Pesquisa evidencia racismo no transporte coletivo

21 de janeiro de 2022 3 mins. de leitura
Estudo realizado pela 99 mostra que uma em cada quatro pessoas negras já evitou o transporte público por medo de racismo

Recentemente, a 99 divulgou dados de uma pesquisa realizada no mês de outubro em conjunto com outras plataformas, na qual mostra que uma em cada quatro pessoas negras já evitaram utilizar o transporte público por medo de sofrer racismo. 

Entre os meios de transporte mais evitados estão os ônibus, com 40% das respostas válidas, vans com 13% e em seguida o metrô, com 10%. O deslocamento através de carros particulares, oferecidos por plataformas como a 99, foram considerados seguros por 32% dos entrevistados.

Determinadas políticas urbanas podem fomentar ainda mais o racismo estrutural. (Shutterstock/Reprodução)
Determinadas políticas urbanas podem fomentar ainda mais o racismo estrutural. (Shutterstock/Reprodução)

Quando questionados sobre outros aspectos urbanos, 48% dos entrevistados responderam que já presenciaram atos racistas em mercados, enquanto 49% já presenciaram em shoppings centers. Além disso, 54% acreditam que a sociedade é racista, ao passo que 46% apontaram que o racismo está limitado a apenas alguns integrantes da sociedade. 

Para realizar o levantamento, a empresa disponibilizou formulários online para passageiros e motoristas do app, recebendo um total de 1308 pesquisas respondidas. Em relação à raça dos respondentes, 42% dos passageiros se declararam negros ou pardos, à medida que 58% dos motoristas afirmaram o mesmo. 

Racismo estrutural 

O racismo estrutural se tornou um tópico muito comentado nos últimos tempos, visto que a grande mídia tem apresentado exemplos e efeitos que o fenômeno gera sobre a população negra. 

Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, ele não está relacionado propriamente a atos explícitos de discriminação, mas também a comportamentos e crenças existentes na sociedade que impossibilitam que as pessoas negras sejam tratadas ou tenham acesso aos mesmos direitos que pessoas não negras. 

Como exemplo, muitas empresas não aceitam os cabelos naturais de seus colaboradores negros. O problema não afeta apenas os negros, mas também geram consequências para toda a sociedade. 

Como o racismo pode ser combatido? 

O racismo estrutural está presente em diversos países. (Shutterstock/Reprodução)

O caminho para o combate ao racismo estrutural é longo e demanda uma série de atitudes por parte de todos os integrantes da sociedade. Para além de campanhas de conscientização e disciplinas que abordem a diversidade humana desde os anos iniciais nas escolas públicas e privadas, é preciso que as pessoas negras sejam protagonistas de suas próprias histórias. 

Para isso, é de extrema importância que elas estejam à frente de decisões públicas que afetam toda a comunidade, visto que atualmente, grande parte das deliberações sobre assuntos que afetam a população negra é decidida por pessoas que não estão inseridas neste contexto social. 

É necessário que os gestores públicos se debrucem sobre políticas públicas que visam reverter a situação atual e garantir uma melhor qualidade de vida para todo o coletivo.

Fonte: Diário do Transporte, Centro de Liderança Pública, Brasil Escola.

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