Conheça o serviço de entregas realizado só por mulheres e LGBTQI+

16 de novembro de 2020 4 mins. de leitura
Coletivo Señoritas Courier valoriza trabalho feminino em um ambiente dominado pelos homens e defende melhores condições para entregadoras

Aline Rieira trabalhou durante dois anos para um serviço de delivery de bike, sendo uma das cinco mulheres de um grupo que contava com 135 homens. Com base em sua experiência, ela observou que a área é dominada por uma visão preconceituosa e machista e acabou saindo da empresa. 

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Ela então começou a trabalhar em um estúdio de fotografia, mas não abandonou a paixão pela bike e continuou realizando entregas. Com a demanda crescente de delivery, resolveu compartilhar a sua história em uma rede social para passar o trabalho a outras pessoas e dez mulheres responderam o chamado. Não demoraria muito para que nascesse o Señoritas Courier, serviço de entrega por bicicleta realizado exclusivamente por mulheres e LGBTQI+.

Coletivo Señoritas Courier

Mulheres pedalam para enfrentar o preconceito e gerar renda em coletivo de entrega por bicicleta. (Fonte: Señoritas Courier/Divulgação)
Mulheres pedalam para enfrentar o preconceito e gerar renda em coletivo de entrega por bicicleta. (Fonte: Señoritas Courier/Divulgação)

O coletivo Señoritas Courier foi sendo formado naturalmente, em 2018. Depois das primeiras pessoas interessadas, outras se uniram ao grupo que soma 37 mulheres e LGBTQ+. São 14 ciclistas ativas. Dessas, por volta de cinco estão nas ruas diariamente, incluindo a própria fundadora do grupo — Aline chega a pedalar até 50 quilômetros em um dia.

Documentos, alimentos e até flores são transportados. Não há limite de distância. O valor é cobrado por trajeto, tempo e entrega avulsa. Por enquanto, o serviço não conta com uma plataforma própria, e a logística das entregas é coordenada por meio de WhatsApp e Instagram. 

O serviço costumava realizar cerca de 50 entregas por mês. Com a pandemia, o grupo viu o trabalho aumentar, acompanhando e superando a tendência do setor de delivery. Entre abril e maio, o volume de trabalho quadruplicou, e as mulheres chegaram a realizar 200 entregas. Em junho, a demanda continuou crescendo.

Pedalando por direitos

Além de equidade de gênero, coletivo luta por melhores de condições para entregadoras. (Fonte: Señoritas Courier/Divulgação)
Além de equidade de gênero, coletivo luta por melhores de condições para entregadoras. (Fonte: Señoritas Courier/Divulgação)

O principal objetivo do Señoritas é combater a discriminação e oferecer oportunidades de trabalho para mulheres e LGBTQI+. O mercado de delivery é caracterizado por jornadas extensas para os entregadores, baixa remuneração e nenhuma garantia de direitos, o que tem motivado uma série de protestos.

Com isso, o grupo busca também condições mais justas para as entregadoras. Do valor pago pelo serviço, 70% ficam com as trabalhadoras, enquanto 30% são destinados para os custos operacionais, como a manutenção da administração das atividades do grupo e de uma base onde as trabalhadoras podem esperar as chamadas com segurança e conforto.

Empreendedorismo para bicicleta

Aline Rieira também foi responsável pelo projeto Selim Cultural, que propõe passeios de bike pelas ruas da cidade. Entretanto, a iniciativa não foi adiante, devido à falta de parcerias. 

No caso do Señoritas Courier, Aline participou do Bike Negócio, um curso para incentivar o uso da bicicleta em empreendimentos de forma geral. Durante a formação, ela conseguiu as ferramentas para estruturar seu negócio de entregas realizadas por bikes.

O curso foi criado em parceria entre o Instituto Besouro, o grupo Itaú Unibanco e o Instituto Aromeiazero. A capacitação usa a metodologia ByNecessiity, que busca ensinar como abrir uma empresa de forma simples e intuitiva.

Fonte: Hypeness, BBC, Consumidor Moderno, Mercado e Consumo, Señoritas Courier.

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