Startup ganha fama com serviço de reboque de patinetes elétricos

30 de setembro de 2019 4 mins. de leitura
Obstrução de patinetes dockless em vias de trânsito levou uma dupla de empresários da Califórnia a criar o serviço gratuito de recolhimento dos equipamentos

Os patinetes elétricos dockless estão cada vez mais populares em todo o mundo por serem mais uma alternativa de transporte simplificada e moderna de empresas como Lime, Bird, Lyft e Uber.

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Uma das vantagens desse modelo de serviço é seus usuários poderem deixar os veículos em “qualquer lugar” após o passeio.

Contudo, justamente essa comodidade tem sido motivo de insatisfação de donos de comércios e moradores de algumas localidades em que as scooters estão disponíveis. Isso porque os dispositivos passaram a bloquear calçadas, entradas de estabelecimentos e outras vias de acesso.

A solução para o problema foi encontrada pela dupla de empresários Dan Borelli e John Heinkel, de San Diego (Califórnia). Eles criaram um serviço chamado ScootScoop, que funciona como uma espécie de reboque de patinetes elétricas: os equipamentos são recolhidos e armazenados em um pátio próprio mantido com sistema de segurança.

Para recuperá-los, as empresas proprietárias precisam pagar uma taxa e uma multa diária, caso os meios de transporte permaneçam no estacionamento da startup.

(Fonte: Unsplash)

Demanda crescente

A startup de Borelli e Heinkel tem se expandido a partir da indicação de moradores e donos de estabelecimentos. Com isso, o serviço, que funciona todos os dias da semana, registrou em agosto o recolhimento de mais de 12,5 mil patinetes em San Diego desde quando foi implementado, em janeiro de 2019.

A solicitação do reboque é feita de modo gratuito via app, e a empresa se mantém com a taxa de US$ 30 e multa diária de US$ 2 emitidas para as empresas que comandam os aluguéis das scooters. Ainda assim, o negócio não é rentável, pois muitas proprietárias se recusam a pagar para ter seus veículos de volta.

Ao jornal The San Diego Union Tribune, a dupla relatou no início do ano que o ScootScoop apresentava uma demanda crescente, em especial porque muitos usuários das soluções da Lime, Bird, Lyft e Uber não se preocupavam com o local em que deixavam os veículos.

Segundo os empresários, eles já retiraram patinetes de locais inadequados, como telhados de residências, latas de lixos e sob carros estacionados.

(Fonte: Unsplash)

Polêmica e processos

Apesar de bem recebido pelos moradores de San Diego, o ScootScoop não é unanimidade entre as proprietárias de patinetes dockless. Exemplo disso é a Lime e a Bird terem processado o serviço de reboque, acusando-o de “roubar” seus veículos.

Borelli e Heinkel declaram que o estado da Califórnia assegura a eles o direito de recolher os equipamentos quando estacionados em espaços particulares.

No início do ano, dirigentes do município de San Diego também criaram regulamentações sobre o local em que as patinetes elétricas deveriam ficar após o uso. Foi determinado que, pelo menos no centro da cidade, elas devem ser deixadas em estacionamentos específicos para não obstruírem as vias.

Mesmo assim, segundo o site The Verge, a Bird chegou a quitar US$ 40 mil de taxa para recuperar suas scooters, mas passou a interpretar que a ação da ScootScoop é ilegal e por isso deixou de pagar as faturas seguintes.

A Lime, por sua vez, tentou um acordo com o serviço de recolhimento, mas nunca chegou a fechá-lo e também permanece sem pagar as faturas do serviço de reboque.

Borelli e John Heinkel afirmaram ao The Verge que não são contra o serviço de aluguel de patinetes; pelo contrário, declararam a intenção de trabalhar em conjunto com as empresas.

Mas, por enquanto, os rumos das duas soluções continuam na justiça, e até que o processo tenha um veredito a dupla pretende leiloar algumas patinetes que não forem pagas para devolução

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Fontes: The Brief, The Verge.

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