Como auditorias podem evitar mortes na mobilidade urbana?

13 de abril de 2020 4 mins. de leitura
Acidentes no trânsito são a principal causa de morte de jovens entre 15 anos e 29 anos de idade
Considerar a segurança das vias como uma responsabilidade dos projetistas do sistema de transportes está conduzindo a mudanças notáveis em vários países; para tanto, a auditoria de segurança viária é um instrumento imprescindível para reduzir acidentes e mortes no trânsito. A análise de riscos é uma estratégia realizada por grupos de especialistas que propõem medidas de segurança como resultado de um processo sistemático de auditoria e inspeção com base nos indicadores técnicos de eficiência demonstrada. O processo de auditoria deve ser externo e independente de órgãos públicos, empresas projetistas ou construtoras, para que os profissionais possam ter total autonomia e isenção ao propor medidas de adequação. Uma auditoria de segurança viária é um exame formal nos projetos futuros de mobilidade e identifica oportunidades de garantia de segurança para todos os usuários.
(Fonte: Shutterstock)
O caráter preventivo e o foco exclusivo na segurança viária caracterizam a auditoria de segurança viária como técnica eficaz para a redução de acidentes de trânsito. Um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) mostra que, após a realização de auditorias, o Departamento de Transportes do Estado de Nova York registrou redução de 20% a 40% nas ocorrências relacionadas em mais de 300 locais que tinham alta incidência de acidentes. A ação também foi introduzida no Reino Unido com a Lei do Tráfego, em 1988, obrigando as autoridades de trânsito a reduzirem a possibilidade de acidentes em veículos novos. A primeira auditoria de segurança foi publicada em 1990 e, desde 1991, é obrigatória para a construção e reconstrução de autopistas nacionais e empresas ferroviárias. Um estudo no condado de Surrey, no Reino Unido, realizado em 1994, comparou 38 planos de reconstrução de vias, dos quais metade havia passado por auditoria de segurança. A pesquisa identificou que, após a conclusão dos projetos, houve redução substancial na média anual de vítimas nas vias auditadas. O índice de mortos e lesionados foi reduzido de 2,08 para 0,83, enquanto nas vias sem auditoria o índice caiu de 2,6 para 2,3 apenas.

Mortes no trânsito no mundo

(Fonte: Shutterstock)
Em torno de 1,35 milhão pessoas morrem em acidentes de trânsito por ano em 178 países, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), vítimas da 9ª causa de óbitos no mundo. Se nada for feito, a OMS estima que 1,9 milhão de pessoas serão vítimas do mesmo problema em 2020 (passando para a quinta maior causa) e 2,4 milhões em 2030. Mais da metade de todas as mortes no trânsito atingem os usuários mais vulneráveis da mobilidade urbana: pedestres, ciclistas e motociclistas, além de crianças e jovens — entre 5 anos e 29 anos idade, os acidentes são a principal causa de falecimento. Países de baixa e média renda, apesar de concentrarem 60% dos veículos do mundo, registram 93% das vítimas fatais no trânsito. O Brasil aparece em 5º lugar entre os países recordistas em mortes no trânsito, atrás de Índia, China, Estados Unidos e Rússia. Irã, México, Indonésia, África do Sul e Egito estão logo abaixo do Brasil. Juntas, essas 10 nações são responsáveis por 62% das perdas humanas em acidente no trânsito no mundo. Sistemas seguros de mobilidade, além de salvarem vidas, são essenciais para a produtividade econômica e o acesso à educação e à saúde. A segurança viária é uma necessidade urgente e faz parte das bases para um mundo melhor. Fonte: WRI Brasil Curtiu o assunto? Clique aqui e saiba mais sobre como a mobilidade pode melhorar os espaços.
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