Quem começou a pedalar na pandemia deve seguir pedalando

25 de novembro de 2020 4 mins. de leitura
A informação foi divulgada por um estudo feito no Reino Unido, que detectou a tendência na mobilidade urbana

O uso de bicicletas está crescendo durante a pandemia de covid-19, mas até que ponto isso é definitivo? Um estudo realizado no Reino Unido prevê que o crescimento de 300% no uso de bikes deve ser mantido por cerca de 93% dos atuais ciclistas da região. As informações podem apontar uma nova tendência mundial.

Andar de bicicleta tem sido uma escolha de muitas pessoas ao redor do mundo. (Fonte: Shutterstock)
Andar de bicicleta tem sido uma escolha de muitas pessoas ao redor do mundo. (Fonte: Shutterstock)

Estudo do Reino Unido

A pesquisa foi divulgada pelo Departamento de Trânsito britânico e batizada de National Travel Attitudes Study (NTAS), que visa entender como as pessoas estão se locomovendo e por quais motivos estão saindo de casa na região. 

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O estudo foi feito a partir de um questionário respondido entre os meses de maio e julho de 2020. É a quarta 4ª pesquisa de NTAS feita pelo órgão público, que batizou o novo levantamento de dados de Onda Quatro (em inglês, Wave Four).

A maioria dos contatos foi feita de forma online ou telefônica, alcançando um total de 2,668 mil pessoas como amostragem. Nesse levantamento, 39% dos participantes disseram estar caminhando mais, e 38% afirmaram estar pedalando mais. 

Desses que estão utilizando mais essas formas de locomoção, em torno de 93% das pessoas contaram que pretendem continuar com a prática de andar ou de utilizar as bikes como meio de transporte. 

O uso das bicicletas

Algumas questões levaram ao aumento da presença das bikes. Entre elas estão um aconselhamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), que apontou a mobilidade ativa como a forma mais segura de deslocamento, e o próprio medo generalizado de aglomerações.

A pesquisa apresentou, por exemplo, esta situação no Reino Unido: dos entrevistados pela NTAS, 86% expressaram preocupação com transportes públicos, como ônibus, avião e trem; e 68% apresentaram receio com meios individuais compartilhados, como táxi, Uber e bicicletas de rua compartilhadas. Em comparação com esses dados, apenas 19% dos entrevistados mostraram insegurança quando o assunto é caminhar ou usar uma bike. 

 O uso das bicicletas deve se manter após a pandemia. (Fonte: Shutterstock)
O uso das bicicletas deve se manter após a pandemia. (Fonte: Shutterstock)

As informações obtidas ajudam a ilustrar o crescente número de pessoas que adotaram na rotina o uso das “magrelas”, seja para fazer exercício ou como meio de transporte. Agora, o intuito do governo britânico é acertar no investimento desse meio de transporte verde, com a expectativa de que a mudança seja definitiva na mobilidade urbana do Reino Unido. 

Bikes no Brasil

Em terras brasileiras, a tendência é acompanhar a realidade registrada nas comunidades britânicas. O avanço no interesse pelas bicicletas e formas de transporte mais sustentáveis pode ser sentido nos investimentos dos últimos anos em ciclovias e ciclofaixas 

Por exemplo, o número de ciclovias nas capitais do Brasil cresceu 133% entre 2014 e 2018, alcançando mais de 3 mil quilômetros de vias exclusivas para quem usa bicicleta. Além da infraestrutura para isso, o número de bikes tem aumentado expressivamente durante a pandemia. 

Segundo dados da Associação Brasileira do Setor de Bicicletas (Aliança Bike), as vendas do meio de transporte verde subiram 118% durante julho de 2020, apresentando uma tendência semelhante à do Reino Unido. Ainda não é possível saber se os brasileiros também continuarão a usar bicicletas em uma realidade pós-pandemia. O fato é que em âmbito global, a bike não para de crescer. 

Fonte: Revista Bicicleta, Cycling Industry, Departamento de Transporte do Reino Unido.

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