rápida por todo o Brasil. (Fonte: Getty Images/Reprodução)

Os carros elétricos têm pouca autonomia?

O tempo de recarga das baterias costuma ser um dos principais questionamentos à viabilidade dos carros elétricos — afinal, esperar até mesmo meia hora parece muito, quando comparado aos poucos minutos que levamos para abastecer um carro à combustão. 

A questão é que, assim como os modelos à combustão, os carros elétricos não precisam ser recarregados todos os dias. Até porque sua autonomia costuma ser o suficiente para o trajeto diário da maioria das pessoas. Um modelo simples, como um JAC E-JS1, roda até 300 km com uma carga. E a autonomia pode passar dos 520 km em um modelo como o BMW iX. 

O principal problema, é claro, ficaria por conta das viagens — ainda mais em um País de grandes distâncias, como o Brasil. Entretanto, muitas rodovias já contam com eletropostos, e é possível planejar viagens com paradas estratégicas para recarga. 

Carros elétricos como o BMW iX têm autonomia de mais de 500 km. (Fonte: Getty Images/Reprodução)

A autonomia dos carros elétricos pode variar?

Com efeito, é interessante ponderar que o cálculo da autonomia dos veículos elétricos é um pouco mais complicado do que a dos veículos à combustão. Isso porque diferentes países e suas agências reguladoras podem adotar métodos de medição distintos para definir a autonomia dos veículos. No Brasil, a regra foi criada em 2023 pelo Inmetro. 

Anteriormente, as marcas utilizavam os padrões que lhe interessavam — europeu, americano, chinês… —, gerando discrepâncias. Com a definição do Inmetro, a maioria dos carros vendidos no Brasil “perdeu” cerca de 30% de sua autonomia estimada. O BMW iX declarava 630 km de autonomia, por exemplo, que viraram 528 na medição brasileira. 

Entretanto, além disso, há outro fator: as condições climáticas. Já se sabe que as baterias de íons de lítio podem ter sua carga reduzida quando está muito frio. Esse é um fator que deve ser levado em consideração por quem mora em regiões com temperaturas mais amenas. 

Autonomia dos carros elétricos pode variar de acordo com as medições e condições climáticas. (Fonte: Getty Images/Reprodução)

As baterias de carros elétricos têm vida útil curta?

As baterias também estão no centro da discussão sobre a sustentabilidade do carro elétrico, pois levantam questões sobre sua vida útil, descarte e necessidade de fabricação de um novo conjunto de baterias — ou mesmo a compra de um carro novo, ao fim da vida útil. 

Contudo, essas baterias têm uma duração relativamente alta. Fabricantes como a Tesla dizem que seus carros podem rodar entre 300 e 500 mil milhas (até 800 mil km) com um conjunto de baterias. De modo geral, o mercado coloca essa expectativa entre 15 e 20 anos. Até 8 anos, as baterias estão cobertas pela garantia do fabricante

Recentemente, um estudo do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) mostrou que a idade média dos automóveis no Brasil é de 10 anos e 9 meses — e que essa é a maior média desde 1994. Então, conclui-se que os veículos elétricos têm potencial para durar mais ou menos o mesmo que suas contrapartes à combustão.

Baterias dos carros elétricos podem durar entre 15 e 20 anos. (Fonte: Getty Images/Reprodução)

Analisar esses mitos e verdades sobre as baterias dos carros elétricos é importante para maior compreensão de como esta tecnologia funciona no mundo real, principalmente agora que está se tornando mais popular. Com isso, seus possíveis consumidores podem decidir de maneira mais embasada, com todos os prós e contras que os carros elétricos oferecem.

Fontes: Tupinambá Energia, Estadão, Flatout

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