Construções digitais: entenda o uso da tecnologia na engenharia

Construções digitais: entenda o uso da tecnologia na engenharia
As construções digitais têm potencial para revolucionar o setor da construção civil, implementando tecnologias baseadas em inteligência artificial e Big Data

Quando falamos em cidades inteligentes e sustentáveis e mobilidade urbana, o mais comum é nos referirmos à utilização da tecnologia como fim. Mas não é apenas nesse ponto que alternativas tecnológicas são aplicadas, e sim em toda a cadeia produtiva da construção. A automação pode ser empregada desde a elaboração do projeto arquitetônico e urbanístico até a sua execução, passando, é claro, pelos materiais utilizados. Essas são as chamadas construções digitais.

E é exatamente nesse ponto que existe um gargalo no Brasil. As tecnologias atuais não foram bem assimiladas pelos setores da construção civil ou das indústrias que fornecem insumos para eles. Essa deficiência acaba aumentando o preço das construções, gerando atrasos e retrabalhos. A expectativa é que esses problemas sejam facilmente evitados com a implementação de tecnologias baseadas em inteligência artificial e Big Data.

Uma pesquisa da PricewaterhouseCoopers (PwC), empresa de auditoria na área tecnológica, apresentou os principais impactos do uso da tecnologia. Os destaques foram crescimento das vendas (69%), melhora na satisfação dos clientes e aumento na inovação colocada em prática nos projetos. A pesquisa foi feita com 1,2 mil executivos de diferentes países, dos quais 54% destacaram a dificuldade de preencher a lacuna entre estratégia de inovação e de negócios. Outra pesquisa, dessa vez do McKinsey Global Institute, indica que a produtividade pode aumentar de 14% a 15% com a transformação digital, enquanto a redução de custos pode chegar a 6%.

Entenda agora, a partir de exemplos práticos, o que são as construções digitais e como soluções disruptivas podem mudar completamente o setor.

Pré-obra e obra: engenharia, arquitetura e indústria

(Fonte: Shutterstock)
  • Ferramentas de design com Big Data: podem oferecer inúmeras opções de acordo com as especificidades da região, do cliente, entre outras variáveis, proporcionando agilidade ao projeto.
  • Impressoras 3D: podem imprimir materiais, ferramentas e objetos decorativos.
  • Relatórios de progresso em tempo real: permitem ter total controle do canteiro de obras, identificar problemas e precisar os materiais de construção que podem faltar.
  • QR Code: etiquetas podem ser úteis para manter atualizado o projeto e a fase em que ele se encontra.
  • Drones: essa tecnologia foi a mais aceita e incorporada, podendo ser utilizada, por exemplo, para inspecionar zonas de difícil acesso.
  • Ferramentas de gestão: podem abarcar as mais variadas frentes da gestão, como projeto, financeiro ou custos; a digitalização armazena tudo em nuvem e possibilita o acesso de qualquer local.
  • Realidade aumentada: pode ser útil na discussão de projetos, no canteiro de obras, para a inspeção ou como auxílio na hora da venda.

As construções inteligentes também podem ser desenvolvidas com objetos e materiais que visam ao conforto térmico e acústico dos usuários. Já existem pesquisas da indústria para desenvolver tecidos que promovem a purificação do ar, bem como absorvem e emitem calor ou som.

Tecnologia no pós-obra

(Fonte: Shutterstock)

Casas e edifícios superconectados já são uma realidade. Atualmente, existe uma enorme gama de dispositivos que ligam os eletrodomésticos aos smartphones, automatizando os objetos e transformando a rotina dos moradores: é a internet das coisas (IoT). Além disso, mecanismos automatizados podem ser instalados para identificar falhas, diminuir desperdício e melhorar a segurança.

Mas não é só nesse ponto que a tecnologia revoluciona o pós-obra. Para vender imóveis, podem ser utilizadas visualizações em 3D, 4D ou 5D, o que proporciona ao cliente experiência e visão reais do projeto antes mesmo de estar pronto, agilizando as vendas.

Construções digitais e cidades inteligentes

Quando pensamos em urbanização e projetos de mobilidade, todas as tecnologias mencionadas também podem (e devem) ser utilizadas. Para melhorar a mobilidade urbana, é fundamental entender o tráfego de pessoas, as reais necessidades e os padrões, e a tecnologia proporciona informações detalhadas e em tempo real com Big Data.

Um exemplo é o elevador multi, que está sendo desenvolvido pela ThyssenKrupp e promete conectar edifícios e transporte, fazendo o deslocamento de pessoas não apenas na vertical mas também na horizontal. Seu grande diferencial é que ele poderá se integrar às estações de metrô, levando o usuário diretamente de dentro do prédio para dentro do transporte público. Outro potencial é a iluminação inteligente das vias, que proporciona economia e sustentabilidade para as cidades inteligentes. Ademais, o monitoramento do tráfego pode ser revolucionado a partir de aplicativos automatizados que fazem todo o controle do fluxo.

Hoje, são muitas as soluções tecnológicas que podem beneficiar a engenharia civil. A grande questão é as empresas precisarem analisar quais são suas demandas e começarem a implementar essas novidades, fazendo uma mudança na cultura organizacional visando à transição para as construções digitais.

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Fontes: Urban Hub, McKinsey Global Institute, PwC.

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