Os riquixás elétricos que mudaram a mobilidade urbana na Índia

21 de janeiro de 2020 4 mins. de leitura

Conheça a história dos riquixás e de como eles se tornaram elétricos para tentar resolver o trânsito da Índia

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Os riquixás estão entre as maiores marcas do transporte nos países asiáticos, e pouco a pouco esse veículo a combustão está sendo substituído por versões elétricas.

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Só na Índia, são 60 milhões de usuários de e-riquixás, como esses modelos são chamados, por dia. O país tem a segunda maior frota de veículos elétricos do mundo, perdendo apenas para a China.

A revolução no transporte de nações megapopulosas, entretanto, passa por diversos problemas. De acordo com Vindu Goel e Karan Deep Singh, do The New York Times, mais da metade dos riquixás elétricos que circulam na Índia estão em condições ilegais, e a maioria dos motoristas não tem habilitação.

Outro problema está na segurança: a bateria dos e-riquixás fica sob o banco dos passageiros, normalmente aquecendo os assentos a ponto de incomodar. Além disso, muitas vezes essas baterias são recarregadas com energia roubada. E é muito comum encontrar esses veículos superlotados.

Os riquixás são uma das marcas da Índia. (Fonte: Pixabay)

A história dos riquixás

O veículo surgiu no Japão, em 1868, para suprir a necessidade de transporte de mercadorias nas grandes cidades. O termo é derivado do japonês jinrikisha, que significa humano (jin), força (riki) e veículo (sha). Havia grande oferta de mão de obra barata disposta a puxar manualmente os produtos de um lado a outro; em 1870, já havia mais de 40 mil riquixás em Tóquio.

A novidade alcançou outros países asiáticos logo após os primeiros anos de seu lançamento. Na Índia, a primeira cidade a receber os riquixás foi Shimla, a 350 km de Nova Déli, em 1880. Na virada do século, os colonizadores ingleses e a classe alta indiana encontraram no veículo uma forma de transporte pessoal, mas as leis que autorizavam esse uso só começaram a surgir por volta de 1915.

A popularização dos ônibus como transporte público acabou diminuindo o uso dos riquixás logo após a Segunda Guerra Mundial. Com isso, os riquixás evoluíram e passaram a ser movidos por tração com bicicleta.

Chamados de ciclo-riquixás ou tuk-tuks, esses veículos necessitavam de menos esforço dos motoristas, e rapidamente as bikes foram substituídas por motos, então o transporte voltou à sua antiga fama. Agora, gradualmente, as motocicletas movidas a diesel ou gasolina estão dando espaço aos modelos elétricos.

A era do riquixás elétricos

Os e-riquixás chegaram à Índia cerca de uma década atrás por meio de importações chinesas. Porém, o governo indiano só se importou com a nova modalidade de transporte quando um acidente em 2014 ganhou os noticiários: um motorista perdeu o controle e atropelou uma mulher e o filho dela, de 3 anos de idade, que caiu sobre uma panela com óleo quente. O novo transporte elétrico foi banido do país por conta disso, tendo sido regularizado no ano seguinte por pressões políticas.

Ola Cabs é uma das promotoras dos e-riquixás. (Fonte: Ola Cabs/Divulgação)

Uma das maiores vantagens dos novos riquixás é que eles reduzem a poluição do ar, ainda que sobrecarreguem o trânsito. O governo tem dado subsídios aos proprietários que trocam seus antigos modelos pelos não poluentes, e a ideia é que todos os riquixás se transformem em elétricos até 2023 e que o mesmo aconteça com as motos até 2025.

Mas também é preciso melhorar a segurança, já que esses veículos são frágeis e propensos a acidentes, além de não serem programados para enfrentar as rodovias do país, por terem velocidade limitada — mesmo que muitos motoristas desrespeitem essa regra. Por fim, existe a questão das baterias, que superaquecem e descarregam muito rapidamente.

A Ola Cabs, concorrente do Uber na Índia, está testando um sistema de e-riquixás com baterias de íons de lítio, que podem ser substituídas com facilidade, evitando que os motoristas fiquem muito tempo inativos durante a jornada de trabalho.

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Fontes: Wired, The New York Times.

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