Conheça o BeiDou, concorrente chinês do GPS

31 de julho de 2020 4 mins. de leitura
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Estados Unidos e China estão em uma competição acelerada em diversos campos da tecnologia, a exemplo do 5G, e a China deu recentemente mais um passo nessa disputa: outros dois satélites foram colocados em órbita para contribuir no aprimoramento do BeiDou, sistema de geolocalização chinês.

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Com o novo lançamento, a China possui, agora, 35 satélites a serviço do desenvolvimento da tecnologia de referência geográfica. Isso deixa o BeiDou ainda mais próximo do GPS (Global Positioning System), que é vinculado ao Departamento de Defesa dos EUA. Embora o BeiDou ainda esteja circunscrito à China e a outros países da região, o governo do país espera conseguir competir com a tecnologia estadunidense.

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O GPS, que ainda é hegemônico em todo o mundo, possui outros concorrentes além do BeiDou: o Galileo, desenvolvido na Europa, que possui 22 satélites em órbita. O sistema russo Glonass, que também é uma tecnologia de geolocalização e trabalha com 24 satélites atualmente. Os japoneses, por sua vez, possuem o QZSS, com quatro satélites ao redor do globo. Porém, nenhum deles têm o mesmo potencial de ameaça à hegemonia do GPS, como o BeiDou.

Precisão

Desde a primeira implementação do programa, a China já enviou mais de 50 satélites ao espaço. (Fonte: Shutterstock)

Segundo o comunicado oficial da Administração Espacial da China emitido logo após o envio dos satélites, esses artefatos são capazes de fornecer recursos de serviço de posicionamento, navegação e cronometragem. Além disso, permitem a comunicação global de mensagens curtas de texto, bem como buscas e resgates internacionais.

Com os novos satélites em órbita, os técnicos chineses esperam ter um sistema mais preciso, reduzindo a precisão da tecnologia de alguns metros para poucos centímetros. Caso isso se confirme, o sistema estará pronto para ser “exportado”, o que deve aquecer a corrida entre o país e os Estados Unidos.

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Essa tem sido uma tendência de tecnologias da China, que já possui outros conglomerados de informação em hardware e software consolidados. A Huawei e a Xiaomi são exemplos de como a China pode ser capaz de se afirmar no mercado mundial de tecnologia.

No fim de 2019, a China enviou dois satélites relacionados ao BeiDou para o espaço. Havia dúvida quanto ao lançamento de novos satélites em razão da pandemia do novo coronavírus, mas o calendário não foi alterado: em março foi lançado um satélite capaz de contribuir para o monitoramento do clima e navegação por localização.

Aplicação

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Sistema atinge capacidade de competir com o GPS 30 anos após seu primeiro lançamento. (Fonte: Wikimedia)

Tudo indica que os chineses casarão software e hardware, como em smartphones. Esse movimento se refere a uma decisão importante no negócio: o sistema opera desde 2011, mas ainda apresentava entraves na cobertura e era limitado a empresas. A abertura a qualquer pessoa física significa a entrada na corrida contra o GPS definitivamente.

As aplicações são inúmeras. Com o BeiDou em condições de exportação, o sistema poderá traçar estratégias de georreferenciamento que contribuam para a consolidação das tecnologias chinesas em uma série de eventos. 

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Por isso, a expertise chinesa em soluções de mobilidade tendem a ser exportadas junto a produtos. Um exemplo são os ônibus elétricos, que o país exporta para todo o mundo, é possível que o BeiDou passe a ser o sistema embarcado usado nesses veículos.

Outra possibilidade é o georreferenciamento para empresas. O BeiDou permitirá desde o monitoramento em tempo real de pastos e plantações, no caso de produtores rurais, até o controle de frotas de veículos para grandes empresas (a China sedia a Didi, empresa de tecnologia dona da 99, por exemplo).

Há, além disso, aplicações próximas do cotidiano do cidadão comum, como o serviço de mapa e de rotas. Tão logo o BeiDou passe a estar incorporado nos produtos chineses, sobretudo smartphones, a massificação do sistema tende a ocorrer rapidamente e contribuir, junto ao 5G, para questionar a hegemonia estadunidense na área.

Fonte: Tecmundo, Startse.

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