Como a falta de verde no meio urbano impacta a vida da população?

9 de abril de 2020 4 mins. de leitura
Efeitos nocivos à saúde e ao bem-estar podem ser evitados com ampliação das áreas verdes

A população do Brasil é majoritariamente urbana. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 84,72% dos brasileiros vivem nas cidades. Com o crescimento, muitas vezes desordenado, dos municípios, as áreas verdes vão dando lugar ao cinza do concreto e isso afeta a vida das pessoas de diversas maneiras.

Poluição do ar

poluição do ar no meio urbano
(Fonte: Pixabay)

Quando se pensa em grandes centros urbanos, uma das primeiras imagens que vem à mente é a dos congestionamentos de veículos. A mobilidade urbana tem um preço. A queima de combustíveis fósseis é uma das principais fontes de emissão de gases do efeito estufa, além disso, causam poluição do ar e sonora.

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que a poluição do ar está diretamente relacionada a 24% das mortes por doenças cardíacas, 25% das mortes por Acidente Vascular Cerebral (AVC), 29% das mortes por câncer pulmonar e 43% das mortes por obstrução de vias respiratórias. A estimativa da agência sanitária da ONU é de que 7 milhões de pessoas morram anualmente devido a causas diretamente relacionadas à poluição.

No Brasil, segundo o estudo Saúde Brasil 2018, produzido pelo Ministério da Saúde, as mortes causadas pela poluição do ar aumentaram 14% nos últimos 10 anos. O estudo verificou que houve aumento de mortes por câncer de pulmão, traqueia e brônquios, bem como por Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC).

Nesse caso, se as cidades contassem com maior cobertura vegetal, haveria menor impacto na saúde da população, já que as árvores são capazes de filtrar as partículas e os elementos tóxicos suspensos no ar. Além disso, com mais verde, aumenta-se a produção de oxigênio.

Ilhas de calor

calor no meio urbano
(Fonte: Freepik)

Se em algum momento você comparou o clima de uma grande cidade ao de uma área rural deve ter chegado à conclusão de que na cidade faz muito mais calor. Essa diferença de temperatura é causada pelo fenômeno “ilhas de calor”.

No livro Mudanças climáticas e ilhas de calor urbanas, pesquisadores da Universidade de Brasília dizem que o fenômeno é “uma condição microclimática em que a temperatura do ar está mais elevada, a umidade relativa do ar está mais baixa e existe alteração na velocidade dos ventos, regime de chuvas, entre outros.” Segundo a publicação, tal fenômeno é causado por “adensamento urbano, caracterizado por geometrias que barram os ventos e aumentam a taxa de absorção do calor; o aumento do albedo (dada a constante impermeabilização do solo); além da ação antrópica de remoção de vegetação e consequente redução da evapotranspiração trazem também uma diminuição significativa da umidade relativa do ar”.

Além dos desconforto e da má qualidade do ar causados pelas temperaturas elevadas, outros problemas vêm na esteira das ilhas de calor. Um deles afeta o bolso das pessoas e a sustentabilidade do planeta: o consumo de energia elétrica aumenta, pois há tentativa de manter ambientes internos mais frescos por causa do calor excessivo.

Aumento do número de enchentes

enchente na cidade
(Fonte: Pixabay)

As cenas assustadoras de rios tomando as ruas de diversas cidades brasileiras, entre elas Belo Horizonte e São Paulo, poderiam não ocorrer se mais áreas verdes estivessem dispostas entre o cinza das ruas e prédios.

O que se percebe nesses casos é que só a infraestrutura construída não é suficiente para dar conta dos efeitos cada vez mais extremos do clima. É preciso investir em infraestrutura natural para devolver um pouco do verde às cidades e deixar o solo mais preparado para o volume de chuvas.

Segundo um estudo do WRI, instituição de pesquisa que atua em mais de 50 países, florestas podem ajudar a absorver e desacelerar o escoamento da água de tempestades, mitigando as enchentes. Ainda de acordo com o instituto, telhados verdes, pavimentos permeáveis e áreas de biorretenção (espécie de jardim que coleta água da chuva) podem diminuir entre 75% e 90% a água que escorre pelas ruas.

Dados apontados pelo WRI Brasil mostram que de 1995 a 2017 o país gastou R$ 180 bilhões em recuperação aos danos de enchentes. Nesse sentido, trazer mais verde para o meio urbano, além de proporcionar saúde e qualidade de vida para os brasileiros, pode ser uma fonte de economia.

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