Quanto os acidentes de trânsito caíram durante a quarentena?

12 de julho de 2020 4 mins. de leitura
Com menos pessoas circulando por causa da quarentena, o número de acidentes diminuiu

O número de acidentes de trânsito caiu drasticamente durante o período de quarentena. O menor fluxo de veículos fez os sinistros diminuírem entre 22% e 50% em cidades brasileiras quando comparados com o mesmo período do ano anterior. Muitos locais alcançaram recordes históricos de baixa, voltando aos índices de mais de 10 anos atrás.

Conheça o maior e mais relevante evento de mobilidade urbana do Brasil

No Rio Grande do Sul, os 87 óbitos registrados em acidentes em abril representam o menor número desde 2007 no mesmo mês, de acordo com o Departamento Estadual de Trânsito (Detran/RS).

Menos ocorrências nas ruas ajudam a reduzir a pressão sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), liberando espaços de unidade de terapia intensiva (UTI), que podem ser utilizados para combater as infecções por coronavírus. No Brasil, cerca de 231 mil leitos são ocupados no SUS para tratar vítimas de acidentes de trânsito, o que representa um custo anual de R$ 52 bilhões, de acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Redução de acidentes de trânsito

Houve redução no número de acidentes, mas a gravidade das lesões aumentou, em especial por excesso de velocidade. (Fonte: Shutterstock)

No Estado de São Paulo, quase 7 mil sinistros foram evitados por conta do isolamento social durante o período de 24 de março a 30 de abril, de acordo com o Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo (InfosigaSP). Foram registradas 9,7 mil ocorrências, 41% a menos que no período mesmo de 2019, quando houve 16,5 mil casos.

O número de óbitos decorrentes de acidentes recuou 31% entre 24 de março e 31 de março se comparado com o mesmo período do ano passado. As ocorrências em vias municipais representam 69% dos casos e tiveram redução de 40% em comparação com o mesmo período de 2019. Nas estradas paulistas, a queda foi de 45%, incluindo rodovias estaduais e federais.

O InfosigaSP também observou diminuição dos índices em todos os modais analisados, em especial de automóveis, com baixa de 44% no total de acidentes fatais. Os sinistros com moto lideram as estatísticas, mas foram reduzidos em 33%. As ocorrências envolvendo bicicletas caíram 35%, enquanto a menor taxa foi observada nos caminhões, 23%.

Diferenças regionais

Em São Paulo, as regiões de Itapeva, Baixada Santista e Franca apresentaram os maiores índices de redução de acidentes, com 59%, 50% e 48%, respectivamente, quando comparados ao mesmo período do ano passado.

Ribeirão Preto (47%), São José do Rio Preto (45%), Bauru e Presidente Prudente (ambas com 44%) também tiveram diminuição. A região metropolitana da capital registrou redução de 40%, mesmo índice das áreas central e de Marília. As menores quedas foram observadas nos municípios de Barretos (22%) e Araçatuba (34%).

Relação com isolamento social

Quanto maior é o isolamento social, maior é a redução no número de acidentes de trânsito. (Fonte: Shutterstock)

Foram analisados acidentes em 104 cidades do estado, tanto em estradas como em vias urbanas. O InfosigaSP identificou relação direta entre o isolamento social e o menor número de ocorrências registradas. Quanto maior é o afastamento, menos ocorrências são computadas pelo banco de dados do governo paulista. O órgão estima que, a cada 1% maior de isolamento, 126 sinistros foram evitados; em média, o índice diário de reclusão foi de 54%.

Ranking de isolamento

Os municípios paulistas com maior índice de afastamento na primeira quinzena de junho, segundo o governo, foram São Sebastião (58%) e Ubatuba (55%), ambos localizados na Baixada Santista. Cruzeiro, no Vale do Paraíba, é a cidade com o terceiro maior índice de quarentena do estado, com 51%. Barretos segue entre os municípios com menos isolamento no período, com taxa de 40%, acompanhado por Araçatuba (41%).

Fonte: Detran-SP, WRI Brasil, Governo Estadual de São Paulo

Curtiu o assunto? Clique aqui e saiba mais sobre como a mobilidade pode melhorar os espaços.

Gostou? Compartilhe!