Empresa inova na forma de estacionar patinetes compartilhados

22 de janeiro de 2020 4 mins. de leitura
Skip Skooters lança sistema de trava para conter problemas de trânsito em San Francisco, na Califórnia

A cidade de San Francisco, no norte da Califórnia (EUA), notabilizou-se por suas ladeiras, pela icônica ponte Golden Gate, por seus bondinhos, e, mais recentemente, por seus patinetes elétricos compartilhados.

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Considerada o berço desses veículos, a cidade realizou uma grande licitação pública em março de 2019 e autorizou quatro empresas (Skip, Bird, Spin e Lime) a iniciarem os serviços de aluguel dos patinetes elétricos.

Não demorou, porém, para que problemas associados a esse tipo de serviço começassem a se espalhar pelas ruas, como equipamentos defeituosos bloqueando o trânsito de pedestres e patinetes tombados nos passeios.

Uma aposta na mobilidade

(Fonte: Shutterstock)

Naturalmente, muitas cidades, dentro e fora dos Estados Unidos, têm passado por problemas análogos. Em meio a isso, a Agência Municipal de Transportes de San Francisco tem adotado uma posição cautelosa e conservadora em relação às empresas concessionárias, exercendo rigorosa fiscalização de padrões de segurança, estrutura de preços, segurança dos pilotos, pontos de recarga e manutenção, contratações e mão de obra e envolvimento com as comunidades.

Visando “capacitar as cidades a oferecer facilmente mobilidade compartilhada em estações de travamento (sistema dockless) sem comprometer a segurança da calçada e do meio-fio”, a Skip criou a “tecnologia de travamento retrátil Skip”: um fio de aço retrátil de pouco mais de 70 centímetros, coberto por uma capa vinílica com uma trava na ponta. Para que a ferramenta funcione, basta puxar o fio para fora da caixa azul que envolve a haste do patinete, prendê-lo ao redor de um rack de bicicleta e clicar na lateral do veículo.

Fechada a tranca, o sistema impede que os patinetes tombem na rua e bloqueiem a passagem de pedestres, cadeirantes e carrinhos de bebê. A trava acaba tendo também um impacto positivo na avaliação dos órgãos públicos em relação ao destino da crescente (e milionária) indústria de patinetes elétricos compartilhados.

Novos tempos para os patinetes?

A novidade da Skip pode ser considerada um ponto de inflexão da relação entre pilotos de patinetes e pedestres. A instalação das travas está servindo para a promoção de uma série de inovações nos dispositivos, que, segundo a empresa, terão suspensão dupla, guidões ajustáveis, além de lanternas dianteiras, traseiras e de freio. Os pilotos não precisarão mais ficar dando voltas no quarteirão para achar uma estação de travamento; calçadas, rampas, passarelas e faixas de pedestres serão mantidas totalmente livres de obstruções.

Segundo a postagem, patinetes caídos no meio da calçada representam “uma relíquia do passado”. Com isso, os ciclistas, que constituem uma enorme comunidade em San Francisco, também poderão ser beneficiados com a construção de mais bicicletários e ciclovias.

Patinetes no Brasil

(Fonte: Shutterstock)

Embora o serviço de compartilhamento de patinetes elétricos seja uma realidade no Brasil desde 13 de maio de 2019, apenas três cidades das 13 que oferecem o serviço já o regulamentaram, como determina a Resolução Contran n. 465/2013. O resultado disso é que, em inúmeras localidades, tem ocorrido um aumento desordenado de patinetes nas ruas, falta de regulamentação e de fiscalização, constantes conflitos com as concessionárias do serviço de compartilhamento, além de acidentes e desentendimentos entre pedestres e usuários.

Definidos pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) como “equipamentos de mobilidade autopropelidos”, os patinetes elétricos se equiparam, segundo a autoridade de trânsito, “aos ciclomotores e os equipamentos obrigatórios para condução nas vias públicas abertas à circulação”. É, portanto, responsabilidade de cada município e de seus órgãos de trânsito a regulamentação da circulação dos patinetes elétricos, inclusive os compartilhados.

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Fontes: Wired, San Francisco Examiner, Portal do Trânsito.

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