10 dicas para a saúde mental dos trabalhadores de transporte

29 de setembro de 2020 8 mins. de leitura
Neste Setembro Amarelo, saiba como evitar o estresse e a ansiedade de profissionais ligados à área de transporte

A pandemia da covid-19 tem trazido uma série de desafios, como o distanciamento social e os cuidados redobrados com a higiene. Porém, seus efeitos podem ser especialmente duros para quem sofreu impactos afetivos e financeiros, em razão da perda de pessoas próximas, do desemprego e do intenso medo da contaminação.

Entre as categorias mais afetadas estão os profissionais do segmento de mobilidade urbana. Uma pesquisa recente mostrou que motoristas de ônibus, por exemplo, estão 70% mais vulneráveis ao coronavírus do que profissionais de outras áreas.

Além disso, a crise do transporte coletivo tem gerado incertezas, trazendo, além do medo da doença, o do desemprego. Entregadores de alimentos e encomendas, bem como motoristas de táxis e serviços de aplicativo também passam por situações estressantes. 

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Juntos, eles têm garantido que boa parte da sociedade consiga se isolar conforme o protocolo da Organização Mundial da Saúde (OMS). Não é difícil entender, portanto, as razões por que trabalhadores do setor de transporte precisam redobrar os cuidados com a doença durante sua rotina, o que tende a gerar também doses extras de estresse.

Saúde mental e trabalho no transporte

Entregador do aplicativo Uber Eats de bicicleta
A rotina dos profissionais do transporte pode ser uma fonte importante de estresse e ansiedade. (Fonte: Shutterstock)

Segundo a psicóloga Giselem Santos, especializada em Psicologia Clínica e com atuação no segmento de Recursos Humanos, o trabalho possibilita satisfações subjetivas, mas, quando há excesso de pressão nessa atividade, seja por metas muito altas ou jornadas muito longas, o estresse tende a aumentar. 

Sob risco de contaminação, essa experiência pode ser ainda mais pesada. Para a especialista, é essencial que a sociedade reforce a empatia em relação a esses profissionais, respeitando o sofrimento alheio. 

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Dessa forma, o Setembro Amarelo, período voltado à atenção à saúde mental, é uma boa hora para repensar ações com mudanças de comportamento que devem perdurar o ano inteiro. “O sofrimento psíquico é tão real quanto quebrar um braço, mas não é percebido assim, por muitas vezes ser sutil, e só enxergarmos o quadro quando ele se aproxima do colapso mental e do suicídio”, alertou Giselem. 

Em entrevista ao Estadão Summit Mobilidade Urbana, a psicóloga dá algumas dicas para que profissionais da área possam driblar problemas como o estresse, a depressão e a ansiedade durante esse período de crise sanitária e econômica.

Dedicar tempo à realização de atividades físicas é fundamental para a saúde física e a mental. (Fonte: Shutterstock)
Dedicar tempo à realização de atividades físicas é fundamental para a saúde física e a mental. (Fonte: Shutterstock)

1. Pratique algum tipo de atividade física

Isso vale especialmente às pessoas que dirigem sentadas o dia todo. Mesmo dentro de casa, é possível pensar em formas de controle do estresse, o que é fundamental para desfrutar de uma vida mais equilibrada e preservar a saúde. 

Fazer atividade física libera endorfina, que ajuda a aliviar a tensão e, consequentemente, traz a sensação de bem-estar. Além disso, ela ajuda a evitar problemas cardíacos, aumento do colesterol, Acidente Vascular Cerebral (AVC), transtornos alimentares, úlcera e gastrite.

2. Ocupe a mente com assuntos diversificados

As notícias nem sempre são animadoras. Queimadas, desemprego e mortes causadas pelo vírus estão entre os assuntos mais comentados na mídia, mas isso pode ser um fator ansiogênico, ou seja, que traz ansiedade. Estar informado é importante, mas não deixe de ocupar a mente com assuntos que tragam prazer, como uma leitura ou um filme do gênero de sua preferência.

Cuidado também com excesso de informação. Filtre os conteúdos de suas redes sociais, reflita se eles têm impactado no seu humor. Se sim, faça pequenas pausas e desconecte-se um pouco.

3. Mantenha a curiosidade pela vida

Programe-se todo ano para fazer algo inédito. Mesmo que seja simples, como uma nova receita, ler um livro, conhecer um novo local. O importante é realizar algo novo e se sentir desejante. 

Pequenos desafios pessoais ou programas em família podem ser uma forma de se colocar em movimento. Uma boa dica é começar um esporte e colocar a si próprio pequenas metas: isso auxiliará nas saúdes física e mental, além de trazer realização.

4. Administre e cuide bem do seu sono

É importante desenvolver a consciência de que o corpo precisa descansar e da quantidade de horas de sono são necessárias para repor as energias. Por isso, é importante estabelecer uma rotina de sono, na medida do possível, e cuidar da sua higiene. Não levar o celular para a cama é um exemplo simples de como cuidar do sono.

5. Cuide da alimentação

Uma dieta mais diversificada e rica em verduras, frutas, grãos integrais e carnes magras facilita a digestão e, por consequência, produz sensação de bem-estar. A ideia de que “você é o que você come” é bastante sábia. 

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Alimentos com mais qualidade tendem a dar mais energia e trazer qualidade de vida. Evitar frituras e processados, assim como beber bastante água são medidas simples que trarão um impacto positivo, inclusive para a saúde mental.

Como os profissionais dessa área costumam passar o dia em trajetos não planejados, vale a pena levar consigo frutas e outros alimentos que podem nutrir o corpo durante o dia.

6. Destine tempo às pessoas importantes para você

É importante priorizar a companhia de amigos e familiares com quem se tenha afinidade. “Ter momentos de lazer e de cuidado com pessoas cuja relação é importante para nós é uma ótima forma de renovar as energias”, destacou a especialista.

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Se o estresse estiver muito grande, vale a pena conversar sobre isso com as pessoas próximas. Quando os conflitos se tornam frequentes, há perda na qualidade das relações e é comum que familiares e amigos percebam alterações de humor, negativismo, desânimo ou dificuldade de concentração. “Em vez de evitar o convívio, é oportuno ter uma conversa franca e falar sobre as dificuldades enfrentadas”, orientou a psicóloga.

7. Seja generoso e auxilie as pessoas à sua volta

Mesmo que isso seja difícil em situações em que se trabalha sozinho ou em uma cultura que não se promove esse o espírito de cooperação, ser colaborativo é o melhor caminho. 

Umas das coisas que podem auxiliar é começar a enxergar o que é realmente essencial em sua vida. “Pandemia não combina com excessos. Faz-se necessário sermos mais criteriosos com nosso estilo de vida e abrir espaço para relações pautadas em cooperação”, orientou Santos.

8. Use bem seu tempo livre

Aproveite para fazer as atividades que são prazerosas. Saiba direcionar seu tempo livre para aquilo que traz bem-estar e realização. Se houver pouco tempo disponível, pense em uma maneira de torná-lo produtivo ou com qualidade. 

Não usar o celular durante certo momento do dia ou aproveitar para ouvir um curso que você deseja enquanto faz tarefas mecânicas são maneiras de abrir espaço na agenda para o que é mais agradável.

9. “Viva um dia por vez”

Lidar com o medo não é uma tarefa fácil diante de um cenário de tantas incertezas, que favorecem a ansiedade. Talvez o melhor caminho seja “viver um dia por vez”. 

Não assumir para si os problemas causados por fatores externos contribui para manter a serenidade. Planejamento é importante, mas não se deve antecipar o sofrimento por aquilo que está no futuro. A cada dia, uma batalha.

10. Busque ajuda psicológica

Se precisar de apoio por se sentir angustiado, triste, exausto e estressado, considere um psicólogo ou psiquiatra. Existem bons profissionais que poderão acolher sua dor.

Segundo a especialista, transtornos mentais ainda são vistas como um tabu, mas não deveriam. A longo prazo, quadros simples não observados com atenção podem se desenvolver e gerar depressão, síndrome do pânico, transtorno de ansiedade generalizada, bournout e até suicídio. 

Por isso, vale a pena cuidar da saúde psicológica antes que os problemas se somem e a qualidade de vida fique comprometida. Existe apoio especializado para cada um desses quadros.

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