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3 erros do plano de mobilidade ativa de Atenas

2 de dezembro de 2020 4 mins. de leitura
Atenas aproveitou pandemia para colocar em prática antigo projeto, mas a execução apresentou diversas falhas e tem sofrido críticas

Em 2019, a Prefeitura de Atenas desenvolveu o projeto “Grande Caminhada” (Megalos Peripatos, em grego), para transformar 8 km de ruas e avenidas de seu centro histórico em uma que beneficia a mobilidade ativa, isso tudo em 2 anos.

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A pandemia pareceu o momento perfeito para a capital grega colocar em prática a ideia e lançar um programa-piloto, de 6 meses, para retirar os automóveis de seu centro congestionado a fim de dar lugar a ciclovias e calçadas. 

O projeto conseguiu triplicar o número de ciclistas e aumentar em 6% a participação de táxis e motos na mobilidade ateniense. No entanto, antes do fim do período de experimento, o projeto apresentou diversas falhas e vem recebendo críticas. Confira 3 delas. 

1. Piloto sem estudo prévio

Projeto conseguiu aumentar número de ciclistas, mas sofre críticas por falta de estudo prévio de tráfego. (Fonte: Megalos Peripatos)
Projeto conseguiu aumentar número de ciclistas, mas sofre críticas por falta de estudo prévio de tráfego. (Fonte: Megalos Peripatos)

O estudo preliminar de tráfego do projeto “Grande Caminhada” de Atenas foi iniciado em setembro de 2019 com previsão para ser finalizado em julho de 2020. Entretanto, por conta da covid-19, o programa-piloto foi implantado antes da entrega desse estudo. 

De forma geral, a proposta reduziu as faixas de circulação de automóveis nas principais artérias comerciais da cidade com o uso de barreiras temporárias para carros. Outras vias foram totalmente bloqueadas, com circulação permitida apenas para serviços de emergência e pessoas que vivem ou trabalham nas imediações. A infração das regras passou a gerar uma multa de 150 euros.

Entretanto, a polícia foi incapaz de filtrar o tráfego, e os atenienses, após a quarentena, começaram a usar seus carros mais do que antes da pandemia, o que resultou em caos no trânsito. Em meio a esse contexto, a cidade voltou atrás e começou a reabrir algumas pistas para carros a partir de 27 de julho.

2. Falta de planejamento urbano

Plano restringiu faixas de circulação de automóveis para ampliar o espaço para ciclistas e pedestres. (Fonte: Megalos Peripatos)
Plano restringiu faixas de circulação de automóveis para ampliar o espaço para ciclistas e pedestres. (Fonte: Megalos Peripatos)

Apesar de custar quase 2 milhões de euros, o programa-piloto não tem nenhum planejador ou paisagista específico associado ao projeto, segundo as críticas. A ideia foi atacada, ainda, por motivos estéticos e pela falta de planejamento urbano.

Árvores e arbustos plantados ao longo da rota pareceram ter secado em poucos dias, enquanto muitos apontaram que a escolha de palmeiras “estrangeiras” entrava em conflito com o cenário clássico e neoclássico da região.

A pintura nas faixas de pedestres desapareceu em semanas. Em uma cidade onde as temperaturas do verão rotineiramente passam de 38°C, os bancos de metal escaldantes escolhidos pela cidade tornaram-se excepcionalmente quentes.

3. Ausência de diálogo

Um dos opositores do projeto, o arquiteto Dimitra Siatitsa, afirmou que a prefeitura notificou o comitê de avaliação do plano para reuniões matinais importantes na noite anterior e não forneceu atas, deixando o grupo sem feedback sobre as discussões.

O prefeito também se mostrou relutante em se reunir com associações empresariais ou da sociedade civil dentro do comitê, de acordo com Siatitsa. “Milhões não podem passar por um comitê sem controle democrático básico”, afirmou Pavlos Geroulanos, um dos líderes da oposição ao prefeito. “Essas críticas vão ajudá-lo pelo menos a não cometer os mesmos erros”, concluiu o oposicionista.

Fonte: Bloomberg, iEidiseis, Naftemporiki, Megalos Peripatos.

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