Carro elétrico pode ser até 70% mais poluente do que o convencional

6 de janeiro de 2022 4 mins. de leitura
A equação dos benefícios de um carro elétrico precisa levar em conta o tipo de energia usado em sua recarga

A Volvo lançou um estudo com uma informação que renovou o debate sobre o quão verdes são os carros elétricos. Segundo a marca sueca, a pegada de carbono do ciclo de vida de um carro elétrico pode ser até 70% mais poluente do que o seu modelo na versão de motor a combustão interna. Isso acontece caso a energia utilizada para as recargas de bateria não seja limpa.

O modelo elétrico Volvo C40. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)
O modelo elétrico Volvo C40. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)

A Volvo analisou toda a cadeia de produção de dois veículos similares — o elétrico C40 e sua versão com motor de combustão interna, o XC40 — para chegar a essa conclusão. Os dois modelos são produzidos na mesma fábrica e compartilham muitas peças. Então, ficou nítido que os maiores problemas são a produção, a recarga e o descarte da bateria do veículo elétrico.

Questão de matriz energética

Quando é carregado com energia limpa, o veículo emite 32 toneladas de CO2 a menos do que sua versão de combustão, mas a situação muda quando não se utilizam energias renováveis para o carregamento do veículo. 

Quando o carro é recarregado com a matriz global energética (soma do conjunto de energia disponível, que, no caso da Europa, é composta de 60% de combustíveis fósseis), a pegada de carbono do veículo aumenta tanto que praticamente zera os seus benefícios ambientais.

Segundo o estudo da Volvo, os carros elétricos compensam as emissões a partir dos 109 mil quilômetros rodados, ou seja, a partir dessa marca, a economia de emissões do veículo se iguala ao que seria emitido por um carro convencional. 

A partir disso, ele pode se tornar até 15% mais eficiente do que um carro comum. Caso o veículo seja abastecido apenas com energia limpa, ele alcançará a emissão zero aos 48 mil quilômetros rodados, e o nível de sustentabilidade chega a 30%.

Se a matriz energética não for considerada, carros elétricos podem causar mais poluição. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)
Se a matriz energética não for considerada, carros elétricos podem causar mais poluição. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)

Isso mostra que a simples substituição de veículos de combustão pelos elétricos pode não ser tão eficaz. O porta-voz da Volvo afirmou a necessidade de os grandes produtores de energia trabalharem no sentido de mudar as fontes utilizadas para que o esforço das indústrias de veículos tenha sentido.

Outro problema para o setor é o que fazer com as baterias elétricas depois que elas “morrem”. Algumas indústrias e startups trabalham com a reciclagem de baterias, mas a escala ainda é pequena se comparada à produção.

Dados sobre os veículos elétricos

Um estudo publicado por Georg Bieker, do Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT), mostrou que um veículo elétrico de bateria média emite entre 60% e 68% menos carbono em sua vida útil.

Os veículos elétricos têm muita variação em relação ao seu desempenho quando comparados os diferentes tipos. Os veículos que usam células de combustíveis, como os movidos a hidrogênio, são entre 26% e 40% menos ofensivos do que os movidos a gasolina. Caso o método mude para algum que não utiliza gás natural, a diferença pode chegar a 80%. Os carros híbridos são os com menor desempenho em termos de não poluição, pois suas emissões são, em média, apenas 20% menores do que as dos veículos a gasolina.

Os dados demonstram que, para um real benefício ao meio ambiente, é necessário que os países repensem o modo de fornecer energia elétrica. Se todos os carros fossem substituídos pelos elétricos, mas as matrizes energéticas renováveis continuassem sendo pouco exploradas, podemos ter um efeito inverso na proteção contra a poluição.

Fonte: Inside Evs, Quatro Rodas, Epe, Mobilize.  

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