Campanha “arrecada” viagens de bike para quem não pode pagar

11 de março de 2021 3 mins. de leitura
Proposta é tornar a ciclomobilidade um meio de democratizar a cidade durante a pandemia

A covid-19, provocada pelo vírus Sars-CoV-2, pode causar sintomas sérios a quem se infecta, como tosse, conjuntivite, dor de cabeça e dificuldade para respirar. Além disso, a doença causa problemas coletivos, até mesmo em não infectados — a recessão econômica causada pela pandemia é a mais séria desde a Crise de 1929. 

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O desemprego é uma das faces mais dramáticas da crise sanitária gerada pelo coronavírus. A falta de atividade e renda já atinge mais de 14 milhões de brasileiros — aproximadamente 18% da população economicamente ativa. Nesse cenário, a solidariedade tem sido importante. Pensando nisso, a Tembici criou uma campanha em que os usuários podem doar uma viagem de bicicleta a pessoas em vulnerabilidade social e, com isso, a empresa duplica o valor para o beneficiado. Conheça mais sobre a proposta.

Beneficiados receberão um vale-deslocamento

Valor depositado será creditado por meio do app. (Fonte: Lidia Silva/Shutterstock)
Valor depositado será creditado por meio do app. (Fonte: Lidia Silva/Shutterstock)

A ideia é simples: quem usa o app Bike Itaú pode doar uma viagem para pernambucanos em situação de vulnerabilidade socioeconômica. A cada real recebido, a Tembici, que opera as bicicletas, depositará a mesma quantia, dobrando o valor arrecadado.

Outra novidade interessante é que, além do voucher para usar a bike, os beneficiados receberão materiais com orientações sobre o melhor uso do veículo e formas mais seguras de acessar a cidade por meio do ciclismo. 

A distribuição desses valores será feita por indicação da Central Única das Favelas de Pernambuco, que creditará o valor via app. Ao todo, a entidade atende quase 15 mil pessoas no estado. 

A bike pode ser a ponte para um cenário melhor

Do lazer ao acesso à alternativas de renda, a bicicleta transforma o direito à cidade. (Fonte: Juliana F Rodrigues/Shutterstock)
Do lazer ao acesso à alternativas de renda, a bicicleta transforma o direito à cidade. (Fonte: Juliana F Rodrigues/Shutterstock)

A bicicleta já era uma ótima pedida antes da pandemia. O uso dela é indicado para a saúde, o bolso e o meio ambiente. Nessa lista de benefícios, pode-se adicionar agora a segurança contra a covid-19, afinal, a Organização Mundial da Saúde reconhece esse meio de transporte como um dos mais seguros.

Além disso, o deslocamento oferecido pela campanha pode significar a diferença entre ter ou não acesso a uma entrevista de emprego, por exemplo. Ou, ainda, a conseguir acessar serviços de saúde — algo especialmente válido no período da pandemia. 

A proposta coloca em questão o direito à cidade. Isso é relevante porque, embora as capitais brasileiras costumem ofertar uma série de serviços, muitos deles gratuitos, a mobilidade urbana tem um custo. 

A iniciativa aponta também para a pertinência de popularizar a bicicleta, como outros projetos no Brasil e no mundo já sinalizam. Também no Nordeste, no próprio Recife e em Salvador, há ideias de recolher bicicletas sem uso, revitalizá-las e distribuí-las para pessoas carentes, sobretudo mulheres. 

Na Itália e na França, o poder público tem dado incentivos fiscais e até mesmo pagado parte do veículo — algo pertinente ao se considerar que um carro ou uma moto oferecem custos ao Estado em rodovias e na saúde pública, seja em acidentes, seja em relação aos efeitos do sedentarismo.

Fonte: Mobilize, Tembici.

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