Momento Mobilidade: debates de como diversificar deslocamentos

31 de julho de 2020 5 min de leitura
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A crise proporcionada pela covid-19 impôs grandes desafios e ofereceu oportunidades para a remodelação dos sistemas de mobilidade urbana. No Momento Mobilidade, uma iniciativa do Summit Mobilidade Urbana 2020, houve debates sobre como diversificar as opções de deslocamento nesse contexto de transformações.

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Para encontrar possíveis caminhos em meio à crise para o transporte nas cidades brasileiras, participaram da conversa a secretária de Transportes do município de São Paulo, Elisabete França, e o líder de relações institucionais da 99 app, Paulo Dallari. A visão de que o automóvel particular deve dar espaço a outros modais para uma mobilidade eficiente nos próximos anos foi partilhada por ambos durante a discussão. 

França destacou que a grande questão da mobilidade no momento é garantir os deslocamentos com segurança aos trabalhadores que precisam sair de casa para trabalhar nos sistemas coletivos e compartilhados. Para Dallari, o transporte coletivo terá uma retomada lenta no volume de passageiros, e os aplicativos podem ser grandes aliados.

Novo modelo

Para especialistas, o uso compartilhado de veículos deve ser incentivado no pós-pandemia. (Fonte: Adao / Shutterstock)

A secretária defendeu o subsídio ao transporte coletivo de ônibus, por sua capilaridade. Ela também declarou que aposta na importância de aplicativos e no transporte sobre trilhos. Nesse sentido, no que tange à sustentabilidade, afirmou apoiar a estruturação de ciclovias e o alargamento de calçadas para alcançar uma mobilidade mais verde e menos poluente.

Já o líder disse que é necessário desestimular, com políticas públicas novas, as compras de carro, inclusive de usados. “Se a gente perder agora esse usuário do transporte público para a aquisição de um veículo, provavelmente vamos perder o passageiro do sistema compartilhado por muito mais tempo”, ele avaliou. 

Soluções estruturantes

Por um lado, França argumentou a importância de uma estruturação financeira do setor de transportes. Ela lembrou que saúde e educação já possuem fundos específicos, logo, algo semelhante deveria ser feito para estruturar a mobilidade urbana, pois se trata de um serviço público essencial. “Vamos ter de criar um mecanismo que sustente e garanta a existência dos transportes públicos”, ela defendeu.

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Por outro, Dallari ressaltou a importância da gestão de meio-fio nas cidades. Ele sugeriu que, em vez de considerar a abertura de vagas de estacionamentos para novos empreendimentos, as autoridades deveriam solicitar outras ferramentas, como áreas de embarque e desembarque.

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“O espaço público das calçadas e meio fio poderia ser utilizado para usos que agreguem muito mais valor para a cidade e para o comércio”, argumentou o executivo. Ele também mencionou estratégias como um incentivo para que as pessoas circulem a pé pela cidade e a ocupação do meio-fio com food trucks

Medidas integradas

O ônibus é o transporte com maior capilaridade nas cidades, mas precisa de investimentos para manter seu equilíbrio financeiro. (Fonte: Alf Ribeiro / Shutterstock)

Para ambos, o trabalho no campo da mobilidade deve ser integrado a todos os setores da sociedade. Congestionamentos e poluição do ar, por exemplo, podem afetar também o sistema de saúde. “O tema tem de ser enfrentado pelo conjunto das cidades, para que o motorista com carro particular seja retirado das ruas, diminuindo engarrafamentos inúteis e os custos que geram para as cidades”, defendeu França. 

Fonte: Momento Mobilidade Summit Mobilidade Urbana 2020.

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