Por que é importante pensar a mobilidade urbana noturna?

30 de março de 2020 3 mins. de leitura
Deslocamentos à noite possuem particularidades e desafios diferentes da mobilidade urbana diurna

Garantir uma locomoção eficaz, segura e acessível no período noturno tem se tornado um desafio para as cidades. Os problemas enfrentados nesse sentido são variados e vão da falta de transporte público adequado para esse período à negligência com o ser humano.

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De acordo com a Associação Nacional de Transportes Urbanos (NTU), apenas 52% de todos os municípios brasileiros possuem transporte público. Linhas de metrô estão presentes em somente 7 cidades. Se durante o período diurno as principais reclamações são a qualidade e o valor do serviço, no período noturno o principal problema é a sua ausência.

Isso é agravado pelo fato de as pessoas precisarem se deslocar cada vez mais pelas ruas à noite. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2016 havia 9,6 milhões de trabalhadores que concentravam seus esforços à noite e na madrugada. O Censo da Educação Superior de 2018 mostrou que o número de matriculados em cursos noturnos presenciais superava o de alunos de cursos diurnos ou vespertinos. A falta de uma agenda de transporte público noturno é uma das principais reclamações dessa população.

(Fonte: Unsplash)

O fator humano

Ainda que caibam às autoridades o planejamento estratégico das vias e a implementação de formas de locomoção, é preciso lembrar do elemento fundamental da mobilidade: o ser humano. No caso dos motoristas, eles têm de dobrar a atenção durante o deslocamento noturno. “À noite é comum a desorientação espacial, isto é, não conseguimos dimensionar espaços, distâncias e velocidades.

Tudo se torna mais difícil, como fazer uma ultrapassagem, manter distância ideal do veículo da frente e outras situações”, alerta Dirceu Rodrigues Alves Júnior, pós-graduado em Medicina Aeroespacial e Medicina do Tráfego, em artigo publicado no site da Perkons, empresa de tecnologia para o trânsito.

O especialista também alerta para o sono, causado por funções metabólicas, que atinge seu ápice entre 2h e 3h da manhã, em média. Isso torna a direção menos segura, colocando em risco tanto a vida do motorista quanto a de outras pessoas utilizando as mesmas vias. Não é à toa, por exemplo, que a Lei do Caminhoneiro (nº 13.103/2015) impõe o descanso de 11 horas para cada jornada de 24 horas trabalhada.

Também é no período noturno que muitas pessoas aproveitam festas e happy hours e dirigem embriagadas. Isso também leva perigo às ruas, sendo passível de multa, prisão e suspensão da carteira. Por isso, iniciativas como o compartilhamento de caronas e os aplicativos de transporte podem contribuir para que a mobilidade se torne mais segura para todos.

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