Covid-19 mostra limitações de projetos para cidades saudáveis

30 de setembro de 2020 4 mins. de leitura
Apesar do planejamento de cidades saudáveis para melhoria contínua de ambientes urbanos, população tem limitações para cumprir medidas básicas.

Quando a covid-19 foi declarada uma pandemia, as principais orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) eram ficar em casa, manter distanciamento físico e higienizar bem as mãos. Esses cuidados aparentemente simples se tornaram um desafio para um sétimo da população mundial que vive em locais extremamente precários.

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Diversos estudos no mundo todo mostram que as pessoas mais pobres estão mais expostas ao coronavírus. Entre os fatores que aumentam o risco de mortes e proliferação da doença, estão habitações pequenas sem infraestrutura básica como saneamento e empregos que não permitem o teletrabalho, como serviços essenciais de cuidadores, limpeza e entrega.

Cidades saudáveis

Cidade japonesa com barracas e lojas coloridas
Cidades japonesas, como Kobe, e sul-coreanas representam quase metade dos membros da Aliança Internacional para Cidades Saudáveis. (Fonte: Shutterstock)

Sítios arqueológicos antigos mostram que o planejamento das cidades com foco na saúde existe há cinco milênios. Há séculos, a conexão entre certas doenças e condições sociais é conhecida. E cuidar das condições sanitárias dos mais pobres sempre foi uma forma de garantir a saúde de todos.

A partir de 1986, os primeiros programas de cidades saudáveis foram lançados em Estados Unidos, Austrália e Europa. Por volta de 1994, países em desenvolvimento começaram seus próprios programas.

As medidas são implementadas de acordo com cada cidade, embora sigam uma ideia básica de envolver membros da comunidade para alcançar uma ampla mobilização e eficiência. Hoje, milhares de cidades em todo o mundo fazem parte de uma rede formada por Cidades Saudáveis.

Desigualdade socioespacial

Periferia com casas pequenas e grande número de pessoas
Populações mais pobres têm mais dificuldade de cumprir o isolamento social. (Fonte: Shutterstock)

Entretanto, o acesso ao planejamento urbano é desigual em todo o globo. Soluções de alta tecnologia existem ao mesmo tempo que grandes áreas urbanas continuam sem acesso aos sistemas mais básicos de água e saneamento, bem como comunidades sem energia elétrica ainda dependem do carvão.

Com o tempo, os grupos mais ricos dentro da cidade se tornaram cada vez mais independentes do governo local. Serviços como eletricidade, água e até segurança passaram a ser realizados pela iniciativa privada; dessa forma, alguns países investiram apenas o mínimo possível em infraestrutura urbana, reforçando a desigualdade socioespacial com implicações desastrosas.

Necessidade de mudança

A pandemia do coronavírus deixou claro que a mudança climática e o aumento da pressão global sobre o esgotamento dos recursos naturais estão criando um terreno fértil para novas doenças, que ainda não podem ser tratadas.  

A partir do medo do contágio por novos vírus, surgem sinais de uma vontade política renovada. Ainda assim, tornar uma cidade saudável depende não apenas da infraestrutura de saúde atual, mas também da disposição de criar as conexões nas arenas política, econômica e social.

O momento é uma chance preciosa para garantir cidades mais saudáveis. Com vontade política e parcerias eficazes, a longa jornada para a transformação da cidade pode ser alcançada. Porém, para tanto, os projetos de requalificação de espaços deteriorados precisam garantir a participação ativa e as necessidades das comunidades. 

Fonte: Urbanet, Organização Mundial da Saúde (OMS), Aliança para cidades saudáveis

A desigualdade socioespacial foi um dos temas debatidos pelo Summit Mobilidade Urbana 2020. Conheça o evento.

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