A importância do planejamento urbano

12 de fevereiro de 2021 5 mins. de leitura
Diante da complexidade das cidades, o planejamento urbano é imprescindível; descubra como este auxilia na resolução de problemas

Você já deve ter ouvido a máxima: para quem não sabe aonde quer chegar, qualquer caminho serve. Se isso é verdade para as pessoas, é mais ainda para a dimensão coletiva: ter mais atores significa mais interesses a equacionar.

Esse é o caso das cidades contemporâneas. Sem um planejamento que parte de um bom diagnóstico, não é possível resolver as demandas urbanas que se acumulam e se interseccionam de forma cada vez mais complexa. 

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Embora esse conceito seja de fácil compreensão, sua execução é muito desafiadora porque, como diz outro ditado popular, “deve-se trocar o pneu com o carro em movimento”. 

Em outras palavras, é necessário criar políticas de curto prazo mesmo com limitações (sobretudo financeiras) e pressão de demandas atuais para resolver os problemas urgentes. Por isso, o planejamento é a única saída para solucionar gargalos urbanos. Listamos abaixo cinco razões por que ele é importante. Confira.

1. O planejamento permite criar a cidade do futuro

O planejamento urbano exige que a cidade conheça sua realidade por meio de um mapeamento em suas mais diversas áreas e, mais do que isso, projete a cidade do futuro para se antecipar aos seus problemas. 

Por isso, o planejamento dos grandes centros permite antever a cidade do amanhã e, em grande medida, criá-la. Um exemplo é a mobilidade ativa: estimular políticas de incentivo a essas formas de experimentar a cidade pode ajudar a criar um espaço mais igualitário, vitalizado, econômico, saudável e ambientalmente correto. 

2. Prevenir é mais fácil do que remediar

Ao projetar o futuro, é possível prever problemas urbanos sérios. (Fonte: Shutterstock)
Ao projetar o futuro, é possível prever problemas urbanos sérios. (Fonte: Shutterstock)

A principal razão pela qual o planejamento é tão importante é que, ao criar dinâmicas futuras, podem-se evitar problemas. Por exemplo, ao cuidar do saneamento básico, deixa-se de gastar muita verba pública com problemas de saúde decorrentes da carência dessa política.

Na área da mobilidade, é possível pensar nesse aspecto também em relação ao subsídio do transporte coletivo, que consome uma parcela grande dos orçamentos municipais. Ao não se criar políticas realmente atrativas ao ponto de as pessoas trocarem o carro pelo ônibus, geram-se problemas típicos desse modal.

3. Pode-se conciliar problemas de curto e longo prazos

A partir do momento em que se conhece a realidade e se sabe qual é a meta a ser atingida, o principal desafio passa por equilibrar a resolução de problemas imediatos e a prevenção daqueles que virão.

Outro exemplo caro à mobilidade é o recapeamento de vias públicas. Há saídas mais baratas do que o asfalto, mas que exigirão manutenção constante em virtude de sua má qualidade; e há saídas mais caras, embora mais duradouras. Por isso, o gestor público deve saber tomar decisões acertadas em cada caso e equilibrar o orçamento.

4. É possível reduzir desigualdades

O planejamento urbano permite que se estabeleçam quais são os problemas mais urgentes e priorizá-los. (Fonte: Shutterstock)
O planejamento urbano permite que se estabeleçam quais são os problemas mais urgentes e priorizá-los. (Fonte: Shutterstock)

Sendo a verba pública limitada, o que deve ser priorizado? O gestor público deve sempre considerar a redução das desigualdades urbanas como seu foco. Por exemplo, precisa decidir entre usar recurso para aumentar o subsídio do transporte coletivo e tornar as passagens de ônibus mais baratas ou, em vez disso, pavimentar mais ruas. 

Uma boa saída poderia ser pavimentar as ruas em que os ônibus circulam e usar o restante da verba para baratear a passagem. Assim, investe-se na qualidade de um modal mais justo e sustentável. 

5. O planejamento aproxima a sociedade das decisões

O exemplo anterior é simplório, apenas representa as decisões que são tomadas todos os dias nas mais diversas áreas. Afinal, no território urbano se concentram questões de saúde, educação, moradia, mobilidade, meio ambiente, emprego e muitos outros setores. Por isso, há dilemas seríssimos na gestão pública.

E quem é melhor do que aquele que vive nesse território e vivencia os dilemas concretos para opinar nos rumos das políticas das cidades? Por isso, o planejamento permite que se tenha tempo para focar os problemas em sua complexidade e dialogar com os diferentes atores envolvidos, como outras instâncias do município e associações de moradores, bem como outros órgãos públicos e conselhos setoriais, etc. 

Por essa soma de razões, o planejamento das cidades é muito desafiador e necessário. Por meio dele, é possível criar uma rede de diálogo e movimentos em torno dos principais problemas, apontar soluções e experimentar saídas entre esses diferentes atores.

Fonte: A.Dias, WRI Brasil.

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