Nova York torna ruas exclusivas para pedestres durante quarentena

4 de junho de 2020 4 mins. de leitura
Prefeitura de Nova York pretende retirar carros das ruas ruas para que pedestres circulem em a distâncias seguras durante a quarentena

A prefeitura de Nova York decidiu proibir veículos em 160 km de suas vias, que passarão a ser exclusivas para o trânsito de pedestres e ciclistas.

A medida tem como objetivo permitir o distanciamento social durante a pandemia da covid-19. A cidade é o epicentro da crise provocada pelo novo coronavírus nos Estados Unidos e já registrou 200 mil casos da doença.

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Muitos dos 8 milhões de habitantes da Big Apple vivem em apartamentos pequenos. O projeto da prefeitura pretende aliviar a pressão psicológica dos moradores. Além de permitir o deslocamento a pé, a medida deve favorecer a realização de exercícios físicos e atividades de lazer.

Apesar da ação, a cidade segue em quarentena, com estabelecimentos comerciais não essenciais fechados, cancelamento de atividades culturais e proibição de reunião em playground de edifícios e em piscinas conhecidas como “praias da comunidade”. O período de confinamento ainda não tem previsão para chegar ao fim.

Ruas abertas

(Fonte: Prefeitura de Nova York/Divulgação)
Primeiras ruas abertas exclusivamente para pedestres e ciclistas são próximas a parques. (Fonte: Prefeitura de Nova York/Divulgação)

Inicialmente, o plano “ruas abertas” nova-iorquino deve contar com 64 km, que depois serão expandidos ao longo das próximas semanas, quando a temperatura da cidade subir com a proximidade da chegada do verão no Hemisfério Norte. Além das vias para pedestres, algumas calçadas de outras ruas serão alargadas e novas rotas para bicicletas serão criadas.

As primeiras ruas exclusivas para pedestres estavam localizadas perto de parques. Com a expansão, outras vias foram adicionadas nos distritos do Bronx, Brooklyn, Queens e Staten Island, incluindo trechos de avenidas famosas, como a Broadway (Manhattan).

De forma geral, o mecanismo funcionará todos os dias, entre 8h e 20h, com placas e barreiras, além de fiscalização da polícia e da comunidade de Nova York. Apenas os veículos responsáveis por entregas locais de serviços essenciais e de emergência serão permitidos a fazer deslocamentos, mas com cuidado redobrado e velocidade máxima recomendada de 8 km/h — bem próxima à velocidade média de uma pessoa caminhando.

Plano de recuperação

Nova-iorquinos pedem que o projeto de ruas abertas seja utilizado como ferramenta para retomada econômica. (Fonte: haeryung stock images / Shutterstock)

A prefeitura estuda se as faixas adicionais provisórias para o ciclismo poderão ser transformadas em permanentes após o fim da crise, a depender da avaliação das comunidades locais. Líderes comunitários e entidades da sociedade civil defendem a expansão da medida como um plano de recuperação econômica da cidade.

Os signatários de uma carta aberta dirigida ao prefeito Bill de Blasio defendem o projeto como uma medida também para reduzir as desigualdades na cidade, uma vez que as ruas e calçadas compõem 80% do espaço público de Nova York.

A carta afirma que fechar ou reduzir o acesso às ruas por carros e abri-los para pedestres e ciclistas reduzem acidentes de trânsito, bem como congestionamentos, além de aumentar a atividade econômica do comércio local. O projeto também ajuda a diminuir a aglomeração no transporte coletivo e pode ajudar a melhorar a saúde da população ao diminuir a poluição e incentivar a atividade física.

Iniciativa em outras cidades pelo mundo

Diversas cidades pelo mundo adotaram a mesma iniciativa, banindo carros de algumas ruas para oferecer mais espaço ao ar livre a pedestres e ciclistas. Milão, a cidade mais atingida pela covid-19 na Itália, destinou 35 km de suas vias para o projeto “ruas abertas”, inclusive incluiu uma das mais importantes vias comerciais da região: a Corso Buenos Aires. Esse exemplo também é seguido nos Estados Unidos (São Francisco, Oakland e Denver), na Europa (Londres, Paris, Dublin, Budapeste e Berlim) e na América Latina (Bogotá).

Fonte: Prefeitura de Nova York, Archdaily, Mobilize.

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