Bogotá quer ser a primeira cidade de 15 minutos na América Latina

15 de janeiro de 2021 4 mins. de leitura
A pandemia incentivou muitas prefeituras a adotarem o conceito de cidade de 15 minutos. Entenda como a capital da Colômbia está se preparando para diminuir a poluição do ar.

A pandemia do novo coronavírus imprimiu novas práticas ao cotidiano, como o home office e a adesão às bicicletas como meio principal de transporte. Diante dessas e de outras mudanças, uma ideia inovadora está ganhando terreno: cidades em que todos os residentes podem ter a maioria de suas necessidades atendidas a uma curta caminhada de 15 minutos ou de bicicleta partindo de casa.

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Na Europa, segundo um artigo da Federação Europeia de Ciclistas (EFC), à medida que a crise da covid-19 avançava, as cidades foram ajustando a vida urbana à nova normalidade. Alguns prefeitos decidiram aproveitar o momento para apresentar planos ambiciosos que remodelam todo o paradigma urbano; Paris (França) foi a primeira cidade a formular a ideia, e outras seguiram o exemplo, entre elas Milão (Itália), Portland (EUA), Melbourne (Austrália) e Bogotá (Colômbia).

O plano de Bogotá

Novo plano de ordenamento territorial de Bogotá já incorporou o conceito de cidade de 15 minutos. (Fonte: Shutterstock)
Novo plano de ordenamento territorial de Bogotá já incorporou o conceito de cidade de 15 minutos. (Fonte: Shutterstock)

Em Bogotá, segundo a reportagem do jornal El Espectador, uma pessoa gasta, em média, 23 dias por ano se locomovendo pela cidade. Para mudar esse cenário e melhorar a qualidade de vida dos moradores, a prefeita Claudia López elaborou o Plano de Ordenamento Territorial de Bogotá, enquadrando a capital no conceito das cidades de 15 minutos. Para isso, o município deve levar em consideração três elementos: cronourbanismo, cronotopia e topofilia.

O cronourbanismo é a disciplina que consiste em dominar o tempo para que o ritmo da cidade não torne seus habitantes escravos. “Vivemos em cidades onde a vida se resume a ir e a voltar do trabalho. Perdemos o contato familiar e social, o que torna as cidades angustiantes e deprimentes”, afirma Carlos Moreno, urbanista franco-colombiano e idealizador do “a ville du quart d’heure“.

A cronotopia, por sua vez, é o aproveitamento máximo de cada metro quadrado construído. “Muitos espaços são usados para uma pequena parte do dia. Sua utilização é de 35%. O resto fica vazio”, comenta Moreno. A ideia é que os locais sejam multifuncionais; isto é, um ginásio serve para outras coisas, bem como escolas e até edifícios administrativos, entre outras infraestruturas.

Por fim, topofilia é o amor e o sentimento de pertencimento de uma pessoa ao lugar onde vive, uma vez que isso se traduz em um melhor comportamento cívico, afetando o compromisso dos cidadãos em cuidar melhor do meio ambiente.

O futuro

Segundo Adriana Córdoba, secretária de Planejamento de Bogotá, a capital espera avançar nesse assunto com seu plano de ordenamento territorial, o qual deve ser apresentado ao Conselho no próximo ano para aprovação. A estratégia é dividir Bogotá em bairros de 19 quilômetros quadrados, o que permitiria aos cidadãos acessarem, em no máximo 15 minutos caminhando, parques, jardins, mercados e outros locais. Esse seria o primeiro anel de proximidade.

A nova organização da cidade facilitaria o acesso a um segundo anel de proximidade, que não ultrapassaria 30 minutos de transporte público ou de bicicleta. Isso inclui espaços como locais de trabalho, hospitais e universidades.

Regeneração urbana

Para cumprir os compromissos ambientais assumidos, várias cidades europeias estão se preparando para adotar o conceito de 15 minutos. (Fonte: Shutterstock)
Para cumprir os compromissos ambientais assumidos, várias cidades europeias estão se preparando para adotar o conceito de 15 minutos. (Fonte: Shutterstock)

De acordo com o artigo da EFC, a estratégia da cidade de 15 minutos revela uma realidade que todos os governos devem levar em conta: para reduzir as emissões de carbono dos transportes, é essencial projetar municípios sem carros. O European Green Deal, por exemplo, visa atingir redução de 90% nas emissões de carbono dos transportes até 2050, meta que não pode ser alcançada apenas substituindo os veículos movidos a combustível por modelos elétricos.

Bairros em que qualquer pessoa pode atender às suas necessidades básicas sem se deslocar de carro representam uma estratégia muito mais realista para reduzir as emissões de CO2.

Talvez a peça mais difícil desse quebra-cabeças, o deslocamento para o trabalho, tenha sido resolvida com a implementação recente do home office na Europa. A quarentena deixou claro que é preciso mudar a forma como vivemos, trabalhamos e nos movemos e que essas mudanças são viáveis com a tecnologia atual.

Fontes: El Espectador, European Cyclist’s Federation, Rádio França Internacional

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