Cafeína e direção: os riscos do uso das bebidas energéticas

22 de abril de 2020 5 mins. de leitura
Excesso de bebidas com cafeína pode ser fator de risco para acidentes
É normal enfrentar o volante ainda com sono, seja saindo de casa para trabalhar ou voltando já exausto após um dia atribulado. Segundo dados da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), 18% dos acidentes nas rodovias são decorrentes de fadiga e 42% derivam da falta de sono – números que totalizam 60% dos acidentes nas estradas brasileiras. Nesses momentos, é comum fazer uso de bebidas como café e energéticos para manter o sono longe e continuar dirigindo por algum tempo. Todavia, por mais que tal prática funcione em alguns casos, o excesso desses produtos pode causar efeitos nocivos ao condutor, aumentando o risco de acidentes.

Cafeína: o que é e como age no cérebro

A cafeína é uma substância alcaloide do grupo das xantinas, que pode ser encontrada em algumas plantas e está presente em diversos produtos além do café, como em bebidas energéticas, chás, refrigerantes, chocolates e até remédios.
(Fonte: Pexels) 
Além disso, há aumento de excitação e animação, visto que a cafeína age na dopamina – neurotransmissor ligado à sensação de bem-estar – e na adrenalina – que é estimulada pela adenosina liberada pelo corpo. É por isso que a sensação é de que se está mais disposto, concentrado e pronto para horas de trabalho.

Cafeína e direção

Segundo uma pesquisa apresentada em 2016 na 16ª Conferência Internacional sobre Psicologia de Tráfego e Transporte em Brisbane, na Austrália, o uso da cafeína de forma moderada pode ajudar na atenção ao volante – mesmo para quem fica muitas horas dirigindo. No estudo, os participantes tiveram que ficar acordados por 50 horas, sendo que 50% do grupo recebiam gomas com cafeína e os outros 50%, gomas com o mesmo gosto, mas sem cafeína. O que se tem feito para conter o coronavírus em ônibus e metrôs? Enquanto acordados, os participantes precisavam fazer alguns testes de direção, para saber se era possível notar alguma diferença entre os dois grupos conforme o tempo se estendia. De acordo com a pesquisa, o grupo que recebia o placebo começou a apresentar déficit de desempenho muito antes do grupo que tomava doses de cafeína, chegando a sofrer acidentes ao atingir 22 horas sem dormir. Já o grupo que fez o uso moderado da cafeína não sofreu acidente – mesmo passadas mais de 40 horas. Todavia, os pesquisadores alertam que a direção em estado de sonolência é sempre perigosa, mesmo com o uso de produtos à base de cafeína, pois nada recupera a atenção e a concentração de uma boa noite de sono. Grupos de pedal são incentivo para uma cidade mais sustentável O problema da cafeína associada à direção ocorre quando há uma alta dosagem da substância, pois isso pode levar a um efeito contrário do que se pretende alcançar. Como a cafeína assume o lugar da adenosina nos receptores, ela apenas camufla o cansaço, dando a sensação – por um breve período – de que ainda há disposição e foco para fazer determinada tarefa. Porém, quanto mais se faz uso da cafeína para prolongar o tempo de ação e evitar dormir, mais o cérebro acumula adenosina, o que gera um cansaço mais intenso quando o efeito da cafeína passa.
(Fonte: Shutterstock)‌‌
Nesse contexto, quando o efeito da cafeína desaparece, a vontade de dormir é muito maior, o que pode levar ao sono e, por consequência, a um acidente trágico. De acordo com a IAM RoadSmart, que busca melhorar os padrões de direção nas estradas do Reino Unido, um episódio de sono ao volante pode durar de 1 a 30 segundos. Ainda segundo a entidade, um carro a 112 km/h pode percorrer 31 metros por segundo, ou seja, em um episódio breve de sono ele pode percorrer quase 1 quilômetro, o que pode levar a um acidente muito sério. As relações entre mobilidade social e mobilidade urbana Além desse efeito, o excesso de cafeína pode acarretar outras consequências, como irritabilidade, tremores, ansiedade, angústia e taquicardia. Essas condições podem tornar as ações mais bruscas e com pouca racionalidade, aumentando as chances de acidentes. O melhor caminho Para a IAM RoadSmart, a melhor opção é sempre garantir que o condutor esteja bem descansado antes de enfrentar o volante. Por isso, dormir bem antes de um longo trajeto é importante, assim como fazer pequenas pausas durante o percurso pode ser uma ótima saída para manter o corpo descansado e a atenção acurada. Fonte: Research Gate, Abramet, Psychological Science, U Coffee, Essential Nutrition, IAM RoadSmart. Curtiu o assunto? Clique aqui e saiba mais sobre como a mobilidade pode melhorar os espaços.
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