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Nova York torna ruas exclusivas para pedestres durante quarentena

Nova York torna ruas exclusivas para pedestres durante quarentena
Prefeitura de Nova York pretende retirar carros das ruas ruas para que pedestres circulem em a distâncias seguras durante a quarentena

A prefeitura de Nova York decidiu proibir veículos em 160 km de suas vias, que passarão a ser exclusivas para o trânsito de pedestres e ciclistas. A medida tem como objetivo permitir o distanciamento social durante a pandemia da covid-19. A cidade é o epicentro da crise provocada pelo novo coronavírus nos Estados Unidos e já registrou 200 mil casos da doença.

Muitos dos 8 milhões de habitantes da Big Apple vivem em apartamentos pequenos. O projeto da prefeitura pretende aliviar a pressão psicológica dos moradores. Além de permitir o deslocamento a pé, a medida deve favorecer a realização de exercícios físicos e atividades de lazer.

Apesar da ação, a cidade segue em quarentena, com estabelecimentos comerciais não essenciais fechados, cancelamento de atividades culturais e proibição de reunião em playground de edifícios e em piscinas conhecidas como “praias da comunidade”. O período de confinamento ainda não tem previsão para chegar ao fim.

Ruas abertas

(Fonte: Prefeitura de Nova York/Divulgação)
Primeiras ruas abertas exclusivamente para pedestres e ciclistas são próximas a parques. (Fonte: Prefeitura de Nova York/Divulgação)

Inicialmente, o plano “ruas abertas” nova-iorquino deve contar com 64 km, que depois serão expandidos ao longo das próximas semanas, quando a temperatura da cidade subir com a proximidade da chegada do verão no Hemisfério Norte. Além das vias para pedestres, algumas calçadas de outras ruas serão alargadas e novas rotas para bicicletas serão criadas.

As primeiras ruas exclusivas para pedestres estavam localizadas perto de parques. Com a expansão, outras vias foram adicionadas nos distritos do Bronx, Brooklyn, Queens e Staten Island, incluindo trechos de avenidas famosas, como a Broadway (Manhattan).

De forma geral, o mecanismo funcionará todos os dias, entre 8h e 20h, com placas e barreiras, além de fiscalização da polícia e da comunidade de Nova York. Apenas os veículos responsáveis por entregas locais de serviços essenciais e de emergência serão permitidos a fazer deslocamentos, mas com cuidado redobrado e velocidade máxima recomendada de 8 km/h — bem próxima à velocidade média de uma pessoa caminhando.

Plano de recuperação

Nova-iorquinos pedem que o projeto de ruas abertas seja utilizado como ferramenta para retomada econômica. (Fonte: haeryung stock images / Shutterstock)

A prefeitura estuda se as faixas adicionais provisórias para o ciclismo poderão ser transformadas em permanentes após o fim da crise, a depender da avaliação das comunidades locais. Líderes comunitários e entidades da sociedade civil defendem a expansão da medida como um plano de recuperação econômica da cidade.

Os signatários de uma carta aberta dirigida ao prefeito Bill de Blasio defendem o projeto como uma medida também para reduzir as desigualdades na cidade, uma vez que as ruas e calçadas compõem 80% do espaço público de Nova York.

A carta afirma que fechar ou reduzir o acesso às ruas por carros e abri-los para pedestres e ciclistas reduzem acidentes de trânsito, bem como congestionamentos, além de aumentar a atividade econômica do comércio local. O projeto também ajuda a diminuir a aglomeração no transporte coletivo e pode ajudar a melhorar a saúde da população ao diminuir a poluição e incentivar a atividade física.

Iniciativa em outras cidades pelo mundo

Diversas cidades pelo mundo adotaram a mesma iniciativa, banindo carros de algumas ruas para oferecer mais espaço ao ar livre a pedestres e ciclistas. Milão, a cidade mais atingida pela covid-19 na Itália, destinou 35 km de suas vias para o projeto “ruas abertas”, inclusive incluiu uma das mais importantes vias comerciais da região: a Corso Buenos Aires. Esse exemplo também é seguido nos Estados Unidos (São Francisco, Oakland e Denver), na Europa (Londres, Paris, Dublin, Budapeste e Berlim) e na América Latina (Bogotá).

Fonte: Prefeitura de Nova York, Archdaily, Mobilize.

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