Por que a Uber e a DiDi investem em carros autônomos?

23 de março de 2020 4 mins. de leitura
Entenda como esse tipo de veículo pode impactar a rentabilidade do segmento de apps de transporte compartilhado

Os apps de transporte compartilhado vêm se ampliando bastante nos últimos anos. O mercado global nesse setor deve subir de 19,3 milhões de membros (em 2017) para quase 52 milhões em 2022, segundo a empresa de pesquisa Berg Insight.

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Paralelamente a essa ascensão, empresas “tradicionais” do setor, como Uber, Lyft e DiDi (startup chinesa responsável pela 99) apostam no desenvolvimento de carros autônomos para diminuir custos e aumentar o lucro em um futuro próximo.

E não são poucas as razões para tamanha dedicação a essa área. Com o apoio de mecanismos de inteligência artificial, os veículos autônomos podem operar com menos motoristas e até mesmo economia de combustíveis.

(Fonte: Shutterstock)

O motorista representa a maior despesa individual para os apps de transporte em viagens não autônomas — 80% do custo total por quilômetro rodado, de acordo com estimativas da empresa de pesquisa Frost & Sullivan. Ao reduzir a quantidade de pessoal da equação, os veículos totalmente autônomos diminuem drasticamente o custo de uma viagem. Além disso, a inteligência artificial poderá ser capaz de dirigir de forma mais eficiente, gerando economia de combustível.

O número de acidentes também pode cair, o que é outro bom ganho. Isso porque eles geram perdas altas, tanto na vida humana quanto no que tange a resultados financeiros, causando queda de produtividade, pagamentos de responsabilidade e aumento dos custos de reparo. Reguladores de segurança nos EUA afirmam que 94% de todos os acidentes podem ser atribuídos a erros de pessoas.

(Fonte: Shutterstock)

Embora os carros autônomos ainda não tenham sido usados fora das condições de teste e tenha havido falhas notáveis, as projeções iniciais são otimistas. A Waymo, que está testando carros sem motoristas por quase 1 década, relatou apenas uma falha atribuída à própria tecnologia autônoma. Ao permitir que uma inteligência artificial assuma o comando, os operadores humanos poderão executar outras tarefas, como se comunicar com os clientes ou planejar a manutenção do veículo.

Obstáculos no caminho

No entanto, há ainda questões complexas que devem ser repensadas antes de uma forte disseminação do modelo de carros autônomos nos apps de transporte. Confira algumas delas.

Em caso de acidente, de quem é a culpa?

Uma investigação do Conselho Nacional de Segurança em Transportes dos Estados Unidos sobre o acidente fatal ocorrido em 2018 com um carro autônomo da Uber, no Arizona, concluiu que a empresa não tinha uma cultura de segurança eficaz. A responsabilidade maior caiu sobre um erro humano. A motorista de segurança do veículo foi considerada culpada pelo atropelamento fatal. Mas, se um dia os carros autônomos estiverem viajando realmente sem motorista, de quem será a culpa?

Altos custos

O custo da frota pode impactar no projeto. Os custos de aquisição de carros autônomos são muito mais altos do que os de um veículo normal. Mesmo com toda a tecnologia, a infinidade de sensores e dispositivos necessários para um carro andar sem motorista, ela ainda não é confiável o suficiente, principalmente com o mau tempo. Os carros autônomos precisam incluir todos os dispositivos de backup em caso de falha. O setor chama isso de redundância e adiciona uma camada de custo.

A manutenção é outro fator que preocupa. Hoje, o custo para manter a frota de veículos dos apps de transporte é repassado ao motorista. Sem os motoristas tradicionais para essa cobertura, será responsabilidade da empresa manter os veículos. Além disso, a manutenção envolverá um novo trabalho técnico altamente qualificado.

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