Estudo traça o panorama da cultura da bike em cidades pequenas

12 de dezembro de 2020 4 mins. de leitura
Transporte alternativo representa solução real para contornar problemas de grandes centros urbanos, segundo pesquisadores

Quanto menor é o porte de uma cidade, maior é a participação de bicicletas como meio de transporte; mas esse comportamento está sendo ameaçado pelo aumento da motorização, especialmente notado nas regiões Sudeste e Sul. Isso é o que mostra o levantamento “O Brasil que pedala”, que revela como anda a cultura da bicicleta nas cidades pequenas.

Bicicletas representam alternativa a problemas comuns de grandes centros urbanos, indica levantamento. (Fonte: Shutterstock)
Bicicletas representam alternativa a problemas comuns de grandes centros urbanos, indica levantamento. (Fonte: Shutterstock)

“Apesar de os municípios pequenos — com menos de 100 mil habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) — representarem 94,43% do total, neles vivem apenas 43,5% da população do País”, destaca o material, ressaltando que deslocamentos nessas regiões são facilitados pela bike, afinal distâncias menores e menos violência facilitam a opção.

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“São as cidades pequenas que impulsionam o índice de participação da bicicleta na repartição modal brasileira”, aponta o estudo. “E são também as cidades menores que podem demonstrar de forma integral a viabilidade e as vantagens do ciclismo.”

Quem são os ciclistas?

Segundo a publicação, trazer à tona a realidade de cidades pequenas é importante para que os grandes municípios vejam que problemas encontrados nos centros urbanos podem ser contornados com alternativas possíveis e reais.

Altos índices de ciclismo são explicados por variáveis como diversidade de utilização e ocupação do solo, desenvolvimento de políticas cicloviárias, facilidade e praticidade do uso de bicicleta e construção de identidades sociais que passam pela presença da bike no cotidiano das pessoas e da paisagem urbana. Os cenários podem ser replicados em qualquer local.

“Com intervenções educativas, incidência política e produção de conhecimento, são os ciclistas que, buscando e trocando instrução, têm gerado debate, influenciado a opinião pública, demandado a elaboração e o cumprimento de leis e, com isso, provocado mudanças para a humanização e a democratização das cidades por meio da bicicleta”, sugere o documento, ressaltando a necessidade do protagonismo de diversos agentes.

Motivos de adoção da bike em cidades pequenas variam. (Fonte: Shutterstock)
Motivos de adoção da bike em cidades pequenas variam. (Fonte: Shutterstock)

É preciso conhecer as pessoas que utilizam bicicleta para entender quais são as adaptações necessárias à disseminação desses veículos. Por exemplo, nesses municípios, em média 34,9% das pessoas pedalando são mulheres, e o uso de capacete é praticamente inexistente. Além disso, é constante a ocupação da garupa e de bicicletas comuns, sendo mais difundido o uso da pista de rolamento. A contramão, por sua vez, está associada ao desenho urbano em desacordo com as características do deslocamento ativo.

Nas cidades estudadas, 90% dos ciclistas têm Ensino Médio completo, dois terços ganham até dois salários-mínimos, 64,6% se declaram pardos ou negros e 34,3% dizem que começaram a pedalar por ser mais rápido e prático, assim como 27,3% alegam economia e 22% têm a saúde como objetivo.

Quase 82% dos ciclistas usam esse modal há mais de cinco anos, e 83% não combinam a bicicleta com nenhum outro meio de transporte em seus deslocamentos.

A importância das bicicletas

Foram contempladas pelo estudo 11 cidades e suas especificidades: Afuá (PA), Tarauacá (AC), Antonina (PR), Cáceres (MT), Gurupi (TO), Pomerode (SC), Pedro Leopoldo (MG), Ilha Solteira (SP), Tamandaré (PE), São Fidélis (RJ) e Mambaí (GO). “A motorização individual, por carros e motos, tem crescido no País, mas nas cidades de porte médio a grande já alcançou seu limite”, diz a publicação.

Além disso, os pesquisadores defendem: “O fato de grandes centros ampliarem a infraestrutura para o uso de bicicleta, por elas serem vetores e modelos de desenvolvimento, é fundamental para que as cidades de porte pequeno não cometam os mesmos equívocos que agora as grandes cidades buscam remediar”.

Por fim, constata: “É importante para o Brasil a existência de cidades com alto índice de uso de bicicleta que façam proveito de todos os seus benefícios individuais, sociais e ambientais e demonstrem para todo o País a viabilidade desse veículo”.

Fonte: UCB

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