4 estruturas de mobilidade urbana eficazes para o Brasil

17 de março de 2020 4 mins. de leitura
Soluções como BRT, transporte sobre trilhos, mobilidade hidroviária e ciclovias podem ser exploradas para o fomento de uma locomoção efetiva e sustentável nas cidades brasileiras

O alto custo dos deslocamentos urbanos tem um impacto considerável na economia das cidades e no bolso dos moradores. Planejamentos ineficazes de mobilidade podem não apenas causar perdas no que tange a dinheiro mas também no que diz respeito a tempo e produtividade. Para solucionar esse gargalo comum em cidades grandes, médias e até pequenas, inúmeros projetos vêm sendo implantados no Brasil.

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Alguns já colhem os primeiros resultados positivos; outros estão em fase de implantação e prometem revolucionar as condições de locomoção em vários municípios em um futuro não muito distante.

Faixa exclusiva para transporte público

(Fonte: Shutterstock)‌‌

Curitiba (PR) foi a primeira cidade a ter uma faixa exclusiva para a circulação de ônibus. O sistema de ônibus de trânsito rápido (BRT), que começou a ser implantado em 1974, foi considerado um dos 50 projetos mais influentes no mundo, ao lado da internet e da Estação Espacial Internacional, em ranking realizado pelo Project Management Institute em 2019.

Hoje, o sistema evoluiu para uma rede integrada com 83 quilômetros de corredores de ônibus que conectam 13 municípios da região metropolitana da capital paranaense. Uma frota de mais 1,2 mil veículos transporta quase 400 milhões de passageiros por ano. O seu custo de implantação é relativamente baixo e o valor operacional é menor do que o de um ônibus comum, além de ter maior velocidade e regularidade.

O sistema BRT está presente em nove capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e Porto Alegre, e está sendo implantado em Salvador.

Transporte sobre trilhos

(Fonte: Shutterstock)

Dados do Balanço do Setor Metroferroviário 2018/2019, da Associação Nacional dos Transportes de Passageiros sobre Trilhos (ANTP), apontam que o volume de passageiros bateu recorde em 2018, com 3,7 bilhões de pessoas atendidas. A utilização de linhas de metrô, de trem e veículo leve sobre trilhos (VLT) está presente em 13 regiões metropolitanas.

O custo alto e o tempo de implantação demorado é compensado pela mobilidade mais rápida em relação a outros modais e com a vantagem de ser mais sustentável. Em 1 ano, a ANTP estima que 2,4 milhões de toneladas de poluentes deixam de ser lançados no ar com o uso do transporte sobre trilhos.

Mobilidade hidroviária

(Fonte: Shutterstock)

Com muitas cidades localizadas no vasto litoral e uma das maiores e mais extensas redes fluviais do mundo, o Brasil pouco aproveita a possibilidade de locomoção sobre as águas. O transporte hidroviário é o mais econômico entre todos os modais motorizados, menos poluente e de maior vida útil, segundo estudo realizado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).

O Rio de Janeiro é responsável por 56,6% dos passageiros transportados em hidrovia no Brasil. A cidade chegou a transportar 60 milhões de passageiros em 1973, mas apenas 17 milhões em 2019 — a queda é atribuída à falta de investimentos e de manutenção nas embarcações.

Porto Alegre, Santos, Vitória, Salvador e Aracaju também contam com mobilidade hidroviária. Outras cidades, como Recife e São Paulo, têm um forte potencial hidrográfico e projetos que tentam viabilizar a utilização das águas como meio de locomoção. Trata-se de uma área com muito potencial a ser explorado.

Ciclovias

(Fonte: Shutterstock)

O uso de bicicletas para o transporte urbano traz benefícios econômicos e de saúde para os passageiros, além de ser uma opção de mobilidade sustentável. O relatório “A Economia da Bicicleta no Brasil”, elaborado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, estimou que o uso de bicicleta poderia evitar uma taxa de emissão total de quase 2 milhões toneladas de CO2 por automóveis particulares e mais de 17 milhões para ônibus da frota de diesel ao ano.

É por isso que, aos poucos, as ciclovias vêm ganhando atenção dos governos. Segundo o estudo, o poder público investiu em torno de R$ 1,2 bilhão para a implantação de 3 mil quilômetros de rotas para bicicletas nas 27 capitais. Além disso, 13 capitais têm sistema público de bicicletas compartilhadas, com um total de 906 estações e quase 8 mil bikes disponíveis.

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