Confira os destaques da última parte do Summit Mobilidade

13 de agosto de 2020 5 mins. de leitura
Evento foi encerrado com apresentações de cases e debates extremamente atuais para o segmento

Durante a tarde desta quarta-feira (12), o Summit Mobilidade Urbana 2020 seguiu debatendo temas de extrema relevância para o setor. Gratuito e inteiramente online, o maior evento de mobilidade urbana do País colocou em pauta assuntos bastante atuais e necessários, como descongestionamento e tarifas de transporte.

Conheça o maior e mais relevante evento de mobilidade urbana do Brasil

Um dos participantes foi Kenneth Kruckemeyer, sócio da Strategies for Cities, para quem o deslocamento urbano deve ser pensado a partir dos usos da terra e das necessidades das pessoas, como trabalho, renda, educação e serviços públicos e privados. Ele defendeu também que a reconfiguração da sociedade após a pandemia é uma oportunidade para aumentar a participação da sociedade civil nas decisões sobre mobilidade urbana.

Kruckemeyer acredita que o planejamento de mobilidade urbana deve ter a participação da sociedade civil. (Fonte: Summit Mobilidade Urbana 2020/Reprodução)

Descongestionamento das cidades

Durante o evento, Aleksandro Montanha, CEO da Seebot, apresentou uma solução que pode economizar tempo de todos aqueles que precisam se deslocar nos centros urbanos. O Semáforo Agent permite o controle da abertura e do fechamento de semáforos nos cruzamentos para possibilitar o fluxo contínuo e seguro dos veículos. A tecnologia está presente no Brasil e em outros dois países.

Mudança cultural

A prefeita de Boa Vista (RR), Tereza Surita, também esteve entre os convidados em destaque. Ela falou das alterações na capital de Roraima, onde vivem 450 mil pessoas, o que representa 70% da população do estado. Nos últimos anos, a cidade experimentou uma mudança cultural, que incluiu a criação de 350 quilômetros de calçadas com acessibilidade para todos os cidadãos. “Com a construção de ciclovias com largura entre 1,2 metro e 2,5 metros, a cidade conseguiu reduzir em um terço os acidentes dos ciclistas em 2019”, comemorou.

Big Data para melhor gestão da mobilidade

Também entre os debatedores, o head da Waze Carpool na América Latina, Douglas Tokuno, afirmou que uma das principais soluções da empresa, a Waze for Cities, surgiu no Brasil em 2013 para preparar o País para receber o Papa Francisco, estendendo-se para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

A ferramenta compartilha os dados da cidade com órgãos públicos, como secretarias de transporte, e concessionárias de rodovias, oferecendo informações para simular e testar alternativas para diminuir o congestionamento, como rotatórias, desvios, semáforos e até troca de mão nas ruas.

Integração de dados no transporte coletivo

Sobre cases consolidados e transformações que estão por vir, o diretor-presidente da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô), Silvani Alves Pereira, anunciou que a empresa está desenvolvendo um aplicativo para integração da mobilidade na região metropolitana de São Paulo com tarifa cobrada de forma única. O gestor afirmou que a plataforma vai unir diversos modais para oferecer viagens mais rápidas ou com menor custo para os passageiros.

Equilíbrio entre tarifa e acesso

Painel debateu como equilibrar tarifa acessível e sustentabilidade financeira das empresas. (Fonte: Summit Mobilidade Urbana 2020)

Em um debate sobre formas de equacionar preço e acesso na mobilidade urbana, Débora Canongia, sócia-fundadora da On.I-Bus e mestre em Transportes, defendeu que o deslocamento é um direito social e, portanto, uma responsabilidade do poder público, de concessionárias e de usuários ou não do transporte coletivo. Ela apresentou a experiência de uma plataforma que oferece locomoção coletiva sob demanda para tentar equilibrar o custo pago pelo usuário com a saúde financeira dos operadores do sistema. O serviço combina solicitações de origem e destino com rotas flexíveis, permitindo viagens compartilhadas em micro-ônibus com eficiência e pontualidade.

O tema também foi debatido por Ciro Biderman, pesquisador principal do Centro de Estudos em Política e Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV). Ele mencionou que o vale-transporte é um instrumento importante, mas atinge apenas os trabalhadores formais, por isso defendeu a implantação do Sistema Municipal de Mobilidade Urbana para universalizar o acesso à cidade com modelos semelhantes aos do Sistema Único de Saúde (SUS).

Desigualdade socioespacial

Presidente da Cufa, prefeito de Porto Alegre e pesquisador da FGV concordam que usuário do transporte coletivo não pode pagar sozinho a conta do sistema público. (Fonte: Summit Mobilidade Urbana 2020)

Tema bastante debatido pela manhã no evento, a desigualdade socioespacial entrou novamente em pauta durante o Case Equacionar Preço e Acesso. O presidente global da Central Única das Favelas (Cufa), Preto Zezé, lembrou que a mobilidade urbana ficou fora de grandes programas sociais, como o Minha Casa Minha Vida, e precisa ser repensada. “Você tem uma pessoa relativamente bem, mas tendo de passar duas, quatro horas por dia se deslocando para ir e voltar do trabalho”, exemplificou.

Ao refletir sobre a estruturação de uma mobilidade mais eficiente, o prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior, defendeu que o custo de manutenção do sistema coletivo de transporte não deve ser pago apenas pelo usuário. Para ele, faz-se necessária a criação de um fundo municipal para financiar a mobilidade, arrecadando recursos das tarifas de ônibus, de automóveis particulares e até de estacionamentos.

O Summit Mobilidade Urbana 2020 terminou, mas você pode conferir todos os debates na plataforma Media Lab Estadão Play.

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