Superquarteirões: Barcelona quer mais pedestres e menos carros nas ruas

3 de setembro de 2019 3 mins. de leitura
As superquadras catalãs são um modelo de mobilidade em que os pedestres são os protagonistas

Desde a década de 1990, Barcelona tem investido em soluções de mobilidade urbana. As mudanças começaram em 1992, quando a cidade foi sede das Olimpíadas, e de lá para cá as estratégias para melhorar a mobilidade só aumentaram.

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Em 1997 foi criado um núcleo de transporte integrado que rendeu bons frutos, e em 2016 foi lançado um projeto que no início não agradou a todos, mas que com o tempo se mostrou muito eficaz: os superquarteirões.

O projeto busca trazer de volta o protagonismo dos pedestres e prevê que 60% dos espaços em que circulam carros sejam devolvidos aos cidadãos; isso é feito com a criação de blocos de nove quadras que formam um quadrado de 400 metros. A ideia é humanizar os espaços públicos, oferecendo mais áreas verdes e estimulando a prática de atividades recreativas.

 (Fonte: Pixabay)

Carros, motos e caminhões podem circular fora das superquadras. Os moradores do bairro em que a superquadra é aplicada podem circular desde que se mantenham na velocidade limite de 10 quilômetros por hora.

À época do lançamento do programa, uma reportagem do The Guardian revelou que a poluição do ar de Barcelona causava 3,5 mil mortes prematuras por ano. Outras razões que levaram o governo a desenvolver o projeto dos superquarteirões foram os números de acidentes de trânsito, que chegaram a mais de 9 mil no ano anterior ao lançamento do plano — os níveis de sobrepeso da população infantil da cidade e o estilo de vida sedentário de crianças e jovens, aliados à falta de espaços verdes para a população, também preocupavam.

Mesmo com os dados alarmantes sobre a qualidade do ar e o número de acidentes, uma parcela dos barcelonenses não estava convencida da eficácia do projeto e foi às ruas para protestar por terem que trafegar pelas ruas do bairro em velocidade reduzida, mas com o passar do tempo a taxa de rejeição dos moradores em relação à proposta vêm diminuindo.

Pedestres em Barcelona (Fonte: Pixabay/Reprodução)
 (Fonte: Pixabay)

No bairro de Gràcia, no primeiro ano de projeto, houve redução de 26% no uso de carros, enquanto os deslocamentos de bicicleta e a pé tiveram aumento de 30% e 10%, respectivamente.

O governo catalão já garantiu a continuidade do projeto para os próximos anos, e a tendência é que esse tipo de solução se espalhe para outras cidades, como São Paulo, em que a Avenida Paulista tem seu trânsito de carros interrompido aos domingos para que a população possa aproveitar a área.

Modificar a cultura da hegemonia dos carros não é uma tarefa fácil, mas Barcelona mostra que é possível.

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Fonte: The Guardian, The City Fix Brasil, Mobilize.

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