Como a mobilidade urbana impacta a qualidade de vida

23 de março de 2020 3 mins. de leitura
Estudos mostram que um trânsito mais fluido e sustentável ajuda a fomentar uma vida mais saudável até mesmo nas grandes cidades

Nas capitais brasileiras, uma pessoa passa, em média, 2 horas e 28 minutos no trânsito para realizar atividades cotidianas, como ir ao trabalho e deixar os filhos na escola.

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É o que mostra a pesquisa Impactos da Mobilidade Urbana no Varejo, encomendada em 2017 pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Esse tempo perdido impacta diretamente a qualidade de vida.

(Fonte: Shutterstock)

Apenas 26% da população das nove principais regiões metropolitanas do Brasil gastam menos de 30 minutos por dia para ir e voltar do trabalho, segundo a pesquisa Rumo à Sociedade do Bem-Estar, do Instituto Akatu. Se o tempo de deslocamento médio fosse reduzido em 52 minutos e convertido em horas trabalhadas, haveria um ganho de produção de R$ 200 bilhões ao ano, o que elevaria, inclusive, a renda dos trabalhadores.

Impacto ambiental

Além da perda de tempo, o impacto ambiental é grande, o que dificulta a manutenção de uma vida mais saudável. Boa parte do problema é proveniente do transporte individual. Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Transportes indica que ônibus, micro-ônibus e vans transportam 76,7% dos passageiros do País, enquanto os veículos particulares levam apenas 20,6% das pessoas. Mesmo assim, o transporte particular é responsável por 77% das emissões de poluentes atmosféricos, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente elaborados para a assinatura do Acordo de Paris.

A poluição é tanta que outro estudo, realizado pela Universidade de São Paulo, estima que o paulistano perde 1 ano e meio de vida apenas por respirar o ar poluído da cidade. Os principais poluentes emitidos pelos veículos motorizados na atmosfera são monóxido de carbono (CO), hidrocarbonetos (HC), óxidos de nitrogênio (NOx), óxidos de enxofre (SOx) e material particulado (MP), que contribuem para o desenvolvimento de uma série de doenças, como câncer de pulmão e das vias aéreas superiores, infarto agudo do miocárdio, arritmias, bronquite crônica e asma. Na capital paulista, a mortalidade e a morbidade geradas pela poluição do ar têm um custo econômico de até US$ 208 milhões ao ano.

(Fonte: Shutterstock)

Os sistemas de transporte urbano também são considerados as principais fontes de poluição sonora. O tráfego nas cidades gera níveis de ruído acima de 55 decibéis, o que pode elevar o estresse, a irritação e a fadiga e causar distúrbios do sono e problemas cardiovasculares.

Não é difícil entender, portanto, por que uma boa estrutura de mobilidade urbana é fundamental para a manutenção de uma população mais saudável. Por isso, defender e exigir do poder público medidas nesse sentido é uma boa maneira de fomentar cidades com muito mais qualidade de vida.

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