Como será o transporte urbano do futuro?

11 de março de 2020 4 mins. de leitura
Eletricidade, colaboração e compartilhamento são as principais tendências do segmento

O setor de transporte está sofrendo mudanças cada vez mais rápidas nos últimos anos — e as transformações na área parecem estar apenas começando, sendo quase impossível indicar com precisão como será o transporte do futuro.

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Uma série de novas tecnologias e possibilidades vem surgindo, desde inovações aéreas, como drones e veículos elétricos de pouso e decolagem vertical (eVTOL, em inglês), passando por carros autônomos até soluções de micromobilidade, como patinetes e bicicletas. Todos têm como objetivo fugir de congestionamentos e aumentar a eficiência e o conforto na mobilidade.

Uma coisa, no entanto, é certa: o transporte urbano do futuro dependerá cada vez mais da eletricidade e menos do petróleo, não só pela preocupação com as mudanças climáticas globais mas também pelo desenvolvimento de tecnologias baseadas em sistemas eletrônicos. Nesse contexto, a utilização de inovações a partir de Big Data e inteligência artificial tem sido fundamental.

(Fonte: Shutterstock)

Os serviços de transporte no futuro vão cruzar os limites de vários tipos de organização, de acordo com a empresa de consultoria PricewaterhouseCoopers. Os novos ecossistemas de transporte vão unir diferentes prestadores de serviços, públicos e privados, reguladores, startups e especialistas no atendimento ao cliente. Essa estrutura vai requerer a colaboração entre esses atores, para o compartilhamento de dados e capacidades, além de formar novos modelos operacionais capazes de manter as pessoas e o bens em movimento.

Um bom exemplo disso é Seul (Coreia do Sul), considerada a primeira Smart City do mundo, onde a colaboração entre vários profissionais e cidadãos foi fundamental para manter em funcionamento um sistema integrado de Internet das Coisas na infraestrutura da cidade. O sistema público de transporte da capital sul-coreana é considerado o melhor do mundo e permite acesso a ônibus, trens, metrôs e serviços interurbanos com o ajuste de tarifa pela distância percorrida, e não pelo número de modais utilizados.

(Fonte: Uber)

O transporte compartilhado também é uma forte tendência do futuro não apenas por meio da solicitação de veículos por aplicativos de celular e transporte público sob demanda em vans e micro-ônibus como também por serviços de aluguel em micromobilidade, como bicicletas e patinetes compartilhadas. Outra propensão é que a maioria dos deslocamentos seja realizada por um ou mais modais de transporte. Esse conjunto de serviços compartilhados deve estar muito bem integrado ao sistema público de transporte, em especial metrô e trem, tornando difícil de reverter a ampliação do compartilhamento.

Com isso, o veículo próprio, que reinou durante todo o século XX como objeto de desejo da maioria das famílias, deverá perder ainda mais seu espaço pela dificuldade de locomoção e de estacionamento nas grandes cidades e pelo elevado custo de manutenção. Os veículos particulares, porém, não devem parar de ser utilizados, principalmente se houver a popularização dos carros autônomos. É mais provável, portanto, que os carros sem motorista sejam mais utilizados como serviço de aluguel do que como opção própria de transporte.

(Fonte: Shutterstock)

Muitas novidades do futuro do transporte poderão vir pelo ar. Os drones já estão sendo testados para fazer a entrega de produtos, como remédios e comida, mas a tecnologia também deve permitir o envio de qualquer objeto de pequeno porte e competir, inclusive, com serviços de entregas como os Correios em pequenas distâncias.

Há, ainda, uma corrida entre empresas para ver quem será a primeira a fornecer comercialmente deslocamentos de passageiros com eVTOLs. Já existem veículos elétricos desse tipo em processo de certificação, mas tanto os drones quanto o transporte de passageiros por eVTOLs ainda precisam se desvencilhar da complexa regulamentação do espaço aéreo urbano.

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