O que é transporte intermodal?

8 de abril de 2020 4 mins. de leitura
Carro, ônibus, metrô ou bicicleta? Integrar todos eles talvez seja a melhor solução

Qual meio de transporte é melhor para resolver a questão da mobilidade nas grandes cidades? Talvez a resposta seja, simplesmente, todos. É o que propõem os defensores do transporte intermodal, o qual se caracteriza pela presença de vários meios de locomoção que se complementam para tornar possíveis os deslocamentos pela cidade.

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Concentrar todos os deslocamentos em apenas um modal pode saturar as vias. Além disso, é muito difícil que somente um tipo atenda à infinidade de demandas, espaços e perfis de locomoção que pode ser encontrada entre os habitantes de um centro urbano. Dessa maneira, a proposta do transporte intermodal é fazer com que diferentes meios de se locomover se integrem; assim, a mesma pessoa pode utilizar vários para completar seu trajeto diário, aproveitando os benefícios de cada um.

Por que o transporte intermodal é necessário?

Sabe-se que confiar apenas em carros e motocicletas particulares para todos os deslocamentos torna as cidades extremamente congestionadas, sendo necessário procurar outras alternativas sempre que possível. Mas essa busca, por si só, faz com que surjam outras questões.

Por um lado, mesmo que algumas opções, como bicicletas, patinetes e caminhadas, sejam mais ecológicas e causem menos impacto no trânsito, elas podem se tornar impraticáveis no contexto dos grandes centros urbanos — onde as pessoas precisam, muitas vezes, realizar deslocamentos muito extensos. Por outro lado, concentrar todas esses indivíduos em ônibus, trens e linhas de metrô pode causar superlotações.

(Fonte: Unsplash)

Por isso, os moradores das grandes cidades precisam não apenas ter diferentes opções de deslocamento, mas oportunidade de integrar diferentes modais em um mesmo trajeto. Um exemplo simples disso seria a possibilidade de pedalar até uma estação de metrô e, nela, poder deixar a bicicleta em um local adequado ou, melhor ainda, levá-la consigo no vagão. Considerando isso, empresas que oferecem serviços de transporte, juntamente com o poder público, devem oferecer uma estrutura que facilite e incentive a integração entre os modais, otimizando os deslocamentos pela cidade.

Como incentivar o transporte intermodal?

A intermodalidade não ocorre apenas entre meios de locomoção diferentes, como a bicicleta e o metrô, mas também entre os similares, como os transportes públicos. Desse modo, as capitais costumam permitir às pessoas que saiam do ônibus e peguem um metrô sem ter que pagar outra passagem. Esse é um exemplo cotidiano de transporte intermodal, que deve ser cada vez mais incentivado.

No que diz respeito às bicicletas, é essencial que os eixos onde se concentram o transporte público sejam alimentados também por ciclofaixas. Em Duque de Caxias, na baixada fluminense, os projetos das linhas do BRT já preveem ciclofaixas ligadas aos principais bairros residenciais da região.

(Fonte: Unsplash)

É possível ver como o pensamento intermodal evoluiu nas últimas décadas ao se observar o exemplo de São Paulo. A primeira linha de metrô da cidade, a “azul”, inaugurada há mais de 40 anos, previa integração com linhas de ônibus apenas em uma de suas estações. Já as linhas construídas posteriormente foram projetadas com interligações entre si, integrações com BRT e ônibus, bem como espaços para ciclistas, pedestres e pessoas que se desloquem de carro até elas. Claro que quem utiliza o metrô e os trens urbanos de São Paulo sempre terá alguma ressalva a fazer, mas já é possível observar diferenças entre os projetos antigos e os mais novos.

Uma vez que é possível observar essas diferenças, fica nítido que o transporte intermodal deve ser cada vez mais incentivado, com políticas que tornem a troca entre os modais mais barata, cômoda e eficiente para os usuários. Assim, nenhum modal fica saturado ou superlotado e todos se tornam mais eficientes dentro de suas propostas.

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