Por que diversificar e integrar formas de deslocamento?

19 de julho de 2020 5 mins. de leitura
A integração de diferentes formas de deslocamento garante o trajeto “porta a porta” e estimula alternativas ao veículo individual

Se você precisa se deslocar no horário de pico, sabe como pode ser desgastante viver em uma cidade que não abre mão do modelo centrado no carro. Diante de um transporte coletivo pouco funcional ou insuficiente frente às demandas cotidianas, as pessoas usam o veículo pessoal como forma de garantir seu deslocamento de “porta a porta”.

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Por isso, criar novas formas de acessar a cidade passa por cobrir todo o trajeto com qualidade e eficiência. Como nem sempre é possível fazer isso apenas usando o transporte coletivo ou pedalando, diversificar e integrar as opções de mobilidade podem ser as saídas para fugir da cultura do carro.

Conheça um pouco mais sobre esses conceitos e como eles podem ser úteis no planejamento da mobilidade de um espaço urbano.

Diversificar

Opções funcionais de transporte coletivo, como os BRTs, são importantes para conquistar aqueles que não abrem mão do carro. (Fonte: T photography / Shutterstock)

Trocar o carro por trajetos feitos a pé, de ônibus, metrô ou bicicleta pode melhorar a qualidade de vida e trazer benefícios para a comunidade. Porém, essa pode não ser uma decisão fácil em virtude das demandas de cada pessoa e dos problemas encontrados em cada caso.

Quando não há infraestrutura cicloviária adequada e uma cultura de respeito ao ciclista, a opção pela bicicleta pode ser um desafio. Afinal, dividir espaço com automóveis é uma prática que depende de uma educação de trânsito que garanta mais segurança.

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Além disso, trajetos muito longos podem ser inviáveis para quem pedala, especialmente para aqueles que vivem nos bairros afastados ou nas regiões metropolitanas. Por exemplo, um paulistano que mora no Jardim Ellus (Zona Sul) e trabalha no Brás terá que pedalar cerca de 5 horas por dia, totalizando 70 quilômetros diários (somando os trajetos de ida e volta).

A opção pelo transporte coletivo também pode apresentar problemas. Se esse mesmo paulistano tiver que optar entre usar carro ou ônibus, é provável que o carro ganhe a disputa: ele levaria cerca de 2h30 (contando ida e volta) utilizando veículo particular, mas levaria cerca de 5 horas se usasse o transporte coletivo. Lembrando-se de que o transporte coletivo exige diversas conexões, fica fácil de entender por que existem quase 0,8 carro por paulistano.

Por isso, tem ficado nítido que quando isolados os modais são insuficientes. Diversificá-los é fundamental para permitir o cidadão a agir sobre suas demandas e tornar “a fuga do carro” uma opção concreta. Nisso, valem todas as opções que se fizerem úteis: apps de compartilhamento de viagem, bicicleta, transporte coletivo e até mesmo o carro, que pode ser eficiente para um pequeno trecho no trajeto total.

Integrar

Estacionamentos de bicicleta ao lado dos metrôs são comuns em Amsterdã e auxiliam na integração dos modais. (Fonte: Kirill Chernyshev / Shutterstock)

Já existem diversas opções de transporte, mas geralmente elas não estão articuladas de forma que se permita uma cobertura total ao trajeto. Por isso, integrar de forma inteligente os diferentes modais é o maior desafio para os planejadores urbanos da área de mobilidade.

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Ainda no exemplo do paulistano residente no Jardim Ellus, pode ser que uma carona encontrada via um aplicativo seja mais interessante do que um ônibus para acessar o terminal do Grajaú. Em vez disso, outra boa opção seria pedalar até esse local e deixar a bike lá até mais tarde caso existam estacionamentos de bicicletas (comuns em Amsterdã, por exemplo).

Outra opção são os veículos coletivos que permitem levar bike — há espaços especialmente destinados a essa modalidade. Bons exemplos disso são Stuttgart (Alemanha), onde há um vagão externo que acomoda as bicicletas, e Havana, capital cubana, em que ônibus sem bancos circulam com a finalidade de transportar ciclistas e integrar o transporte urbano.

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Dirigir o veículo pessoal até o local de embarque no trem é outra forma de atrair os cidadãos, caso haja estacionamentos ao lado do metrô. Esse modelo atende ao conceito park and ride e pode funcionar como uma política de “redução de danos”. Embora trabalhe com o modal centrado no carro particular, é uma forma de diminuir seu uso durante o trajeto e tornar a integração atrativa.

Por isso, tão importante quanto diversificar as formas de mobilidade, é necessário pensar em políticas que viabilizem a integração dos diferentes modais. As saúdes física e mental, o tráfego, o tempo e o meio ambiente agradecem.

Fonte: FIA, WRI Brasil.

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