Mobilidade urbana deve considerar cotidiano de mães

3 de agosto de 2020 4 mins. de leitura
Mulheres são as maiores usuárias do transporte coletivo e se dedicam a mais atividades na esfera do cuidado

Em meio a uma cultura que ainda impõe sobre as mulheres mais responsabilidades no cuidado com os filhos do que aospais, as mães costumam enfrentar uma árdua jornada, e esse cenário precisa ser levado em conta no planejamento das cidades.

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O estudo Evolução dos padrões de deslocamento na Região Metropolitana de São Paulo mostra que a presença de crianças entre cinco e nove anos impacta os padrões de mobilidade das mulheres. As mães, além do estudo e trabalho, acabam assumindo diversas tarefas, como levar os filhos à escola, à creche e ao médico ou levá-las junto quando vão ao supermercado e à farmácia.

A desigualdade fica mais evidente quando se observa a diferença de utilização dos modais entre os gêneros. No Brasil, a maioria dos espaços urbanos foram planejados para o melhor uso de carros – modal mais utilizado pelos homens. 

Mulheres na Pesquisa Científica e o Desafio da Mobilidade Urbana

Por outro lado, a maioria das pessoas que se desloca a pé, de ônibus e metrô é do sexo feminino. Em São Paulo, por exemplo, em torno de 62% de quem circula a pé e 74% de quem utiliza o transporte coletivo são mulheres, segundo uma pesquisa do metrô paulista. 

Problemas cotidianos

Mulheres são as principais usuárias do transporte coletivo. (Fonte: Shutterstock)

Além de mulheres serem as principais usuárias do transporte coletivo, mães circulam mais pela cidade porque ainda são responsabilizadas por atividades da esfera do cuidado. Entretanto, raramente o planejamento da mobilidade urbana considera isso, podendo afetar o dia a dia de muitas mães. Exemplos disso são o tamanho dos degraus no transporte público, as calçadas em más condições, o tempo dos semáforos curtos, as travessias longas e a ausência de ciclovias. 

Mobilidade urbana inclusiva

O documento Políticas para o Desenvolvimento Orientado ao Transporte Sustentável Inclusivo — lançado pelo Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITPD) e pela Organização para o Meio Ambiente e Desenvolvimento da Mulher (WEDO) — apresenta recomendações para equilibrar a diferença entre os gêneros na mobilidade.

Mulher no transporte público: dificuldades e soluções

Segundo o documento, pesquisas devem ser realizadas para coletar dados sobre as necessidades específicas das mulheres e a liderança feminina, a qual deve ser cultivada para garantir a participação da mulher nas decisões de políticas estruturantes.

Ruas completas

Ciclismo deve ser incentivado para facilitar mobilidade de mulheres e crianças. (Fonte: Shutterstock)

Os espaços urbanos devem ser projetados para propiciar caminhadas, ciclismo e acesso ao transporte público tanto de forma segura como integrada. Portanto, a arborização das vias é importante, e o transporte coletivo deve ser frequente, confiável e acessível. Outros modais intermediários, como táxis de bicicleta, precisam ser incluídos no planejamento.

Desenvolvimento integrado

Uma densa rede de ruas e caminhos deve ser pensada de forma integrada com as atividades. Serviços básicos locais precisam estar a distâncias possíveis de se percorrer a pé, e o estacionamento de carros deve ser desincentivado.

Transporte inclusivo

O planejamento de mobilidade urbana precisa considerar que a mulher pode viajar com crianças, sacolas e compras. Dessa forma, desde o desenho dos veículos de transporte coletivo até os sistemas intermodais integrados com tarifas justas devem ser repensados. 

Incentivo adequado

Campanhas para incentivar as mulheres a usar o transporte público devem ser criadas considerando ações antiassédio tanto nas ruas quanto dentro do transporte coletivo. 

Fonte: The City Fix Brasil, Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITPD).

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