Levantamento apresenta dados sobre mobilidade em São Paulo

21 de dezembro de 2020 4 mins. de leitura
Nova edição do Mapa da Desigualdade mostra que apenas 18% da população da cidade reside em um raio de até 1 km de estações de transporte de massa

A Rede Nossa São Paulo e o Programa Cidades Sustentáveis lançaram nesta semana o Mapa da Desigualdade 2020, um levantamento com diversos dados que retratam a realidade da cidade de São Paulo.

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O Mapa é elaborado desde 2012 e tem como base dados produzidos por órgãos públicos, como secretarias municipais e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre outras fontes. 

Objetivo do Mapa

Entre os temas abordados pelo Mapa da Desigualdade estão o acesso a transporte público, tempo médio das viagens ao trabalho com o uso do transporte coletivo, acesso à infraestrutura viária, entre outros. (Shutterstock).
Entre os temas abordados pelo Mapa da Desigualdade estão o acesso a transporte público, tempo médio das viagens ao trabalho com o uso do transporte coletivo, acesso à infraestrutura viária, entre outros. (Shutterstock).

O objetivo do estudo é, segundo as próprias instituições, ajudar a gestão municipal a identificar prioridades e necessidades da população e seus distritos. “Ao contribuir para o entendimento de dinâmicas importantes da cidade, também se coloca como um instrumento para a elaboração de políticas públicas mais inclusivas e a construção de planos setoriais mais integrados.”

O Mapa também preenche uma lacuna em termos de difusão de informações públicas, amplia o alcance do conhecimento sobre territórios e facilita a assimilação dos dados disponíveis.

Para facilitar a visualização da análise comparativa entre os 96 distritos, os pesquisadores utilizam o chamado Desigualtômetro, que mostra a diferença que existe entre regiões que apresentam o melhor e o pior índices em diversos quesitos, como trabalho e renda, educação, habitação, direitos humanos, saúde, cultura e mobilidade, que estão subdivididos em 48 indicadores.

O levantamento traz, ainda, alguns indicadores novos, como coleta seletiva, acesso a transporte público, tempo médio das viagens ao trabalho com o uso do transporte coletivo, acesso à infraestrutura viária, homicídios de jovens, cobertura de atenção básica, entre outros.

Mobilidade urbana

Segundo levantamento, apenas 41% dos moradores de São Paulo residem em um raio de até 300 metros de distância de infraestruturas cicloviárias. (Shutterstock)
Segundo levantamento, apenas 41% dos moradores de São Paulo residem em um raio de até 300 metros de distância de infraestruturas cicloviárias. (Shutterstock)

A desigualdade social se expressa em fatores como o acesso ao transporte público. Segundo o Mapa, apenas 18,1% da população paulistana reside em um raio de até 1 quilômetro de estações de transporte de massa, como trem, metrô e monotrilho. 

Na primeira colocação, estão os distritos da República (88%), Sé (86,4%) e Santa Cecília (73,2%). Os três distritos com menores taxas são Vila Sônia (2,2%), São Rafael (1,4%) e Vila Guilherme (0,5%). Outros 29 distritos têm 0% de acesso ao transporte de massa.

O transporte público é usado por 56,6% das pessoas em deslocamentos para o trabalho. A média do tempo de deslocamento para o trabalho é de 56,2 minutos. Enquanto no Brás se gastam aproximadamente 31,3 minutos, em Marsilac, se gastam 124,7 minutos.

Quase metade das famílias paulistanas (45,5%) não possuem nenhum automóvel. E apenas 41% residem em um raio de até 300 metros de distância de infraestruturas cicloviárias (ciclovias e ciclofaixas).

Desigualdade pode ser convertida

Segundo informações da Agência Brasil, os distritos que registraram os melhores indicadores foram Alto de Pinheiros, Consolação, Pinheiros, Santo Amaro, Butantã, Perdizes, República, Itaim Bibi, Jardim Paulista e Moema. Já Marsilac, Brás, Jardim Ângela, Cidade Tiradentes, Sé, Bom Retiro, Vila Medeiros, Brasilândia, Capão Redondo, São Miguel formam a relação dos distritos com os piores desempenhos.

Em entrevista ao portal, o coordenador-geral da Rede São Paulo, Jorge Abrahão ressalta que a desigualdade social não é de hoje e resulta das escolhas feitas pelos governantes.

“Está sendo construída há décadas. Ela é fruto de um processo de políticas, na verdade, que fazem com que tenha aumentado e chegado a esse vergonhoso ponto no nosso país. Mas não pode ser naturalizada, justamente por isso, porque é fruto de políticas públicas, definidas pelos políticos, pela sociedade de modo geral e com aceitação de boa parte da sociedade. Até por isso, por ter sido construída, pode ser convertida. Se ela é um produto nosso, pode ser revertida e depende muito da política”, afirma.

Fonte: Agência Brasil, Rede Nossa São Paulo

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