3 razões para não termos carros voadores — ainda

22 de janeiro de 2020 4 mins. de leitura
A vontade de voar é inerente ao ser humano, então, assim que os carros chegaram ao mercado e começaram a circular, era natural querer que eles voassem

De acordo com o jornal The Guardian, os primeiros projetos para rodovias interestaduais dos Estados Unidos tinham pistas adjacentes prontas para carros voadores. Infelizmente, o sonho foi amenizado com o tempo e ofuscado por argumentos como o de que veículos multiuso são inúteis ou que o design perfeito para uma aeronave não é perfeito para um carro e vice-versa.

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Tentar combinar os dois é o que o consultor de design do Reino Unido Peter Stevens chama de “um compromisso inerente e debilitante” — uma lição aprendida da maneira mais difícil. Difícil, mas não impossível.

A Uber já está trabalhando em negociações para a infraestrutura de tecnologia e segurança em sua pesquisa no Elevate: uma frota de táxis aéreos elétricos autônomos que devem ser lançados até 2023 em Dubai. O projeto promete vertiports, basicamente pequenas estruturas semelhantes aos aeroportos, mas localizadas nos centros das cidades e administradas por um aprimorado controlador de tráfego aéreo.

(Fonte: Uber Elevate/Divulgação)

Quais desafios o futuro guarda para esse tipo de empreendimento?

1. Voos automatizados por inteligência artificial

Os táxis aéreos do futuro terão de executar a maior parte do trabalho de pilotagem usando sistemas autônomos ou pelo menos altamente automatizados. A Uber afirmou que espera que seu serviço se inicie com pilotos humanos; no entanto, segundo a BBC, está prevista extrema escassez de pilotos no setor de aviação nas próximas décadas, e essa não seria uma ideia sustentável no longo prazo. Por outro lado, os sistemas de voo automático já estão em andamento, mas não estão perto de estarem prontos para serem adotados.

Um passo provisório, então, seria simplificar. A Nasa está trabalhando na viabilidade de um projeto chamado Simplified Vehicle Operation, no qual a maioria dos sistemas que gerenciam o voo ou os processos de navegação e comunicação são controlados pelo computador. Dessa forma, o piloto basicamente direciona e dá comandos.

Esse tipo de navegação já está ao alcance e funciona com a maioria dos drones. Mas chegar a uma versão com certificação de segurança e transporte de passageiros operada por pilotos treinados no espaço aéreo comercial ainda será um longo caminho para a Uber.

(Fonte: Uber/Divulgação)

2. Combustível

Embora muitas aeronaves pequenas possam, em teoria, formar uma frota de táxis aéreos, a Uber e seus parceiros pensam que a energia elétrica é o caminho que deve ser seguido: a propulsão elétrica é mais simples, confiável e controlável do que os motores a combustão. A parceria recentemente anunciada da Uber com a startup de aeronaves elétricas Karem, que está desenvolvendo rotores de rotação variável que podem modular com maior eficiência o uso de energia, é uma das possíveis soluções para o futuro.

Segundo o Wired, especialistas no setor aeroespacial e de tecnologia defendem que voos de curta distância são possíveis mesmo com a tecnologia atual de baterias. O truque seria obter a capacidade de carregamento de alta velocidade necessária para voos e superar as deficiências de fonte de alimentação em ambientes urbanos.

3. Barulho

Os táxis aéreos estarão operando em ambientes urbanos que já são fortemente regulamentados no que diz respeito ao ruído de helicópteros e de aviões nos arredores das cidades. Se os vertiports que a Uber planeja implementar tiverem centenas de decolagens e pousos a cada hora, a aeronave terá que ser excepcionalmente silenciosa.

Para pequenos dispositivos de elevação vertical, o desafio não estará apenas na redução de decibéis mas também na assinatura acústica — ou seja, como o ruído se mistura (ou não) com o fundo da cidade.

A Uber está pesquisando isso e argumenta que uma diminuição de 15 decibéis reduzirá o ruído das aeronaves a níveis aceitáveis tanto em termos de volume total quanto de sua detecção geral em ambientes urbanos.

O futuro dirá se conseguiremos

A Uber está sendo ousada ao dar um deadline tão curto para esse projeto, além de questões econômicas e regulamentares e aprimoramentos necessários para integrar os táxis aéreos no espaço comercial. Mas, com os avanços da tecnologia, podemos sonhar com um futuro no qual teremos carros voadores.

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Fontes: Wired, The Guardian, Uber Elevate.

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