Em meio à pandemia, Waze demite funcionários e fecha escritórios

31 de outubro de 2020 4 mins. de leitura
Queda nas receitas de publicidade provocou demissão de 5% do total da força de trabalho da Waze no mundo

A Waze vai demitir 5% de sua força de trabalho global, de acordo com um comunicado do CEO em um e-mail aos funcionários. A empresa também anunciou o fim de vários escritórios na Ásia e na América Latina, argumentando que busca redirecionar seus negócios para menos mercados.

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Em torno de 30 pessoas, de um total de 555, deverão ser desligadas; a maioria trabalha nas divisões de vendas, marketing e parcerias. A redução no quadro de funcionários não deverá ser permanente, já que nos próximos meses a Waze planeja contratar um número proporcional de profissionais, mas nas áreas de tecnologia e engenharia.

A Waze não é a única empresa de tecnologia de transporte a passar por demissões durante a pandemia de coronavírus. Uber, Lyft, Yelp, Mozilla, Kickstarter, Lime, Sonos, Glitch e dezenas de outras demitiram funcionários no decorrer da crise sanitária.

Razão das demissões

No início da pandemia, quilômetros rodados por usuários do aplicativo sofreram redução de 60% em comparação a fevereiro. (Fonte: Shutterstock)
No início da pandemia, quilômetros rodados por usuários do aplicativo sofreram redução de 60% em comparação a fevereiro. (Fonte: Shutterstock)

A Waze afirma que as demissões foram causadas pela pandemia do coronavírus, que esvaziou estradas em todo o mundo e deixou muitas cidades fechadas. Como trabalhar em casa se tornou a nova norma, menos pessoas estão usando o aplicativo para suas necessidades diárias de navegação. Menos olhos no aplicativo significam menos receitas de publicidade para a empresa.

O app teve queda tanto no número de usuários ativos mensais quanto nos quilômetros rodados, métrica pela qual a empresa mede o quanto os clientes dirigem enquanto usam o Waze. Durante a pandemia, o serviço sofreu redução global de até 70% dos trajetos realizados pelos usuários em comparação a fevereiro.

Serviço de carona

Empresa reduziu o número de funcionários do setor de compartilhamento de caronas. (Fonte: Shutterstock)
Empresa reduziu o número de funcionários do setor de compartilhamento de caronas. (Fonte: Shutterstock)

O Waze Carpool, serviço de compartilhamento de carona que já existe há dois anos, também está sofrendo. Com mais gente trabalhando em casa, menos pessoas estão usando a solução para compartilhar viagens com colegas ou vizinhos que atuam em um trajeto semelhante. Como resultado, a empresa está reduzindo o número de pessoas na opção de carona independente.

Benefícios aos demitidos

A Waze diz que está comprometida em fornecer aos trabalhadores dispensados uma compensação, incluindo indenizações, bônus e seguro saúde até o início de 2021. Anunciou que oferecerá serviços de recolocação a todos os funcionários afetados até seis meses após da data de desligamento. E se compromete, inclusive, a ajudar os futuros ex-colaboradores a buscarem oportunidades na Google.

Mudança de estratégia

Desde junho, a empresa começou a perceber uma recuperação na utilização do aplicativo com a volta ao trabalho nos países em que restrições a atividades presenciais foram suspensas. A Waze diz que o uso da plataforma voltou aos níveis anteriores aos da crise sanitária, mas que os anúncios publicitários ainda não acompanharam esse movimento.

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Para se manter rentável, a empresa vai repensar as prioridades. “Decidimos concentrar nossos recursos em melhorias de produto para nossos usuários, acelerar os investimentos em infraestrutura técnica e redirecionar os esforços de vendas e marketing para um pequeno número de países de alto valor”, afirmou o executivo Noam Bardin em e-mail enviado aos funcionários.

A empresa também está fechando escritórios na Malásia, em Cingapura, na Colômbia, no Chile e na Argentina, para dar mais foco a locais onde os negócios estão crescendo. Os endereços nos sete países que concentram 95% das receitas continuarão funcionando: Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, França, Canadá, Itália e México.

Fonte: The Verge

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