Como será o mercado de apps de mobilidade após a quarentena?

31 de maio de 2020 5 mins. de leitura
Carona compartilhada pode perder adeptos, mas serviços de delivery e micromobilidade tendem a crescer

Com comércios fechados e a implementação do home office em diversas empresas, o fluxo de pessoas nas ruas diminuiu drasticamente. E o número de usuários dos aplicativos de carona compartilhada também caiu.

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Segundo dados divulgados pelo Instituto WRI Brasil, a quantidade de corridas em aplicativos teve queda de 80% durante a quarentena. “Os clientes dos aplicativos estão em casa”, diz Estela Alves, especialista em planejamento urbano e pesquisadora da Universidade de São Paulo.

Considerando esse movimento, é compreensível que uma das grandes questões em debate seja conjecturar o que acontecerá com o mercado de aplicativos depois que as medidas de isolamento social forem relaxadas.

De acordo com os especialistas, o uso dos aplicativos tende a continuar reduzido por um bom tempo, com uma retomada mais lenta do que em outros setores. Contudo, algumas medidas podem ser adotadas para acelerar esse movimento, como investimentos em segurança e novos modelos de negócios.

Uso de aplicativos deve ter retomada lenta, após a quarentena (Fonte:Estadão)
Uso de aplicativos de carona compartilhada deve ter retomada lenta após a quarentena. (Fonte: Estadão/Reprodução)

Mudança de comportamento profunda

Para Guillermo Petzhold, mestre em Engenharia de Transportes e coordenador de Mobilidade Urbana do Programa Cidades do Instituto WRI Brasil, haverá uma diminuição geral nos deslocamentos nas grandes cidades, causada por mudanças comportamentais influenciadas pela pandemia.

Uma das mudanças mais importantes é a adesão cada vez maior — e definitiva — do trabalho remoto. Além disso, as pessoas buscarão possibilidades tecnológicas para outras atividades do dia a dia, como compras ou acesso a serviços.

“Pode haver uma demanda menor por circulação para atividades que podem ser feitas à distância. Essa tecnologia, que no seu curso normal levaria anos para ser popularizada, está se espalhando rapidamente”, avalia Carlos Hardt, especialista em gestão urbana e pesquisador da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).

Os impactos do coronavírus na mobilidade urbana

Para os deslocamentos que continuarem sendo necessários, a tendência é de que os carros particulares ganhem a preferência de muitas pessoas, no curto prazo. “O transporte privado voltará a ser desejado. Agora não mais como símbolo de status, mas como segurança”, defende o arquiteto e urbanista Guilherme Torres.

Investimentos em segurança são importantes para o setor

“A partir de agora, atitudes voltadas à garantia de um serviço de qualidade e que preze por processos rigorosos de higienização deverão ser tomadas por todos, seja no poder público ou na iniciativa privada”, resume Rodrigo Villaça, CEO do Grupo Itapemirim e coordenador da FGV Transportes (centro de estudos em transportes, logística e mobilidade urbana da Fundação Getúlio Vargas).

Dessa maneira, a segurança dos passageiros e motoristas é um dos principais aspectos no qual as empresas de carona compartilhada devem investir, tanto durante a pandemia quanto no momento de retorno à normalidade.

Algumas das ideias propostas pelos especialistas já estão sendo adotadas pelas empresas de aplicativo. Tanto Uber quanto 99 tornaram obrigatório o uso de máscara nos veículos desde meados de maio. Além disso, há políticas e benefícios para a higienização em ambos os casos.

Medidas como higienização dos carros são indispensáveis para os usuários. (Fonte: Estadão/Reprodução)

Ascensão do delivery

Além dos investimentos em segurança, as empresas de aplicativos podem apostar em frentes de negócio que vão além dos serviços de carona compartilhada. O mercado de delivery, por exemplo, que tem ganhado mais adeptos, tende a crescer. Serviços de bicicletas e patinetes compartilhados também, por evitarem a exposição das pessoas a aglomerações.

Após o início do isolamento social, o 99 Food, serviço de delivery da 99, ficou disponível em dezenas de cidades do Brasil. “Escolhemos cidades em que podemos validar nossos testes, estratégias e competências, ao longo do caminho”, afirmou Danilo Mansano, diretor-geral da 99 Food, ao portal Link, do Estadão.

Os impactos do coronavírus na mobilidade urbana

Enquanto isso, a Uber — que já oferece o aplicativo Uber Eats no Brasil, desde 2017 — lançou a categoria “Flash”. Com ela, os usuários podem enviar itens pessoais por meio dos carros do aplicativo, pagando o mesmo valor de uma corrida de Uber X.

Micromobilidade em alta

Outro mercado que pode crescer, segundo os especialistas ouvidos pela equipe do Summit Mobilidade Estadão, é o de bicicletas e patinetes compartilhados. Afinal, esses veículos permitem manter o isolamento social e são higienizados mais facilmente. Como observa Guillermo Petzhold, do Instituto WRI Brasil, várias cidades estão investindo em ciclovias e ruas calmas durante a quarentena.

Já Rodrigo Villaça, da FGV Transportes, aponta a possibilidade do uso de aplicativos para integrar os modais de transporte e aumentar a segurança dos usuários — com meios de pagamento eletrônico, por exemplo.

Fonte: Uber, 99, Estadão.

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