Conheça os ônibus antivirais que circulam em São Paulo

17 de dezembro de 2020 4 mins. de leitura
Veículos de São Paulo apresentam assentos, balaústres e catracas revestidos com tecido que impede transmissão da covid-19 por contato

Desde o dia 28 de outubro, alguns ônibus com tecnologia antiviral circulam pela cidade de São Paulo. Os 12 coletivos intermunicipais apresentam assentos, balaústres e catracas revestidos de um tecido que possui ação contra os vírus influenza, herpes vírus e os coronavírus.

Os ônibus pertencem à Viação Osasco, que atua na região Oeste da Grande São Paulo. Segundo informações da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos da cidade (EMTU), até o fim do ano mais 200 coletivos devem ser revestidos com o material.

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Para poder operar, a tecnologia recebeu certificados de áreas e agências técnicas do governo, incluindo a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), que testaram a resistência física do produto e a eficiência antibacteriana e antiviral, segundo as autoridades responsáveis. 

Embora os testes não tenham sido realizados com o vírus Sars-Cov-2, que causa a covid-19, o tecido foi testado contra um vírus da mesma família, com a mesma estrutura e teve eficácia comprovada. Além disso, o material é extremamente resistente, capaz de passar por higienizações e lavagens constantes sem ser danificado. 

Diminuição da transmissão por contato

Doze ônibus com a tecnologia antiviral já estão circulando pela Grande São Paulo. (Divulgação/Governo do Estado de São Paulo)
Doze ônibus com a tecnologia antiviral já estão circulando pela Grande São Paulo. (Divulgação/Governo do Estado de São Paulo)

De acordo com o secretário dos Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo, Alexandre Baldy, essa tecnologia diminui em 99,99% as chances de contaminação cruzada de coronavírus, que é quando uma pessoa infectada coloca a mão em uma superfície e, em seguida, outro indivíduo toca no mesmo local, correndo o risco de contrair a doença.

Entretanto, especialistas consultados pelo jornal O Estado de São Paulo alertam que, apesar de o material ser eficiente para evitar a proliferação pelo contato, não elimina o risco da transmissão respiratória, que é a forma mais comum de contágio.

Por isso, para diminuir o risco de transmissão por via aérea, o uso da máscara, do álcool em gel e o distanciamento devem ser mantidos dentro do transporte coletivo.

Uso de nanotecnologia

Tecido possui ação antibacteriana e antiviral, inclusive contra microrganismos envelopados, como os coronavírus. (Divulgação / Governo do Estado de São Paulo)
Tecido possui ação antibacteriana e antiviral, inclusive contra microrganismos envelopados, como os coronavírus. (Divulgação / Governo do Estado de São Paulo)

A solução antiviral adotada pelo sistema de transporte de São Paulo foi desenvolvida pela Chroma Líquido Soluções Tecnológicas, em parceria com a Rhodia, empresa do Grupo Solvay, e com a TNS Nanotecnologia. 

O aditivo antiviral aplicado nos fios dos tecidos é produzido com nanotecnologia capaz de romper a camada de gordura do vírus, impedindo que ele se fixe na superfície. Além disso, garantem os fabricantes, os aditivos conseguem inativar o vírus responsável pela covid-19 a partir de 30 segundos de contato.

Segundo informações do Diário do Transporte, o investimento é de cerca de R$ 7 mil por veículo. Se os testes se confirmarem, toda a frota de ônibus de São Paulo deverá contar com o revestimento, que futuramente ajudará a prevenir a transmissão de outras doenças, como a gripe.

Santa Catarina

Após sete meses suspensa, a linha de ônibus Ponte Viva, em Florianópolis (SC), voltou a operar no fim do mês de outubro também equipada com o tecido antiviral. 

Segundo a Prefeitura da cidade, além da tecnologia incorporada ao tecido, que reveste assentos e colunas, a solução também está sendo usada no filtro do ar-condicionado dos veículos. 

A aplicação da tecnologia é resultado de uma parceria entre a Prefeitura de Florianópolis e as empresas TNS Nanotecnologia e Chroma Líquido Soluções Tecnológicas.

Fonte: Mobilize, Diário do Transporte, Estadão.

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