Aplicativo de transporte: conheça a história dessa tecnologia

23 de outubro de 2021 4 mins. de leitura
Com o desenvolvimento da tecnologia e as demandas cada vez maiores em soluções no transporte urbano, era questão de tempo até que surgisse um aplicativo de transporte

Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que em 2018 o número de usuários de transporte coletivo nas grandes cidades do Brasil era 60% do que foi na década de 1990. Isso mostra uma migração dos usuários para o transporte individual e, muito provavelmente, para algum aplicativo de transporte. Entre 2008 e 2018, a frota motorizada de carros cresceu 77%.

Essa tendência foi fomentada pela pandemia de covid-19, em São Paulo. Durante as fases de bandeira vermelha, chegou a haver queda de 62% no uso do transporte coletivo.

Muitos desses usuários descontentes com a lotação, o preço e os atrasos do transporte público migraram para o uso de algum tipo de aplicativo de transporte. André Miceli, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), estima que cerca de 20 milhões de brasileiros utilizam algum aplicativo de transporte

Estima-se que mais de 20 milhões de brasileiros usem algum tipo de aplicativo de transporte. (Fonte: Charles Deluvio/Unsplash/Reprodução)
Estima-se que mais de 20 milhões de brasileiros usem algum tipo de aplicativo de transporte. (Fonte: Charles Deluvio/Unsplash/Reprodução)

Curiosamente, os três principais aplicativos tiveram inícios similares, relacionados à dificuldade de seus inventores de conseguir um táxi em determinadas regiões e os altos preços cobrados. Conheça a história de cada aplicativo de transporte.

Como surgiram os aplicativos de transporte?

99

Maior representante brasileira do setor e grande concorrente da Uber no País, a 99 foi criada na cidade de São Paulo, em 2012, por Ariel Lambrecht, Renato Freitas e Paulo Veras. A ideia surgiu depois que um dos fundadores viajou para a Alemanha e teve contato com os primeiros aplicativos para solicitação de táxis. De volta ao Brasil, começaram a desenvolver o aplicativo, que inicialmente só conectaria motoristas de táxis aos passageiros.

Maior representante brasileiro dos apps de transporte, a 99 nasceu conectando taxistas a passageiros. (Fonte: Tim Samuel/Pexels/Reprodução)
Maior representante brasileiro dos apps de transporte, a 99 nasceu conectando taxistas a passageiros. (Fonte: Tim Samuel/Pexels/Reprodução)

Em seguida, o aplicativo foi ampliado para motoristas particulares e assim surgiu a 99Pop. Atualmente, a empresa conecta mais de 14 milhões de passageiros a uma base de mais de 300 mil motoristas. A 99 foi a primeira startup brasileira a ser avaliada em mais de US$ 1 bilhão e foi vendida ao grupo chinês Didi.

Cabify

A Cabify nasceu de uma demanda semelhante. Juan de Antonio, o empresário espanhol que fundou o serviço, notou uma dificuldade em encontrar táxis quando viajava para a América Latina e para a Ásia. 

Também notou os altos preços e sempre tentava negociar o valor antes de começar a corrida. O serviço também se pautou inicialmente em carros de alto padrão, até se popularizar com a versão CabifyLite. Apesar de fazer bastante sucesso na América Latina, o serviço saiu do Brasil em junho de 2021.

Uber

O Uber, primeiro aplicativo de transporte individual, surgiu quando seus inventores, os empresários Garrett Camp e Travis Kalanick, notaram a dificuldade de conseguir um táxi em Paris em meio a um evento do qual participavam. Eles discutiram a ideia de poder pedir uma limusine pelo celular.

A ideia foi ganhando corpo quando eles voltaram aos Estados Unidos, e o serviço foi fundado em 2009. No início, a ideia era ser um serviço de luxo, com carros de alto padrão e preços elevados. Logo, a empresa percebeu que, para lucrar mais, deveria popularizar o serviço, e então nasceu o UberX, com carros mais populares e mais motoristas.

Limites dos aplicativos

Apesar de cômodos e práticos, os apps de transporte ainda recebem muitas críticas no setor de mobilidade urbana. As principais são questões referentes ao aumento das frotas e, consequentemente, o aumento do trânsito e das emissões de gases causadores de efeito estufa. 

Apesar de haver serviços de aplicativos de carona em grupo e de bicicletas ou patinetes elétricos, eles são muito menos populares do que os dos carros.

Fonte: UseMobile, EM, Anpet, MachineGlobal, Icarros, OverBr, Codificar, Ipea, Agência Brasil.

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