Bondinhos solucionam mobilidade urbana em cidades com morros

30 de março de 2020 4 mins. de leitura
Implantação de teleféricos é considerada mais barata que soluções viárias em regiões montanhosas

A imagem de bondinhos pendurados em um cabo subindo uma montanha era vista apenas como opção de turismo até pouco tempo atrás.

No entanto, o lançamento bem-sucedido de teleféricos em algumas cidades movimentadas e de topografia acidentada indica que esse tipo de transporte pode ser uma solução viável para a mobilidade urbana.

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A principal vantagem é a capacidade de subir morros íngremes por uma fração do custo de investimento de um novo túnel ou ponte. Os bondinhos também costumam ser mais rápidos de implementar do que novas estradas e são de fácil manutenção.

O sistema permite que os passageiros fujam do tráfego intenso e reduzam o tempo de deslocamento em terrenos montanhosos. Os bondinhos apresentam design moderno, com conforto térmico, e são alimentados por eletricidade, sem emissão de gases de efeito estufa. Além disso, oferecem uma boa vista da cidade.

A posição aérea dos bondinhos possibilita a fácil integração à paisagem urbana, sem encontrar obstáculos no chão e com a ocupação de pouco espaço urbano. O teleférico fornece um serviço que se move continuamente e é acessível a passageiros com mobilidade reduzida e a cadeirantes, pois o piso da cabine está nivelado com a plataforma.

Para a implantação do sucesso do modal em novos locais, é necessário fazer a integração com as redes de transportes já existentes e definir tarifas adequadas e acessíveis para a população, especialmente comunidades carentes que costumam habitar morros e encostas.

Em 2004, a cidade colombiana de Medellín se tornou o primeiro lugar no mundo a integrar totalmente os teleféricos ao seu sistema de metrô. Desde então, um número crescente de áreas urbanas em todo o mundo começou a instalar seus próprios sistemas de teleférico.

(Fonte: Shutterstock)

Caracas (Venezuela), Constantino (Argélia), Nova York (EUA), Londres (Inglaterra), Nizhny Novgorod (Rússia) e Yeosu (Coreia do Sul) são exemplos de outras cidades que estão buscando nos bondinhos uma forma de superar os desafios comuns de transporte.

Funcionamento dos bondinhos

Um estudo do Banco Mundial sobre teleféricos urbanos observa que a duração média da viagem para o sistema atual é de 2,7 km, com estações a cada 800 metros. Eles geralmente atingem velocidades entre 10 e 20 km/h e transportam até 2 mil pessoas por hora em cada direção.

O maior sistema de teleférico do mundo, com mais de 16 km, fica em La Paz, na Bolívia. O Mi Teleférico funciona como o principal sistema de transporte público da capital boliviana e atualmente possui 25 estações e seis linhas separadas por toda a cidade. Uma única linha do sistema é capaz de transportar em torno de 6 mil passageiros em 1 hora e até 65 mil pessoas em um único dia.

(Fonte: Shutterstock)

A maioria dos teleféricos urbanos fica pendurada em um cabo acima, embora alguns também sejam puxados por um acessório na parte de baixo. Em ambos os casos, os fundamentos da tecnologia são aproximadamente os mesmos. Na sua forma mais simples, um longo cabo de aço gira entre as polias em cada extremidade do percurso.

Críticas ao sistema de teleférico

Nem todos os teleféricos urbanos tiveram grande sucesso. No Brasil, o sistema do Rio de Janeiro recebeu críticas pelo alto custo de sua construção, gerando protestos das comunidades que seriam beneficiadas. Até sua conclusão, em 2012, foram gastos cerca de R$ 210 milhões, o que fez dos bondinhos cariocas um dos projetos de teleféricos urbanos mais caros do mundo. E o pior: o sistema não está funcionando.

Os críticos observam os possíveis problemas de segurança apresentados pelos sistemas de teleféricos: em caso de emergência, como falta de energia, os passageiros ficam presos nas cabines. Os teleféricos também podem não atender tantas pessoas quanto os serviços de ônibus e exigem que os usuários andem distâncias mais longas até os terminais.

De qualquer forma, os teleféricos são uma opção para os planejadores de transporte urbano. Os bondinhos não são uma alternativa ao transporte de massa de alta capacidade, porém oferecem uma solução complementar que poderia ajudar muitos moradores isolados nos morros a acessarem empregos e oportunidades na cidade.

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