Os impactos do coronavírus na mobilidade urbana

Os impactos do coronavírus na mobilidade urbana
Entenda como a covid-19 afeta a estrutura das cidades, quais são as tendências para o futuro e como lidar com elas

Há uma grande dose de verdade quando se diz que o mundo não será o mesmo depois da covid-19. As relações humanas, a maneira de trabalhar e estudar, bem como a forma de se fazer compras — enfim, tudo — estão sendo radicalmente transformadas. É provável que muitos desses novos hábitos permaneçam no cotidiano das pessoas mesmo depois de a pandemia terminar.

A mobilidade urbana também é fortemente impactada. A covid-19 mudou radicalmente a forma como se experiencia o espaço público urbano. Por exemplo, se lavar as mãos se tornar um hábito mais comum, a arquitetura poderá apresentar mais lavabos em espaços públicos. Ou, caso a circulação de ar passe a ser percebida como fundamental à saúde, será possível ver mais espaços com projetos para circular o ar.

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Nesse sentido, é importante se perguntar: as ruas e praças passarão a estar mais cheias ou vazias? Haverá mais ou menos bicicletas? Confira algumas tendências que a mobilidade deve apresentar e como a cidade será depois da atual pandemia.

Transporte público em xeque

(Fonte: Ricardo de O. Lemos / Shutterstock)

A hipótese de que o transporte público não é suficientemente valorizado sai mais fortalecida do que nunca. Diante da impossibilidade de o poder público ter uma política que resguarde a circulação de pessoas com qualidade, e respeitando o distanciamento mínimo durante a quarentena, leva a algumas conclusões. A primeira delas é de que não há uma aposta estratégica no serviço: trata-se de mais uma opção de transporte, e não a principal.

A segunda é de que, em vez de uma construção planejada, o transporte coletivo não é mais que um nicho de negócio, em que o lucro dos empresários se sobrepõe à função social do ramo. O poder público não tem sido capaz de cobrar garantias fundamentais ao setor e não deixa de chamar atenção à tensão existente nessa relação.

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Além disso, o transporte coletivo ainda tem um marco de classe social. A associação de ônibus com pobres e a de carros com classe média, de forma que adquirir um carro tem um fator simbólico relevante, existe pelo fato de o transporte coletivo frequentemente apresentar péssima qualidade.

Em geral, são pessoas pobres que necessitam desse transporte, mas os agentes públicos tomadores de decisão não estão nesse grupo. Isso agrava o problema, que não tem uma solução em curto prazo, como é necessário.

Esse impasse cria uma tendência óbvia: as pessoas que conseguem comprar um carro farão isso. E, caso o aumento do número de veículos individuais se confirme, serão dados passos na contramão de um modelo mais sustentável social e ambientalmente.

Isso seria um problema, sobretudo porque carros são bens de médio e longo prazo, ou seja, a questão culminaria em um recuo de anos ou até décadas no encontro de outros modais que não impliquem engarrafamento e poluição.

A pé ou de bicicleta, pernas para que te quero!

(Fonte: Shutterstock)

Ao mesmo tempo, pode haver uma outra tendência em meio à pandemia e um sistema de transporte coletivo insuficiente: pessoas podem optar por andar mais — ao menos durante o dia, em que há condições mais seguras.

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O mesmo pode passar a ocorrer com bicicletas: em 30 minutos, é possível fazer um percurso que, com o transporte coletivo, seria feito em tempo similar. Essa é uma ótima opção para reorganizar o dia a dia.

(Fonte: Ultrasto / Shutterstock)

A tendência de andar a pé ou de bicicleta só é factível para pessoas que moram em áreas mais centrais. Por isso, é possível que pessoas que morem longe do trabalho passem a se mudar.

Nesse sentido, o poder público deverá auxiliar a revitalizar áreas centrais. Mais habitantes em regiões centrais significa mais mobilidade a pé no local, mais comércios funcionando, regiões mais iluminadas e movimentadas.

Fortalecimento de apps de compartilhamento

(Fonte: Shutterstock)

A mediação virtual presenciada nos trabalhos, faculdades, igrejas, empresas e órgãos públicos tende a permanecer. E, assim como houve alguns aplicativos surgidos ou transformados durante a pandemia apresentando soluções para esse período, é provável que se fortaleça uma tendência de economia compartilhada por meio dos apps.

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Além disso, após uma "digitalização compulsória" durante a pandemia, as pessoas que adquirirem carros poderão estar mais propensas a adotar novos hábitos, como aplicativos de carona que dividem o custo do trajeto entre as pessoas de bairros adjacentes.

Fonte: WRI Brasil

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