Como a tecnologia otimiza a gestão de cidades inteligentes?

25 de novembro de 2020 5 mins. de leitura
Arquiteto André Leirner revela tendências para o urbanismo de cidades inteligentes e o lugar do Brasil nesse processo

No último mês foi realizado o Estadão Summit Imobiliário Brasil 2020, evento que reuniu os maiores especialistas da área do País e está disponível na plataforma Media Lab Estadão Play.

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Um dos principais destaques foi a entrevista feita pela jornalista Mariana Barros com André Leirner durante o painel Cidades Inteligentes: o que devem mudar. Leirner é CEO e fundador da Priorize, empresa de tecnologia que apresenta o trabalho de elenco de prioridades e formação de consensos no urbanismo.

André Leirner foi um dos entrevistados do Estadão Summit Imobiliário Brasil 2020, disponível no Media Lab Estadão. (Fonte: Priorize.net/Reprodução)

Graduado pela Universidade de São Paulo (USP), Leirner é mestre em projeto pela Architectural Association de Londres (Inglaterra) e em Administração Pública e Governo pela Fundação Getulio Vargas.

 Acompanhe os principais temas da entrevista, que pode ser acessada neste link.

Cidades inteligentes

Mais do que uma tendência, as cidades inteligentes são uma realidade. Trata-se de um conceito em evolução, uma vez que esse campo sofre saltos a cada onda ou geração tecnológica. “A pandemia acelerou a adoção das tendências próprias das cidades inteligentes. O papel das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) se tornou fundamental para fazer negócios e superar dificuldades de encontro e deslocamento”, lembra Leirner.

Para o arquiteto, o significado atual de cidade inteligente está bastante ligado a infraestrutura de informação e comunicação distribuída nas cidades. O 5G e a Internet das Coisas (IoT) já começam a se destacar em diversos meios, razão por que se acredita que haverá possibilidade de direcionar as demandas da população por meio da análise de dados.

Isso é importante porque as cidades podem se tornar cada vez mais capazes de estruturar sua organização social por meio de demandas práticas. Quando há dados para traçar um diagnóstico, é mais fácil atingi-los e garantir um desenvolvimento compartilhado das ações coletivas — desde a gestão condominial até a administração pública de maneira mais abrangente.

Foco em pessoas

 Para Leirner, desafio é empregar ferramentas de informação e comunicação para permitir a participação das pessoas. (Fonte: Shutterstock)
Para Leirner, desafio é empregar ferramentas de informação e comunicação para permitir a participação das pessoas. (Fonte: Shutterstock)

Como garantir que as pessoas, e não a tecnologia, sejam o foco desse processo? Como não perder a dimensão humana? Para Leirner, dois sistemas precisam conviver: um de inteligência artificial (IA), com análise massiva de dados, e outro de processos de gestão que possibilitem dialogar e promover dinâmicas mais efetivas de trabalho e de vida.

Um exemplo são condomínios grandes, em que a IA permite entender as demandas e os comportamentos, mas não garante um repertório de diálogo e de engajamento com as pessoas. Ela pode auxiliar a detectar problemas, porém a solução precisa ser acertada entre as pessoas. “O fundamental é compreender que a nova fronteira do desenvolvimento tecnológico é de construção de práticas de consenso com projetos de desenvolvimento coletivo”, defendeu o entrevistado.

Leirner alerta que a IA permite identificar padrões em larga escala, entretanto não possibilita a construção de acordos coletivamente. Além disso, nenhum sistema será capaz de controlar tudo e sempre haverá espaço para o acaso e a interação humana.

Privacidade

Leirner foi questionado quanto ao risco de grandes bases de dados se tornarem uma realidade distópica, com em 1984, do escritor George Orwell. Segundo o arquiteto, a privacidade faz que os dados sejam analisados de forma agrupada e parametrizada, mas com tratamento para a proteção dessas informações; ao mesmo tempo, é necessário que eles sejam abertos para fiscalização, por isso se trata de um desafio para a gestão das cidades.

Brasil

Brasil pode se inspirar em países que fazem uso da tecnologia para o processo de participação social, como a Espanha. (Fonte: Shutterstock)
Brasil pode se inspirar em países que fazem uso da tecnologia para o processo de participação social, como a Espanha. (Fonte: Shutterstock)

Existe um trabalho internacional de normatização das cidades inteligentes, e o Brasil está bem posicionado nisso. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) tem cumprido um papel importante de normatização, e o País preside uma comissão de economia circular extremamente relevante. Além disso, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem produzido documentos que podem dirigir esse processo e fomentar o desenvolvimento por meio de estímulos públicos.

Essa vanguarda é importante porque induz o processo de gestão urbana e gera padrões de mensuração para orientar e atrair investimentos, o que auxilia também na administração dos municípios brasileiros.

Tendências

É provável que a tecnologia permita a criação de diversos nichos de economia especializada, a exemplo do que ocorre com apps de mobilidade. (Fonte: Shutterstock)
É provável que a tecnologia permita a criação de diversos nichos de economia especializada, a exemplo do que ocorre com apps de mobilidade. (Fonte: Shutterstock)

Para Leirner, o processo de modelagem de produtos urbanos vai mudar. Existe também uma tendência de maior microssegmentação e pode-se perceber as necessidades de cada usuário. Em razão disso, o apelo do produto a ser oferecido vai ser transformado, e as pessoas vão procurar praticidade, o que pode mudar o espaço, a exemplo do uso de imóveis por demanda.

“Estamos superando paradigmas estruturais de demanda. Em vez de ter um carro, pode ser mais prático usar os recursos apenas na medida em que são necessários. Isso tornaria os carros cada vez mais raros nas cidades, que passariam a ter scooters elétricas, patinetes e outros recursos que atendem ao usuário na última milha”, aposta o arquiteto.

Fonte: Media Lab Estadão Play

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