Entenda por que Luxemburgo extinguiu as tarifas do transporte público

3 de setembro de 2019 3 mins. de leitura
Medida busca incentivar os habitantes a deixarem seus carros na garagem

Luxemburgo é um país pequeno, com aproximadamente 600 mil habitantes, situado entre Bélgica, França e Alemanha. Porém, mesmo tendo um território menor se comparado aos vizinhos, a poluição causa grande incômodo. A capital tem aproximadamente 110 mil habitantes e sofre com congestionamentos e, consequentemente, com a contaminação do ar.

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Um estudo publicado no jornal The Guardian mostrou que os motoristas de Luxemburgo gastaram mais ou menos 33 horas no trânsito em 2016. Isso se deve ao fato de aproximadamente 400 mil pessoas se dirigirem até a cidade, vindas dos países vizinhos para trabalhar. E a maioria delas faz isso em veículos individuais, causando um caos no sistema viário.

Transporte público em Luxemburgo (Fonte: Pixabay/Reprodução)
(Fonte: Pixabay)

Para amenizar o problema, em 2018 o governo anunciou medidas inéditas na Europa que visam fortalecer o uso do sistema de transporte público: a isenção total de tarifas. O Ministro da Infraestrutura de Luxemburgo, François Bausch, anunciou que ônibus, trens e metrôs terão tarifa zero a partir de março de 2020.

A medida espera retirar de circulação boa parte dos carros que se aglomeram nas vias do país europeu. Para isso, o governo deve desembolsar aproximadamente 41 milhões de euros por ano que virão de impostos. Tal iniciativa parece bastante ousada, mas na realidade o governo do país já subsidia mais de 90% dos gastos na área.

Hoje, passageiros pagam dois euros e podem utilizar todos os meios de transporte coletivo por até duas horas. Em um país com as proporções de Luxemburgo, isso representa muitas vezes viajar para locais relativamente distantes, já que o país tem apenas 2.590 quilômetros quadrados. Além disso, estudantes contam com um ônibus gratuito que os leva de casa até a escola.

(Fonte: Pixabay)

Os impactos da medida são positivos do ponto de vista da sustentabilidade, pois diminuirá a emissão de gases nocivos. Contudo, o sindicato dos trabalhadores do setor demonstra preocupação com os funcionários que perderão seus postos, afinal serão extintas funções como cobrador e fiscal.

Na vizinha França, algumas cidades já adotam a isenção de tarifas do transporte público. Entre elas, a mais conhecida é Dunkirk, onde a iniciativa já está sendo realizada para reduzir o número de automóveis nas ruas e diminuir os níveis de poluição e os gastos com saúde pública.

Essa realidade ainda parece distante no Brasil, mas, em uma realidade cada vez mais consciente e com exemplos sendo replicados ao redor do mundo, é uma tendência a ser analisada na busca por uma melhor eficiência da mobilidade urbana.

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Fonte: The Guardian, Deutsche Welle.

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