Endereços digitais ampliam o acesso à cidade na Índia

19 de julho de 2021 4 mins. de leitura
Serviço aplicado na Índia tem possibilitado o acesso de populações em áreas remotas a serviços de delivery

Até pouco tempo, todos os moradores da favela Laxmi Nagar, na cidade de Pune, na Índia, tinham apenas um endereço. Isso limitava a chegada de encomendas para os moradores.

O centro de coleta para correspondências era uma grande Figueira-da-Índia, e a falta de estruturação para esse serviço prejudicava os moradores até mesmo a ter acesso às contas de energia e água. Esse problema se tornou ainda mais grave com a pandemia, já que os médicos e suas equipes não conseguiam localizar de forma precisa os afetados pela covid-19.

Diante da demanda por uma transformação nesses locais, uma organização sem fins lucrativos – a Shelter Associates – iniciou um projeto-piloto com a Google e a Unicef, que tem como objetivo fornecer endereços digitais exclusivos para casas em Laxmi Nagar.

O que são endereços digitais?

Os endereços digitais são códigos que podem ser usados para localizar pontos específicos no Google Maps. Desse modo, em vez de os moradores informarem endereços físicos como “rua, bairro, número e CEP”, eles utilizam o código gerado via software para o recebimento de suas correspondências e entregas.

O projeto da Shelter Associates em parceria com a Google e a Uniceffoi desenvolvido em setembro de 2020. De acordo com Pratima Joshi, arquiteta que fundou a organização sem fins lucrativos e trabalha em estreita colaboração com favelas nas cidades de Kolhapur e Thane desde 1993, foi a pandemia que realmente impulsionou a iniciativa.

Os moradores da favela receberam endereços digitais por meio de um recurso gratuito oferecido pelo Google: os plus codes. Estes são criados a partir de um código aberto, com a ajuda de um software.

Em resumo, os plus codes são combinações alfanuméricas simples, que derivam de dados como latitudes e longitudes. Cada código é composto com quatro caracteres seguidos por um sinal de “+” e mais dois a quatro caracteres. 

Os caracteres após o sinal de “+” definem o tamanho da área. Por exemplo: o código GRQH + H4 aponta para um templo famoso em Pune, e o “FRV5 + 2W56” é o de um banheiro comunitário em Laxmi Nagar. 

Todos os códigos estão disponíveis no Google Maps e podem ser acessados de qualquer lugar do mundo. Para os moradores das favelas na Índia, basta adicionar o código correspondente na porta ou em algum local visível em sua residência para conseguir receber correspondências e entregas.

A moradora Shobana Shiekh exibe um código de endereço digital em sua porta.
A moradora Shobana Shiekh exibe um código de endereço digital em sua porta. (Fonte: MIT Technology Review/Reprodução)

Como os moradores estão lidando com essa acessibilidade?

No início, os moradores demoraram para se inscrever no programa porque muitos não tinham nenhum tipo de conhecimento do Google Maps. Para solucionar esse problema, a organização sem fins lucrativos convocou estudantes locais para irem de porta em porta explicar melhor o programa para os moradores. 

De acordo com a organização, até o momento mais de 9 mil famílias em Pune, Thane e Kolhapur já estão sendo ajudadas por seus endereços digitais. A organização tem como objetivo cobrir mais 58 favelas, para que futuramente o programa possa integrar os códigos ao Aadhaar, o programa de identificação biométrica da Índia. 

Os moradores já conseguem até mesmo fazer atividades que são normais para pessoas de grandes centros, como pedir comida via aplicativos de delivery. Neha Dashrath, uma jovem moradora de 14 anos da favela Laxmi Nagar, ficou muito animada por fazer o seu primeiro pedido de pizza via aplicativo. “Sempre me sentia tímida quando meus amigos falavam sobre pedir comida em aplicativos. Agora eu também posso me exibir”, brincou a jovem.

Fonte: MIT Technology Review.

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