Acidentes de moto disparam durante a pandemia

25 de outubro de 2021 4 mins. de leitura
Desde o início da pandemia, mais de 167 mil internações em decorrência de acidentes de moto foram registrados pelo SUS

Um estudo recente realizado pela Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) revelou que os acidentes de moto cresceram expressivamente durante a pandemia. Em comparação, foram analisados números de internações de motociclistas envolvidos em acidentes de trânsito entre 2012 e 2021. 

De março de 2020 até julho deste ano, último mês averiguado pelo estudo, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou mais de 167 mil internações de motociclistas em todo o País. Para os cofres públicos, isso significou um impacto de R$ 279 milhões. 

Em todos os anos analisados pelo estudo, as mulheres sempre apareceram como as menos recorrentes nos acidentes. (Unsplash/Reprodução)
Em todos os anos analisados pelo estudo, as mulheres sempre apareceram como as menos recorrentes nos acidentes. (Unsplash/Reprodução)

Os estados que mais apresentaram esses incidentes se concentram nas regiões Nordeste e Sudeste, com destaque para a Bahia e São Paulo. Nestes, os números de internações ficaram acima da média nacional.

Além disso, o estudo mostrou que 80% dos acidentes de moto têm homens na condução do veículo. A faixa etária mais atingida está entre motociclistas de 20 a 29 anos, sendo responsáveis por mais de 35% dos registros. Em seguida, estão as pessoas entre 30 e 39 anos, correspondendo a 24% dos internamentos. 

Aumento da velocidade

Segundo especialistas, o aumento da velocidade dos automóveis durante a pandemia pode estar relacionado com o número de acidentes de moto. Como o isolamento social retirou parte da população das ruas, diversos condutores começaram a aumentar a velocidade dos seus veículos e a desrespeitar regras de trânsito. 

Dados do World Resources Institute (WRI) revelam que o mesmo ocorreu em diferentes cidades do mundo. Porto Alegre, Goiânia, Toronto e Nova York viram seus números de multas por excesso de velocidade crescerem consideravelmente desde o início do ano passado.

O boom dos serviços de delivery na pandemia também pode ajudar a explicar esse contexto. Mais trabalhadores na rua, com entregas a serem feitas rapidamente, em meio a espaços propícios para o aumento da velocidade, são um “prato cheio” para acidentes. 

Medidas de intervenção são necessárias para redução de acidentes de moto

Desde 2017, a OMS recomenda aos governos do mundo todo reduzirem a velocidade máxima das vias urbanas para 50 km/h como forma de controlar o alto índice de mortes no trânsito. (Fonte: Prefeitura de Patrocínio/Marcelo Sants/Reprodução)
Desde 2017, a OMS recomenda aos governos do mundo todo reduzirem a velocidade máxima das vias urbanas para 50 km/h como forma de controlar o alto índice de mortes no trânsito. (Fonte: Prefeitura de Patrocínio/Marcelo Sants/Reprodução)

Para reduzir o número dos acidentes de trânsito, é necessário que os governos locais apliquem algumas medidas vistas por especialistas como primordiais. Em 2017, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já tinha sugerido aos líderes mundiais que adotassem limites de velocidades em vias urbanas e áreas escolares. Um ano depois, mais de 90 países tinham acatado a recomendação. 

No Brasil, algumas cidades também têm-se movimentado para aumentar a segurança de suas ruas. Desde 2020, Curitiba vem instalando radares e placas nas principais vias do município. 

A mudança do desenho das cidades, com ruas inteligentes que buscam diminuir as possibilidades de acidentes entre veículos, e a implantação de ciclovias em toda sua extensão são outros pontos a serem considerados. 

Com infraestrutura adequada e promoção no uso de meios de transportes alternativos, como bicicletas e patinetes, o número de acidentes tende a baixar, visto que muitos cidadãos podem passar a realizar atividades do dia a dia a partir desses veículos. Esses são apenas alguns dos caminhos em direção a cidades seguras e inteligentes. 

Fonte: Scribd, WRI.

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